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Lésbica chinesa publica carta aberta para o pai desistir de lhe achar um marido

Atualizado em  29 de janeiro, 2014 - 12:23 (Brasília) 14:23 GMT

Gigi Chao (esq.) se casou com sua parceira de longa data Sean Eav em 2012

A filha de um bilionário de Hong Kong pediu em uma carta aberta ao pai que ele aceite o fato de ela ser lésbica. A iniciativa se deu depois de o empresário renovar a oferta milionária para o homem que se casasse com ela.

Gigi Chao disse que o pai deve aceitá-la como lésbica e também sua parceira, tratando-a "como um ser humano normal e digno". O empresário Cecil Chao fez em 2012 fez uma oferta pública de US$ 65 milhões (equivalente a R$ 158 milhões) para o homem que conquistasse a filha.

Segundo um jornal da Malásia, que entrevistou o empresário na última semana, Chao disse estar disposto a dobrar a oferta.

Gigi, de 33 anos, reagiu e publicou uma carta aberta em pelo menos dois jornais de Hong Kong. A empresária registrou a união com a namorada de longa data, Sean Eav, em 2012, na França.

"Há muitos homens bons, mas eles não são para mim", disse na carta ao pai.

Casamento gay

Uniões do mesmo sexo não são reconhecidas em Hong Kong. A homossexualidade só foi legalizada em 1991 no atual território chinês, que por séculos esteve sob domínio britânico.

Cecil Chao, um empresário que nunca foi casado, disse à BBC no ano passado que sua filha precisava de "um bom marido". Ele contou na ocasião que a oferta inicial teve muitas respostas de potenciais pretendentes.

A filha Gigi pediu que o pai a aceitasse e chegou a dizer na carta que lamentava as "coisas insensíveis" que algumas pessoas pensavam sobre ele.

"A verdade é que eles não entendem que eu sempre lhe perdoarei por pensar do jeito que você pensa, porque eu sei que você acredita estar fazendo o que é melhor para mim", disse.

"Como sua filha, tudo o que eu quero é lhe fazer feliz. Mas, quando se trata de relacionamentos, suas expectativas para mim e à minha realidade não são coerentes."

Ela disse, ainda, não esperar que o pai e a parceira "sejam melhores amigos". Mas "eu ficaria muito feliz se você não se sentisse tão aterrorizado por ela e a tratasse como um ser humano, normal e digno."

"Me desculpe por tê-lo feito pensar que eu estava em um relacionamento gay por falta de homens bons e adequados em Hong Kong", continuou.

Gigi terminou a carta assinando: "Pacientemente sua".

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