Entenda a convulsão social da Tailândia

  • 21 janeiro 2014
Manifestantes antigoverno em Bancoc (AP)
Oposicionistas exigem a renúncia da primeira-ministra, que é irmã de ex-governante

O governo da Tailândia impôs 60 dias de estado de emergência na capital, Bangcoc, e em províncias vizinhas para tentar conter a revolta de oposicionistas que há semanas exigem a renúncia da primeira-ministra, Yingluck Shinawatra.

O decreto prevê censura à imprensa, prisões sem mandado judicial e limitações ao direito de reunião. A medida é parecida à figura jurídica do Estado de sítio, contida na Constituição brasileira.

Os oposicionistas tailandeses vêm bloqueando importantes vias da capital. Eles acusam a primeira-ministra de ser manipulada por seu irmão, o ex-premiê Thaksin Shinawatra, que hoje vive no exílio após ser afastado do cargo sob acusação de corrupção.

Yingluck se recusa a deixar o governo e convocou eleições para tentar apaziguar os ânimos. Entenda a crise:

Como tudo começou?

Os protestos começaram em novembro depois que a Câmara Baixa do Parlamento tailandês aprovou uma polêmica lei de anistia, que poderia abrir caminho para o retorno ao país do ex-primeiro-ministro, Thaksin Shinawatra, irmão da atual governante.

Thaksin, uma das figuras mais polarizadoras da política tailandesa, foi derrubado em um golpe militar em 2006 e hoje vive em exílio autoimposto após sua condenação por corrupção - mas mantém sua popularidade entre muitos eleitores rurais.

A lei foi apresentada pelo partido dos Shinawatra e acabou sendo rejeitada pelo Senado. Ainda assim, as manifestações continuaram.

Quem são os manifestantes?

Os manifestantes acusam Thaksin de controlar o governo da irmã. Os protestos são liderados pelo ex-deputado Suthep Thaugsuban, que chegou a renunciar ao cargo pelo Partido Democrata apenas para estar à frente das manifestações.

A maior parte dos manifestantes é oriunda das classes médias urbanas. Cerca de 100 mil dos chamados "camisas amarelas" participaram do protesto de 30 de novembro.

Os protestos seguiam pacíficos até um confronto, naquele dia, com partidários do governo, os chamados "camisas vermelhas". Desde então, oito pessoas já morreram.

Houve uma pausa nos protestos para comemorar os 86 anos do rei Bhumibol Adulyadej, mas os manifestantes rapidamente voltaram às ruas.

O que os manifestantes querem?

Suthep e os oposicionistas dizem que querem acabar com a "máquina política dos Thaksin" e instalar um conselho popular não eleito para fazer a transição política do país.

Os manifestantes argumentam que o governo compra votos, ameaçando a democracia tailandesa.

O partido dos Thaksin, no entanto, venceu as quatro últimas eleições, com forte apoio da população rural.

O que esperar?

No dia 8 de dezembro, todos os parlamentares da oposição renunciaram e anunciaram que a manifestação seguiria no dia seguinte à frente da Casa do Governo, a sede do gabinete da primeira-ministra.

Em resposta, Yingluck convocou eleições para 2 de fevereiro. O seu partido, o Pheu, tem grande adesão no interior e grande probabilidade de vencer o pleito.

O Partido Democrata, da oposição, já avisou que boicotará as eleições, e os manifestantes tentam impedir o registro dos eleitores.

Eles também tentam ocupar e fechar partes de Bangcoc, uma estratégia que já vem sendo implementada pela oposição.

No ultimo dia 8 de janeiro, o órgão anticorrupção da Tailândia disse que iria indiciar 300 políticos, a maioria governistas, por tentar mudar a Constituição e abrir caminho para a eleição de todos os senadores – hoje, vários são nomeados.

Essa medida resultaria no banimento de boa parte dos atuais parlamentares.

Qual o impacto dos protestos?

Yingluck alertou que as manifestações podem tem forte impacto na economia do país.

Em 2008 e 2010, outras ondas de protestos atingiram em cheio o setor de turismo, importante fonte de renda no país.

Vários países já emitiram alertas as turistas em viagem à Tailândia.