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Reações opostas à morte de Sharon refletem seu legado controverso

Atualizado em  11 de janeiro, 2014 - 22:57 (Brasília) 00:57 GMT

Enquanto israelenses elogiavam legado de Sharon, palestinos foram às ruas celebrar sua morte

A morte do ex-premiê israelense Ariel Sharon, neste sábado, provocou os mais diversos tipos de reações vindas de várias partes do mundo.

Enquanto líderes em Israel elogiavam sua trajetória militar e política, palestinos celebravam na Faixa de Gaza.

Sharon estava em coma há oito anos e morreu aos 85 anos no centro médico de Sheba, nos arredores de Tel Aviv.

Clique A trajetória de Sharon, o 'trator' da política israelense

As reações extremas sobre sua morte são reflexo de como foi controverso seu legado. Veja algumas delas:

Israel

O presidente Shimon Peres fez um tributo a Sharon, seu rival político e também parceiro no governo de união em 2001. Ele disse que Sharon era um amigo querido, que “não conhecia o medo” e foi um dos arquitetos do seu país.

“Ele foi um homem fora de série e um comandante excepcional, que amava seu povo e o povo o amava.”

Já o premiê Benjamin Netanyahu disse que “a memória de Sharon vai permanecer para sempre no coração da nação”, enquanto o ex-premiê Ehud Olmerto disse que ele era uma pessoa inteligente e realista.

Tzipi Livni, que fundou o partido Kadima juntamente com Sharon, o descreveu como “o pai da nação”.

Territórios palestinos

Foram vistos pouco sinais de luto por Sharon tanto na Cisjordânia como na Faixa de Gaza. O que se via era a situação oposta, como muita festa e celebração.

Nas ruas de Khan Younis, em Gaza, foram distribuídos doces, enquanto pôsteres com a foto de Sharon eram queimados nas ruas.

“Não estamos dizendo ‘já vai tarde’, mas eu acho que ele não deixou nada de positivo”, disse Hanan Ashawi, que integra do Conselho Legislativo Palestino.

Segundo ela, seu legado está cheio de violência, derramamento de sangue e crueldade.

O ex-ministro Ghassan Kahtib disse que “em toda sua história, Sharon teve um papel negativo”, enquanto o um dos líderes do Fatah, Jibril Rajoub, o classificou como um criminoso que os palestinos gostariam de ter sido julgado como criminoso de guerra.

Khalil al-Haya, do grupo islâmico Hamas (que controla Gaza), disse que Sharon estava indo para o mesmo local que “outros tiranos e criminosos cujas as mãos estavam cobertas de sangue palestino”.

Redes de notícias árabes como a Al Jazeera e a Al Arabiya fizeram uma cobertura sobre sua morte.

Europa

O premiê britânico, David Cameron, fez um tributo às “decisões corajosas e controversas” que Sharon tomou para tentar alcançar a paz, o descrevendo como uma das mais importantes figuras da história israelense.

Na mesma linha, o presidente da França, François Holland, disse que após uma longa carreira política e militar, “ele decidiu optar pelo diálogo com os palestinos”.

A chanceler alemã, Angela Merkel, disse estar em luto com o povo israelense, enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, disse que o ex-líder israelense foi um grande amigo de seu país e elogiou suas ações para proteger Israel e seus interesses.

Nações Unidas

O secretário-geral Ban Ki-moon disse que Sharon foi um “herói para seu povo” e pediu que Israel se inspirasse em seu no legado pragmático para promover a paz com os palestinos.

Outras reações

A organização de direitos humanos Human Rights Watch disse que Ariel Sharon morreu sem ter de enfrentar a justiça pelo massacre nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Shatila.

Uma comissão israelense o considerou pessoalmente culpado por não impedir a morte de milhares de palestinos.

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