Com robô na lua, China reafirma papel geopolítico na terra

  • 14 dezembro 2013
Superfície lunar. AP
A China divulgou imagens da lua, captadas 37 anos após a última missão no satélite

A China anunciou ao mundo que pousou uma sonda não tripulada na lua, 37 anos depois da última missão chegar ao satélite. Apesar de conseguir o feito nas alturas, o objetivo chinês é reafirmar seu papel geopolítico na terra, apontam especialistas.

A televisão estatal já difundiu as primeiras imagens feitas pelo robô Yutu, que significa coelho de jade. A sonda aterrisou em uma região da lua chamada baía do Arcoíris.

Segundo os astrônomos chineses, a missão tem como objetivo experimentar novas tecnologias e coletar dados científicos.

“O programa nuclear chinês é um importante componente dos esforços da humanidade para explorar o espaço de forma pacífica”, disse o engenheiro espacial Sun Huixian, do programa chinês.

Mas para analistas políticos, a missão chinesa também tem como objetivo reafirmar o papel da China como potência emergente no mundo.

Em 1968, os Estados Unidos surpreenderam o mundo enviando o primeiro homem à lua. Na ocasião, os americanos rivalizavam com os soviéticos na chamada corrida espacial. A viagem teve um grande peso simbólico durante a Guerra Fria.

Poder

Robô Yutu
Imagen mostra simulação do robô Yutu na lua; só EUA e União Soviética tinham ido tão longe

Para Dean Cheng, pesquisador da Heritage Foundation, um centro de estudos em Washington, nos Estados Unidos, o programa aeroespacial da China é uma mostra aos próprios chineses de que eles estão capacitados para empreender todo tipo de projeto, inclusive no espaço.

Cheng disse ainda, em entrevista à BBC, que a missão chinesa “reflete a capacidade científica e tecnológica do país e ajuda a diplomacia, fazendo com que (o país) pareça mais forte”.

“A China está dizendo: ‘ Estamos fazendo algo que apenas dois países fizeram antes, os Estados Unidos e a União Soviética”, disse.

Chneg disse ainda que o país pode ganhar com a missão ao se vender como uma plataforma para lançamentos espaciais para fins comerciais. A tecnologia empregada no projeto também pode ter uso militar.

“O robô deve ficar sob controle da terra em várias manobras no solo lunar”, disse.

Segundo Cheng, com essa tecnologia a China “pode fazer viligância espacial e ficar de olho nos ‘ativos espaciais’ dos chineses e de outras nações”.

Liderança

China na lua. AFP
O sucesso da missão foi televisionado e comemorado na China, que planeja voos mais altos

Para Joan Johnson-Freese, do US Naval War College, “a China quer ir para a lua por razões estratégicas e por legitimidade doméstica”.

“Com a exploração dos Estados Unidos em um estágio moribundo, para dizer o melhor, isso abre uma janela para a China ser vista como um líder global em tecnologia”, disse.

A sonda chinesa deve operar na lua por um ano. Depois disso, uma nova missão para trazer amostras do solo lunar está prevista para 2017. E isso pode definir o cenário das novas missões espaciais. Há quem já pense em mandar novamente o homem à lua, a partir de 2020.