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Empresas fecham as portas com medo da violência no México

Atualizado em  22 de novembro, 2013 - 13:04 (Brasília) 15:04 GMT
Policiais mexicanos. Foto: Jesús Alcazar / AFP - Getty Images

Estima-se que a violência cause no México um prejuízo equivalente a 0,75% do PIB

Em plena luz do dia, dois jovens armados entraram em uma loja do bairro de Iztapalapa, na Cidade do México, e apontaram uma arma para a filha de quatro anos de idade do dono para obrigá-lo a entregar o dinheiro.

Poucos segundos depois, os ladrões saíram tranquilamente com milhares de pesos mexicanos no bolso.

O comerciante já havia sido vítima de roubos, mas nunca com tanta violência, disse à BBC o empresário Pedro Salcedo García, presidente da Associação Latino-Americana de Micro, Pequenas e Médias empresas (Alampyme).

García, que conhece os detalhes do caso porque a vítima é um vizinho da família, diz não acreditar que o dono volte a abrir o seu negócio. "O proprietário decidiu que não arriscará novamente a sua família."

Histórias como estas se multiplicam pelo país. Segundo o Instituto Nacional de Estatísticas oficial (Inegi), nos últimos três anos e meio pelo menos 40 mil pequenas e médias empresas fecharam suas portas devido à insegurança.

Muitas não conseguem arcar com as extorsões. Outras não sobreviveram aos roubos frequentes.

As autoridades reconhecem a seriedade do problema e afirmam que estão buscando soluções.

"Sabemos que a competitividade e a produtividade do país é afetada pela insegurança e por isso estamos trabalhando em um programa nacional de prevenção", disse um diretor da Secretaria de Governo mexicana, Xiuh Guillermo Tenorio.

Alto custo

"Sabemos que a competitividade e a produtividade do país é afetada pela insegurança e por isso estamos trabalhando em um programa nacional de prevenção."

Xiuh Guillermo Tenorio, diretor de Participação Cidadã da Secretaria de Governo do México

Segundo o instituto de estatísticas, no ano passado - ano mais recente com dados disponíveis -, o custo da insegurança para o setor privado alcançou US$ 8,8 bilhões, o equivalente a 0,75% do Produto Interno Bruto (PIB).

Quase 38% de um total de 3,7 milhões de companhias mexicanas sofreram pelo menos um delito, ainda de acordo com os números do Inegi.

O diretor da associação latino-americana de micro e pequenos empresários diz que os crimes mais comuns são as extorsões mediante ameaça de morte - conhecidas no México como derecho de piso, uma espécie de "pedágio" cobrado pelos criminosos às empresas para permitir que elas operem.

A maioria dos casos ocorre em Estados onde a guerra contra o narcotráfico se desenrola com violência, como Tamaulipas, Michoacán, Chihuahua, Coahuila e Veracruz.

Mas recentemente tem havido denúncias de extorsões também no Estado de México e no Distrito Federal, onde antes os cartéis não operavam abertamente.

"Muita gente que trabalha em mercados públicos, lojas e pequenos empresários já foram atacados pela máfia", diz García. "Ou você paga ou fecha, porque não faz sentido arriscar a vida ou trabalhar para os outros (levarem os ganhos)".

O líder da União Nacional de Empresários de Farmácias do México, Oscar Zavala Martínez, diz que neste ano 3,6 mil farmácias em todo o país já fecharam as suas portas por causa da violência.

'La Tuta'

Soldados mexicanos (Reuters)

Em Michoacán, microempresários são afetados com violência

No estado de Michoacán, as disputas entre os cartéis de Jalisco Nueva Generación, Los Caballeros Templarios e grupos de autodefesa já causaram sérios prejuízos econômicos.

Há alguns anos os Templarios, liderados pelo professor Servando Goméz Martínez, conhecido com "La Tuta", são acusados de impedir as colheitas de limão e abacate, os dois principais produtos do Estado.

Também controlam a distribuição de alimentos, água combustíveis e produtos agrícolas em regiões dominadas por seus adversários, segundo acusou em uma carta aberta o bispo de Apatzingán, Miguel Patiño Velázquez.

O cartel cobra pedágio de praticamente todos os negócios dos municípios do Estado e supostamente nos Estados vizinhos, reconhecem autoridades locais e organizações empresariais.

Além disso, controla muitas atividades na cidade de Lázaro Cárdenas, o terceiro porto marítimo mais importante de país, de acordo com José Antonio Ortega Sánchez, presidente da organização Conselho Cidadão para a Segurança Pública e Justiça Penal.

"Quem manda em Lázaro Cárdenas é La Tuta: é ele que diz quem entra e sai, que pratica extorsões contra empresários de minérios de ferro, que cobra o 'derecho de piso' por cada barco que sai para a China ou para qualquer outro destino estrangeiro", diz.

Luz no fim do túnel

Apesar da violência que afeta os pequenos negócios em Michoacán e em outros Estados, outros empresários e o governo mexicano acreditam que é possível reverter a situação.

Além disso, uma pesquisa da Câmara Americana de Comércio sobre segurança empresarial indicou que a maioria dos entrevistados considera sua empresa igualmente ou mais segura que antes.

O levantamente indica que, para adaptar-se à realidade mexicana, as empresas conduzem análises de risco e esquemas de proteção.

Mas 70% delas não consideram necessário mudar sua infraestrutura por conta da delinquência.

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