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'Alívio' e mercados em alta após discurso de indicada ao Fed

Atualizado em  14 de novembro, 2013 - 19:12 (Brasília) 21:12 GMT
Janet L. Yellen (Reuters)

Janet L. Yellen será a primeira mulher a liderar o Fed; seu mandato é de quatro anos

A indicada do presidente Barack Obama para presidir o Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, acenou com a continuidade nesta quinta-feira, enfatizando que a autoridade monetária deve "apoiar a recuperação (dos EUA)" antes de começar a retirar os estímulos à economia.

As palavras tiveram como efeito mercados em alta e analistas descrevendo um alívio para o resto da economia mundial, que terá mais tempo de crescer antes que os EUA comecem a apertar a sua política monetária.

Janet L. Yellen disse que a economia americana "fez bom progresso" desde o pico da crise financeira, mas que o desemprego continua alto – 7,3% em outubro – e a inflação permanece abaixo da meta de 2% ao ano.

"Por estas razões, o Federal Reserve está usando sua política monetária para promover uma recuperação mais robusta", disse Yellen, durante depoimento que precede sua confirmação no Senado.

"Acredito que apoiar a recuperação é hoje o caminho mais certo para uma abordagem normal da política monetária."

Política monetária 'acomodativa'

Trocando em miúdos, a indicada para o Fed confirmou que não tem intenção de desmontar ainda o programa de compra de títulos de US$ 85 bilhões mensais destinado a aumentar a liquidez do mercado e manter as taxas de juros em níveis baixos.

Isso quer dizer que os mercados emergentes também terão mais tempo para se adaptar a um cenário, já esperado, em que a autoridade monetária comece a retirar gradativamente o estímulo econômico.

No início deste ano, a possibilidade de que o Fed começasse a retirar os estímulos levou a saídas de capitais dos países emergentes e a flutuações nas taxas de câmbio.

Especificamente, Ben Bernanke havia anunciado que o banco central manterá suas taxas de juro zeradas até o desemprego baixar para 6,5% da população economicamente ativa.

Nas previsões do Fundo Monetário Internacional (FMI), essa resolução implica que a compra de títulos só comece a ser reduzida ao longo do ano que vem, enquanto os juros permanecerão próximo de zero até 2016.

"Acredito que apoiar a recuperação é hoje o caminho mais certo para uma abordagem normal da política monetária."

Janet L. Yellen, indicada para presidir o Fed

"Como esperado, Janet Yellen se mostrou uma defensora de uma política monetária acomodativa, e soou claramente como Ben Bernanke (o atual presidente da instituição) nos temas atuais", disse em uma avaliação para clientes do economista chefe para EUA da corretora Jefferies, Ward McCarthy.

"Ao longo de sua carreira, ela sempre foi pragmática, o que significa que continuará comprometida com a promoção do crescimento no atual ambiente econômico."

À agência Reuters, o diretor de mercado de ações da corretora RBC Global Asset Management, Ryan Larson, disse que o mercado "suspirou em alívio" com o depoimento de Yellen.

"Está ficando bem claro que Yellen continuará a manter uma posição de acomodação por algum tempo", afirmou o analista.

Rédeas do Fed

Yellen será a primeira mulher a liderar o Fed quando substituir Bernanke, em janeiro do ano que vem. O mandato é de quatro anos.

A indicação precisa de 60 votos para passar no Senado – que ela deve obter, apesar das críticas de alguns parlamentares acharem que a economista é demasiado permissiva com a inflação.

A autoridade monetária americana tem como princípios não somente manter a inflação sob controle, mas também apoiar o mercado de trabalho. Por isso, nenhum senador questionou para valer a determinação de Yellen de continuar apoiando a economia americana.

A imprensa americana considerou que a economista "passou tranquilamente" – expressão da CNN – pela sabatina do Senado, em que foi questionada sobre temas tão diversos quanto o preço do ouro, a regulação dos grandes bancos e a volatilidade no mercado financeiro.

O jornal The New York Times observou que os congressistas pareceram considerar a aprovação de Yellen como um "desfecho inevitável".

Para o resto do mundo, em especial para os países emergentes, o efeito será o adiamento de um aperto monetário que poderia trazer volatilidade financeira.

Em um artigo à época da indicação de Yellen, a agência Bloomberg avaliou que a escolha da economista daria "tempo aos países emergentes para evitar os efeitos" da redução dos estímulos.

O teor do depoimento dela ao Senado americano elevou os ganhos do mercado, que fechou em alta na Europa e nas Américas. Nos EUA, os índices Dow Jones e S&P 500 atingiram recordes na chamada negociação intraday. No Brasil, o Ibovespa avançou 2,34% (para 53.451 pontos) e no México o ganho foi de 1,35%.

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