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Agenda das manifestações de junho ainda pede resposta, afirma Eduardo Campos

Atualizado em  7 de novembro, 2013 - 16:54 (Brasília) 18:54 GMT
Eduardo Campos (Ag. Brasil)

Campos está na Europa para encontro com empresários e investidores

Na Europa para promover oportunidades de investimentos em Pernambuco, o governador do Estado e pré-candidato à Presidência pelo PSB, Eduardo Campos, afirmou nesta quinta-feira que as respostas às pautas levantadas pelas grandes manifestações públicas de junho "ainda estão por ser dadas".

Após comentar que os episódios de violência nos protestos após junho podem ter inibido as multidões que tomaram inicialmente as ruas do país, Campos disse que "os problemas que levaram aquelas multidões à rua naquele primeiro momento ainda estão carecendo de respostas".

"As pessoas não estão mais nas ruas porque não querem ser confundidas com nenhum tipo de violência ou intolerância, mas aquela pauta está valendo ainda", disse.

Para Campos, os protestos inicialmente provocaram alguns resultados, como a desoneração do transporte público ou a aceleração das votações no Congresso. Mas ainda faltam respostas a algumas das questões principais levantadas pelas manifestações.

"A pauta da educação não se resolve em um governo. E na questão da saúde, quanto tempo o (presidente americano Barack) Obama está discutindo com o Congresso, nos Estados Unidos, por exemplo? As respostas mais complicadas ainda estão por ser dadas", afirmou.

As declarações do governador pernambucano foram dadas nesta quinta-feira durante entrevista a jornalistas brasileiros em Londres, após um seminário com a presença de empresários britânicos e membros do governo local para promover oportunidades de investimento no Estado do nordeste brasileiro.

Aliança com Marina

Durante o seminário, Campos não citou abertamente sua candidatura à Presidência, mas aproveitou para defender seu modelo de gestão à frente do governo pernambucano, lembrou a aliança recente com a ex-senadora Marina Silva e afirmou que o Brasil tem duas décadas pela frente para aproveitar a "janela demográfica" favorável e definir seu futuro.

"As pessoas não estão mais nas ruas porque não querem ser confundidas com nenhum tipo de violência ou intolerância, mas aquela pauta está valendo ainda"

Eduardo Campos, governador de Pernambuco

No início da semana, o governador já havia participado de evento semelhante na Alemanha. A agenda incluiu também visitas a empresas que estudam possíveis investimentos no Estado.

Campos negou que a visita seja parte de uma estratégia para ganhar respaldo internacional à sua candidatura e disse que os seminários já vinham sendo discutidos há tempos e são consequência da abertura, há dois anos, de consulados britânico e alemão em Recife, capital pernambucana.

Segundo o governador, sua posição nos encontros com empresários e investidores não foi de crítica à situação brasileira atual, mas de "agir de maneira verdadeira e equilibrada".

"Nem as coisas estavam tão boas antes como disseram em algum momento nem estão tão ruins como alguns dizem que está agora", afirmou. "Não se esconde o problema, mas também não se dimensiona o problema como interessa a alguns", disse.

Segundo ele, "nenhuma força política no Brasil tem condições de destruir o que foi construído", como a democratização, a estabilização monetária e a inclusão social, "porque há um desejo da sociedade de preservar essas conquistas".

Para Campos, as manifestações populares de junho são uma demonstração disso. "Elas são diferentes da primavera árabe, diferentes das manifestações na Grécia, na Espanha, porque lá as pessoas estão nas ruas porque perderam direitos. Ninguém está na rua no Brasil porque perdeu democracia, mas querem aperfeiçoar a democracia que o país construiu", afirmou.

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