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Espionagem dos EUA pode prejudicar combate ao terrorismo, diz UE

Atualizado em  25 de outubro, 2013 - 07:59 (Brasília) 09:59 GMT
François Hollande, Angela Merkel e David Cameron em Bruxelas. Foto: Reuters

François Hollande e Angela Merkel querem abrir negociação com os EUA

Líderes da União Europeia divulgaram um comunicado nesta sexta-feira dizendo que a desconfiança sobre o esquema de espionagem dos Estados Unidos poderá prejudicar os esforços mundiais no combate ao terrorismo.

No entanto, as nações europeias ressaltam no comunicado que dão valor à "relação próxima" que possuem com os Estados Unidos.

O assunto acabou dominando uma cúpula de chefes de Estado do bloco europeu em Bruxelas nesta semana, depois que as imprensas da Alemanha e da França revelaram novas denúncias de espionagem americana.

A Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) teria monitorado ligações telefônicas da chanceler alemã Angela Merkel. teria tido suas ligações telefônicas monitoradas. Na França, a agência teria monitorado milhões de telefonemas de diversos cidadãos.

Agora, a França e a Alemanha estão fazendo pressão por um "entendimento" com os Estados Unidos até o final do ano.

Na quinta-feira, surgiram novas denúncias no jornal britânico The Guardian de que a NSA teria monitorado os telefonemas de 35 líderes globais.

No início de setembro, revelações de que a NSA teria monitorado telefonemas da presidente do Brasil, Dilma Rousseff, causaram indignação no país.

Dilma aproveitou seu discurso na Assembleia Geral da ONU no dia 24 de setembro para fazer duras críticas à espionagem americana e propor que as Nações Unidas estabelecessem um novo "marco civil multilateral para a governança e o uso da internet".

'Sementes da desconfiança'

Ao final da cúpula da UE, Merkel disse que Europa e Estados Unidos enfrentam "desafios comuns" e que "não pode haver espionagem entre amigos".

Ela afirmou que "as sementes da desconfiança foram plantadas" e que isso dificulta a cooperação no setor de inteligência.

"Ficou claro que algo precisa mudar para o futuro, e de forma significativa", disse a chanceler.

"Nós vamos colocar todos os nossos esforços para forjar um entendimento mútuo até o final do ano para cooperação das agências de inteligência da Alemanha e dos Estados Unidos, e da França dos Estados Unidos, para criar uma estrutura de cooperação."

O comunicado dos chefes de Estado europeus diz que as revelações causaram "profundas preocupações" entre os cidadãos europeus e que "uma falta de confiança pode prejudicar a cooperação necessária no campo da coleta de inteligência."

O editor para Europa da BBC Gavin Hewitt disse que os governos alemão e francês querem um novo pacto com os Estados Unidos que estabeleça, em sua essência, a "não espionagem" entre as partes.

Para Hewitt, o entendimento poderia seguir os moldes de um acordo feito entre os Estados Unidos e Grã-Bretanha, Nova Zelândia e Canadá após a Segunda Guerra, uma operação de inteligência conhecida como Five Eyes (Cinco Olhos, em tradução livre).

O porta-voz da Casa Branca Jay Carney disse que o presidente Barack Obama deu garantias a Merkel pelo telefone de que ela não estava sendo monitorada agora e que não seria no futuro.

Essa declaração, entretanto, acabou dando crédito às alegações de que telefonemas da chanceler alemã foram monitorados no passado.

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