Eleição legislativa pode mudar cenário político na Argentina

  • 25 outubro 2013
Martín Insaurralde e Sergio Massa (Reuters)
Martín Insaurralde e Sergio Massa estão na frente na disputa por Buenos Aires

Os candidatos a a deputado federal Martín Insaurralde, e Sergio Massa estão na frente na disputa por Buenos Aires Após uma campanha eleitoral fria, a eleição legislativa deste domingo para renovar metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado pode mudar o cenário político na Argentina, segundo analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Atualmente, o governo conta com a maioria dos votos na Câmara e no Senado e não teve problemas para aprovar seus projetos econômicos ou sociais. Mas a expectativa agora, segundo diferentes pesquisas de opinião, é a de que o governo seja derrotado nos principais distritos eleitorais do país, como a província de Buenos Aires, considerada decisiva.

"Nestes últimos tempos, surgiram novos atores políticos. E o governo pode perder a maioria no Senado", disse a analista Mariel Fornoni, da consultoria Management & Fit.

O analista Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nova Maioria, acredita que o governo deverá perder cadeiras nas duas casas, mas, com os votos dos aliados, deverá manter maioria apertada no Congresso. O atual mandato da presidente Cristina Kirchner, reeleita em 2011, termina em 2015.

"O resultado não deverá ser muito diferente daquele que já vimos nas primárias realizadas em agosto, quando o governo perdeu em quase todo o País e encolheu em lugares onde antes tinha mais de 80% dos votos", afirmou Fornoni. "Na Argentina, perder em Buenos Aires é perder em termos nacionais, porque ela é decisiva", afirmou Fraga.

Nas primárias, chamadas de PASO (Primárias Abertas, Simultâneas e Obrigatórias), a lista de candidatos a deputado federal pela província de Buenos Aires foi liderada pelo candidato Sergio Massa, da Frente Renovador, que recebeu 35% dos votos. Naquele pleito, o candidato da presidente Cristina Kirchner, Martín Insaurralde, da Frente para a Vitória, recebeu 30% da votação.

As últimas pesquisas de opinião indicam que Massa receberia cerca de 37,9% e Insaurralde 31,2% dos votos neste domingo, de acordo com a Management & Fit. No levantamento realizado pela consultoria Poliarquia, na província de Buenos Aires, Massa teria 39,8% da votação e o candidato do governo receberia 32,3%.

De acordo com um comentarista da emissora de televisão CN23, o kirchnerismo pode perder nas grandes cidades, mas com a oposição fragmentada.

Para os especialistas, os resultados da PASO indicaram que a presidente Cristina não contaria com apoio suficiente para buscar a reforma constitucional e assim tentar o terceiro mandato consecutivo. Quando questionada pela imprensa local se o resultado das PASO mudava os planos de "Cristina eterna", como defendera, a deputada governista Diana Conti, afirmou: "Sim, agora queremos políticas eternas."

Cirurgia

Cristina Kirchner (Reuters)
Após cirurgia, Cristina ficou afastada das eleições

A campanha eleitoral foi marcada pela falta de comícios ou de carreatas e com forte presença dos candidatos nas redes sociais. Além disso, nos últimos dias, desde a operação da presidente para a retirada de um hematoma do cérebro, a disputa foi marcada por sua ausência.

"Cristina estava no centro das atenções da campanha. E com sua doença, a oposição não se animou a criticá-la", disse Fornoni. Para Fraga, a doença "favoreceu" a imagem da presidente e do governo, mas outros dois fatos pesaram contra:

"A presença do vice-presidente Amado Boudou, o acidente de trem, no dia 19 de outubro, e a atitude do legislador governinista Juan Cabandié prejudicaram", disse o analista.

Cabandié é vereador e filho de desaparecidos políticos e foi flagrado gritando com uma agente de trânsito, argumentando ser vítima da ditadura e criticando as normas de trânsito. A imagem foi publicada nas redes sociais.

O analista econômico Dante Sica, da consultoria Abeceb, disse que os empresários já começam a se interessar pelas propostas dos outros candidatos, pensando nas eleições presidenciais de 2015.

"Muitos querem saber mais sobre Massa e o que ele pensa em termos econômicos", disse.

Ex-chefe de gabinete do kirchnerismo, ele tem dito que pretende combater falta de segurança pública e a inflação, cujos dados oficiais na Argentina são questionados pela oposição e pelo FMI.

Massa, o governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, o governador de Entre Ríos, Sergio Urribarri, o prefeito da cidade de Buenos Aires, Mauricio Macri, estão entre os políticos citados pelos analistas como possíveis presidenciáveis.

"Uma coisa está clara. Os argentinos querem alguém que não tenha o estilo de confronto do kirchnerismo", afirmou o analista Sergio Berensztein, da Poliarquia.

Notícias relacionadas