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'Calote dos EUA seria desastre para países em desenvolvimento', diz Banco Mundial

Atualizado em  13 de outubro, 2013 - 07:59 (Brasília) 10:59 GMT
O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim - Foto: Reuters

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, na reunião do Banco Mundial

O presidente do Banco Mundial, Jim Yong Kim, afirmou que um calote dos Estados Unidos pode significar um "desastre" para os países emergentes, em especial, com subsequente impacto nas economias desenvolvidas.

Kim lembrou que os Estados Unidos estão apenas "a (poucos) dias de um momento muito perigoso" por conta da crise de endividamento do governo.

O presidente do Banco Mundial exigiu que os políticos dos EUA cheguem a um acordo para elevar o teto da dívida do governo antes do prazo final, quinta-feira.

A presidente do FMI, Christine Lagarde, também afirmou que um calote dos Estados Unidos pode levar o mundo para uma recessão.

Em uma entrevista ao canal de televisão americano ABC, Lagarde afirmou que os Estados Unidos precisam elevar o teto da dívida antes do fim do prazo.

"Se houver aquele grau de interrupção, aquela falta de certeza, aquela falta de confiança na assinatura dos Estados Unidos, vai significar uma grande interrupção no mundo todo e teremos o risco de inclinar o mundo novamente para a recessão", disse.

O Tesouro dos EUA ficará sem caixa se não houver um acordo para que tome recursos emprestados no mercado financeiro - o que os republicanos, de oposição ao democrata Barack Obama, vem barrando desde maio.

'Evento desastroso'

Kim advertiu que o calote seria um "evento desastroso" para o mundo.

"Quanto mais nos aproximamos do fim do prazo, maior é o impacto para o mundo em desenvolvimento."

"A inércia pode resultar em alta nas taxas de juros, queda na confiança e desaceleração do crescimento", disse Kim, falando no encontro anual do Banco Mundial, em Washington.

Christine Lagarde (AFP)

Christine Lagarde também alertou para risco de recessão mundial em caso de calote dos EUA

"Se isso vier a acontecer, poderá ser um evento desastroso para o mundo em desenvolvimento e isso vai ferir seriamente as economias desenvolvidas", acrescentou.

Republicanos e democratas não conseguiram chegar a um acordo sobre a extensão do limite da dívida no sábado, mas o objetivo é encerrar o assunto antes da reabertura dos mercados, na segunda-feira.

O governo dos EUA está em paralisação parcial desde que o Congresso perdeu o prazo, 1º de outubro, para passar o orçamento.

Isso resultou em centenas de milhares de funcionários públicos federais parados em casa, e em escritórios do governo fechados.

Crescimento menor

Republicanos se recusam a aprovar o novo orçamento, a menos que o presidente Barack Obama concorde em adiar ou eliminar o financiamento à Saúde previsto na lei de reforma do setor, uma promessa de campanha do democrata, aprovada em 2010.

Secretário do Tesouro dos EUA, Jack Lew, estimou que a cada semana sem o orçamento novo, o país deixa de crescer 0,25%, em um ano para o qual se prevê uma economia em marcha lenta.

O limite da dívida atual, de $ 16,699 trilhões, foi alcançado em maio.

Desde então, o Tesouro dos EUA tem usado recursos extraordinários para pagar as contas, mas o dinheiro se esgota em 17 de outubro.

Toda semana, o Tesouro também tem que refinanciar US$ 100 bilhões da dívida sob a forma de títulos do governo dos EUA, os chamados Treasure bonds.

'Não queria saber'

Os Estados Undos pagam, ainda, juros sobre a sua enorme dívida.

A incapacidade de pagar tanto o principal de seus títulos que vencem como os juros dos bonds que estão em posse de investidores colocaria os EUA em situação de calote, ou default, no jargão do mercado financeiro.

No sábado, Jamie Dimon, presidente do banco americano JP Morgan, disse que não queria nem pensar nas possíveis repercussões de um calote americano.

"Não queria saber", disse ele.

"Seria chacoalhar a economia mundial de uma forma que você não poderia compreender".

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