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Para Coutinho, alta de juros não inibe investimentos

Atualizado em  10 de outubro, 2013 - 18:41 (Brasília) 21:41 GMT
Luciano Coutinho (Agencia Brasil)

Para Luciano Coutinho, decisão do BC não foi uma surpresa

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, defendeu nesta quinta-feira que a elevação dos juros não inibirá os investimentos na economia brasileira.

Em entrevista em Washington, após um evento ligado às reuniões semestrais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, Coutinho disse que tal elevação trará mais estabilidade e confiança para a economia brasileira, o que seria necessário para aumentar o nível dos investimentos.

"Quando se cria confiança na estabilidade, a confiança privada se fortalece e o investimento depende da confiança no futuro", disse o presidente do BNDES.

Nesta quarta-feira, o Banco Central (BC) aumentou a taxa de juros básica da economia - a Selic - em 0,5 ponto percentual, para 9,5%.

Um dia antes, um relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI) havia elogiado a decisão do país de aumentar a Selic para combater a alta de preços e lidar com saídas de capitais em antecipação ao fim dos estímulos monetários nos EUA.

Para alguns analistas, porém, o país precisa tomar cuidado para que o aperto não pressione ainda mais seus níveis de investimento, que hoje estão abaixo dos 20% do PIB. Segundo algumas estimativas, tal índice precisaria subir para 22% para a economia voltar a crescer de forma vigorosa.

Essa foi a quinta alta da Selic desde maio, quando o BC interrompeu sua política de corte de juros pressionado pela aceleração da inflação.

Até então, o presidente do BNDES era uma das vozes no governo que defendia uma redução dos juros como parte de uma política para estimular o nível de investimentos na economia.

Para Coutinho, a decisão do Banco Central desta quarta-feira "não foi uma surpresa". "(Ela) faz parte da política do BC, que tem sido muito competente em conduzir o controle da inflação", afirmou.

Durante a entrevista em Washington, o presidente do BNDES também ressaltou o que, segundo ele, seriam efeitos positivos da recente valorização do real frente ao dólar.

"O Brasil tem uma indústria e um setor de serviços bastante diversificados e uma taxa de câmbio mais favorável às exportações vai ajudar a recuperar aquilo que nos últimos anos (o país) perdeu, que é mais capacidade exportadora", afirmou.

"(Além disso,) a taxa de câmbio um pouco mais favorável ajuda a reduzir gradativamente o déficit em conta corrente."

Vacas magras

O tom positivo também marcou as declarações do diretor de Assuntos Internacionais do BC, Luiz Awazu Pereira da Silva, feitas após um seminário sobre a preparação da America Latina "para tempos de vacas magras".

O título do evento foi uma referência às mudanças no cenário econômico global causadas pela decisão do Banco Central americano de reduzir suas políticas de estímulos monetários - entre elas uma desvalorização das moedas de países emergentes e a expectativa de uma redução do fluxo de investimentos externos para esses países.

Segundo Silva, o Brasil estaria "preparado para esse período de transição" e para resistir a mais volatilidade na economia mundial.

Ele destacou o nível das reservas brasileiras, o perfil da dívida pública no país e a "solidez de seu sistema financeiro".

"O Brasil se preparou para tempos de reversão dos sentimentos do mercado, através da manutenção dos seus fundamentos macroeconômicos (...), dos níveis de sua dívida, de uma inflação sob controle e também de um elemento importante que é a solidez do seu sistema financeiro", disse.

O diretor do BC também defendeu que hoje haveria um "excesso de pessimismo" nos mercados em relação às economias de países emergentes.

"Em relação a mercados emergentes em geral, houve talvez um pouquinho de excesso de otimismo (na última década), e agora estamos vivendo talvez um pouco de excesso de pessimismo", disse Silva.

"Acho que a verdade está mais no meio termo. As coisas possivelmente não eram tão exuberantes e agora são possivelmente mais normais."

*Colaborou Ruth Costas, da BBC Brasil em São Paulo

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