FMI mantém alta de 2,5% para PIB neste ano, mas reduz previsão para 2014

  • 8 outubro 2013
Moeda de um real de 2013. Foto: AFP
FMI fiz que economia do Brasil crescerá 2,5% tanto em 2013 como em 2014

O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve as previsões de crescimento da economia brasileira de 2,5% este ano e sugeriu que o país deve continuar combatendo a inflação com juros mais altos.

Em relatório divulgado nesta terça-feira, o FMI repetiu a previsão feita para o Brasil em um documento de julho. A expectativa do FMI é semelhante à do mercado brasileiro, que na segunda-feira aumentou a previsão de 2,4% para 2,47%, segundo o mais recente Boletim Focus do Banco Central.

Entretanto, devido à perspectiva de desaceleração global e condições mais difíceis nos mercados financeiros, o Fundo revisou para baixo, em 0,7 ponto percentual, as previsões para crescimento do Brasil e da América Latina para 2014.

Antes, o FMI previa que o PIB brasileiro iria crescer 3,2% no ano que vem. Agora, a expectativa é que a economia brasileira repita em 2014 os 2,5% de crescimento deste ano.

Com isso, o Brasil deve, de acordo com a projeção do fundo, ficar em último lugar entre os países emergentes no tocante ao crescimento da economia no ano que vem.

Inflação e juros

"A recente desvalorização da moeda (real) vai melhorar a competitividade externa (do Brasil) e parcialmente compensar o efeito negativo nos títulos do governo. Mas a inflação mais alta diminuiu a renda real e pode afetar o consumo", diz o documento do FMI.

"Onde pressões inflacionárias persistem (incluindo no Brasil), o aperto monetário continua recomendado."

A taxa de juros é o principal instrumento do Banco Central para controlar a alta dos preços na economia. Em abril, o governo brasileiro interrompeu uma política de redução de juros básicos, iniciada há dois anos.

A taxa Selic havia chegado a 7,25% – o patamar mais baixo desde 1997 –, mas já atingiu 9% – voltando ao nível de abril de 2012.

No entanto, em três meses neste ano (março, maio e junho) o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor-Amplo, usado oficialmente pelo governo para metas inflacionárias) acumulado em 12 meses já ficou acima do limite mais alto da meta do governo, de 6,5%.

O desempenho do Brasil é destacado como positivo na primeira metade deste ano. No segundo trimestre, o PIB brasileiro cresceu 1,5%. Mas, de acordo com o Fundo, esse cenário não deve se sustentar até o final do ano.

"No Brasil, o crescimento acompanhou os investimentos mais fortes, incluindo em estoques. No entanto, indicadores apontam para atividade mais moderada na segunda metade do ano", afirma o FMI.

México

A surpresa negativa na América Latina em 2013 foi o México.

A economia do país deve crescer 1,2% neste ano – menos da metade do índice previsto pelo FMI para o Brasil.

"A inesperada redução de crescimento do México está relacionada à diminuição dos gastos governamentais, declínio do setor de construção e demanda fraca nos Estados Unidos."

O relatório do FMI também sugere que há uma mudança nos "condutores da atividade global".

"A economia mundial entrou em outra fase de transição", diz o FMI.

"A China e países emergentes estão deixando para trás picos cíclicos. Seus índices de crescimento devem continuar muito acima dos níveis das economias avançadas, mas abaixo dos altos índices dos últimos anos."

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