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A um ano da eleição, veja os cenários para os presidenciáveis

Atualizado em  5 de outubro, 2013 - 19:08 (Brasília) 22:08 GMT
Marina Silva e Eduardo Campos

Decisão de Marina Silva em se filiar ao PSB de Eduardo Campos acirra disputa para 2014

A um ano da próxima eleição presidencial e no dia em que se encerrou o prazo para a criação ou mudança de partidos pelos candidatos, os contornos políticos para 2014 ganharam um elemento novo, que pode acirrar a disputa.

Com a decisão de filiar-se ao PSB após a Justiça negar o registro de sua Rede Sustentabilidade, a ex-ministra Marina Silva selou uma aliança inesperada com o presidente do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).

Com o apoio de Marina, Campos ganha um novo impulso para uma provável disputa contra a presidente Dilma Rousseff e o senador mineiro Aécio Neves (PSDB).

As movimentações dos prováveis candidatos já tiveram impacto em alianças partidárias nos Estados e na base do governo federal, que perdeu o PSB de Campos.

Veja como os principais presidenciáveis têm se preparado para a disputa e os maiores desafios que enfrentam.

Dilma Rousseff (PT)

Depois de ver sua popularidade despencar durante a recente onda de protestos pelo Brasil, a presidente tem recuperado parte das perdas e se reafirmado como provável favorita na eleição.

De acordo com a última pesquisa do Ibope, Dilma lidera a corrida com 35% das intenções de voto. Sua vantagem em relação à segunda colocada nas pesquisas, Marina Silva, que chegou a 8 pontos em julho, ampliou-se para 22 pontos.

Dilma pode enfrentar um novo obstáculo à reeleição com a aliança entre Marina e Campos

A aliança entre Marina e Campos pode se configurar como um obstáculo importante para os planos de reeleição da presidente.

Segundo analistas, Dilma vai precisar de um cenário sem imprevistos, como uma nova onda de protestos que volte a sacudir o país, a possibilidade de falhas graves na organização da Copa de 2014 ou escândalos no governo, para manter uma dianteira confortável até a eleição.

A presidente tem a seu favor a grande exposição do cargo e deve dedicar boa parte do resto de seu mandato a divulgar ações de seu governo voltados à educação ou à saúde. Um de seus focos principais deverá ser o programa Mais Médicos, que busca sanar falta de profissionais de saúde em periferias e no interior do Brasil.

Sua candidatura poderá se fortalecer ainda mais a partir do início da campanha, já que, por causa da ampla coalizão governista, ela terá mais tempo de propaganda na TV que qualquer rival.

Mas a movimentação de Marina em direção ao PSB pode aumentar as chances de um segundo turno e a possibilidade de que os demais candidatos se unam contra a presidente em um bloco opositor.

Eduardo Campos e Marina Silva (PSB e Rede Sustentabilidade)

O governador pernambucano Eduardo Campos – hoje com 4% das intenções de voto, segundo o Ibope – já era apontado nos últimos anos como uma importante novidade no cenário nacional e ganha um novo impulso com a adesão de Marina Silva a seu partido.

Marina carrega consigo a força de quem surgiu como segunda colocada na última pesquisa (16%)

Ao decidir se filiar ao PSB neste sábado, Marina se afastou dos planos de se candidatar à Presidência, mas conseguiu mesmo assim reforçar sua importância como um elemento crucial das eleições, mesmo depois de a Justiça eleitoral recusar a criação da Rede Sustentabilidade.

Apesar de não confirmar a possibilidade de ser vice em uma chapa liderada por Campos, a ex-ministra carrega consigo a força de quem surgiu como segunda colocada na última pesquisa (16%) e ainda sente os efeitos do bom desempenho na eleição de 2010, quando obteve 20 milhões de votos (quase 20% do total).

Resta saber, no entanto, como os eleitores de Marina reagirão à sua decisão de se aliar ao PSB, depois das críticas ao atual modelo partidário durante a campanha pela criação da Rede Sustentabilidade.

Além de cacife político, o apoio do grupo de Marina Silva pode dar a Campos mais tempo de propaganda eleitoral gratuita, embora nesse quesito PT e PSDB ainda levem vantagem. Para ampliar o tempo, há relatos de que o PSB também deve tentar se coligar com PDT, PTB e PPS.

Para pavimentar a candidatura de Campos, o PSB entregou nos últimos dias seus cargos no governo federal. A ruptura desagradou dois caciques pessebistas, os irmãos Ciro e Cid Gomes, que resolveram deixar o partido.

Por outro lado, a decisão abriu o caminho para que o PSB negociasse alianças com partidos da oposição em disputas estaduais. Há discussões para que o partido integre coligações rivais ao PT em 20 Estados, entre os quais São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul.

Campos também negociou um pacto de não agressão com Aécio e, a exemplo do mineiro, tem tentado conquistar o apoio de empresários. Mas o desafio do pernambucano agora é conciliar as novas alianças com o pacto pelas bandeiras de Marina, como um modelo de desenvolvimento menos predatório ao meio ambiente.

Aécio Neves (PSDB)

Terceiro na última pesquisa do Ibope, com 11%, o senador mineiro recebeu nos últimos dias uma notícia alentadora para suas intenções de disputar a Presidência. O também tucano José Serra, que ameaçava deixar a sigla para poder participar da disputa presidencial outra vez, anunciou que ficará no PSDB.

A saída de Serra poderia enfraquecer o apoio a Aécio, ao dividir eleitores tradicionais do PSDB. No entanto, segundo analistas, a permanência de Serra não põe fim à desunião do PSDB nem garante que o tucano paulista abrirá mão da disputa.

O senador mineiro Aécio Never está em terceiro na pesquisa mais recente, com 11% das intenções de voto

Há relatos de que, para ficar no PSDB, Serra teria exigido de Aécio que prévias definam o candidato do partido. Caso a votação no PSDB ocorresse hoje, Aécio – que recentemente se tornou presidente nacional do PSDB – seria o favorito.

Mesmo que se torne o candidato tucano, porém, não está claro se Aécio terá o apoio de Serra e do governador tucano Geraldo Alckmin em São Paulo, maior colégio eleitoral do país.

Enquanto a disputa interna tucana se desenrola, Aécio tem viajado pelo Brasil para tornar-se mais conhecido e costurar alianças para 2014. A julgar por suas falas mais recentes, sua campanha terá como base a defesa de um novo modelo econômico e o enxugamento da máquina pública.

Aécio tem criticado o baixo crescimento econômico no governo Dilma, que atribui ao esgotamento de um modelo que privilegiaria políticas “assistencialistas”, e defendido uma atitude mais amigável em relação a investidores. Com a postura, também busca o apoio de grandes empresários que estariam insatisfeitos com a presidente por julgá-la inflexível em negociações com o setor.

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