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PIB no 3º trimestre será melhor que previsões e inflação está sob controle, diz Tombini

Atualizado em  3 de outubro, 2013 - 12:22 (Brasília) 15:22 GMT
Alexandre Tombini; Foto: Agência Brasil

Alexandre Tombini falou a investidores em Londres sobre os rumos da economia brasileira

O presidente do Banco Central do Brasil, Alexandre Tombini, disse nesta quinta-feira em Londres que o terceiro trimestre da economia brasileira será melhor do que muitas pessoas estão esperando e que a inflação brasileira está "sob controle".

O PIB teve fraco crescimento em 2012, 0,9%, e muitos apontavam que a recuperação aconteceria ao longo de 2013. A primeira metade do ano surpreendeu muitos analistas positivamente – com um índice de crescimento equivalente a 6% ao ano.

Mas o próprio governo reconhece que a segunda metade do ano será de desaceleração – ou "acomodação", como diz Tombini – em comparação com a primeira. A previsão atual do BC é de que o PIB brasileiro crescerá 2,5% em 2013.

"Os dados econômicos recentes apontam para uma acomodação no terceiro trimestre que é mais benigna do que as pessoas estavam esperando há alguns meses, quando todos diziam 'sim, ótimo, a primeira parte do ano foi muito forte, mas isso não é sustentável, e vamos devolver (os ganhos) no terceiro trimestre e no resto do ano'."

"A nossa mais recente visão é diferente. O terceiro trimestre será de fato de acomodação, mas nós conseguiremos entregar crescimento significativo e importante este ano, dado o cenário da economia global."

Inflação

As declarações foram feitas em palestra a investidores e analistas de mercado no dia seguinte à decisão da agência de classificação de risco Moody’s de rebaixar as perspectivas para o rating do país de positiva para estável. Segundo a agência, a decisão se deve à deterioração da relação dívida-PIB, a perspectiva de fraco crescimento do PIB e o nível de investimentos.

No discurso para cerca de 80 pessoas, além de falar sobre o PIB, Tombini destacou os esforços do governo para reduzir a escalada dos preços.

O Brasil trabalha desde 1999 com um regime de metas no qual o governo tenta fazer com que a inflação fique perto de 4,5% ao ano, e nunca supere a marca de 6,5%. Mas neste ano, a inflação brasileira já superou o teto desta meta em duas ocasiões.

Isso despertou temores de que os preços da economia estavam fora de controle e que o Banco Central não estava usando os instrumentos que lhe cabe – sobretudo a taxa de juros – para combater a inflação.

"Nossa visão é que progredimos no campo da inflação, e desde o pico de junho conseguimos reduzir a inflação", disse Tombini nesta quinta. "Estamos em um processo de reduzir a inflação. A inflação está sob controle."

"Acho que estamos sendo bem-sucedidos ao lidar com esse tema. A inflação está se tornando menos preocupante entre os brasileiros."

EUA

Tombini também disse que a volatilidade recente do real, devido às alterações da política monetária dos Estados Unidos previstas para o final de 2013 ou começo de 2014, é "parte do jogo".

No ano passado, o Federal Reserve (Banco Central americano) havia anunciado o maior programa de estímulo financeiro da sua história, prometendo mantê-lo até que o índice de desemprego do país caísse. O programa de "afrouxamento quantitativo", como é conhecido, inundou o mundo emergente com dólares, provocando uma valorização de moedas como o real.

Agora o Federal Reserve já sinalizou que o afrouxamento será finalizado até o próximo ano, e as moedas estão voltando a se desvalorizar. O efeito negativo é a alta volatilidade da taxa de câmbio, que afeta exportadores, importadores e a inflação no Brasil.

Mas Tombini disse a investidores que isso tudo tem um saldo total "positivo", já que significa que a economia dos Estados Unidos está se recuperando.

"Nós, o Banco Central do Brasil, vemos esta transição como um saldo positivo, porque isso (o fim do QE3) só está acontecendo porque a maior economia do planeta está fortalecendo seus prognósticos de crescimento. E esse crescimento econômico pode melhorar junto com o comércio global. Todos nós vamos nos beneficiar, incluindo os mercados emergentes e o Brasil. Mas a transição traz desafios, e a volatilidade é parte do jogo."

Críticas

A mensagem principal levada pelo presidente do Banco Central brasileiro a investidores em Londres é de que o Brasil é um país aberto para investimentos.

Mas na sessão de perguntas da plateia, Tombini ouviu críticas.

"O que me preocupa é que eles não conseguem chegar aos termos corretos para estimular investidores internacionais", disse Stephen Rose, diretor da LatinCo, consultoria que auxilia instituições europeias a investir no Brasil.

Ele citou a falta de interessados no leilão recente da BR-262, o número menor do que o esperado em interessados no leilão do campo de Libra do pré-sal e os problemas da licitação de ferrovias apontados pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

"Eu acho que existem oportunidades imensas para investimentos, mas o governo é francamente um pouco atrapalhado na forma como eles organizam as condições."

Tombini respondeu que o governo está atento para mudanças necessárias nos processos de licitação.

"Se olharmos os ajustes que foram feitos em várias destas iniciativas, muitas foram no sentido de fazê-las mais atraentes para o mercado e para a participação de empresas privadas."

Rosilene Paramour, que trabalha para a firma de direito Holman Fenwick Willan, reclamou que muitos clientes internacionais desistem de investir no Brasil devido à burocracia.

"A burocracia é um problema enorme. Nós dizemos que queremos investidores no Brasil. Mas o que eu ouço o tempo todo, trabalhando com serviços locais, é que nossos clientes ficam frustrados, e eles não têm como lidar com toda a burocracia, e depois não conseguem nem tirar seu dinheiro do país. Em Londres, isso funciona bem porque aqui o governo é amigável com o setor investidor, e faz com que tudo seja mais prático."

O presidente do BC respondeu que a burocracia é uma área "óbvia" que o país precisa enfrentar, mas que apesar disso o Brasil ainda é um dos grandes destinos mundiais de investimento direto estrangeiro.

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