BBC navigation

Conselho de Segurança adota resolução sobre armas químicas na Síria

Atualizado em  28 de setembro, 2013 - 13:44 (Brasília) 16:44 GMT

Os 15 membros do Conselho de Segurança aprovaram por unanimidade resolução sobre a Síria

O Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade uma resolução para acabar com as armas químicas na Síria.

Em uma sessão em Nova York, os 15 membros apoiaram o projeto de documento acordado anteriormente pela Rússia e os Estados Unidos.

O acordo rompe um impasse de dois anos e meio na ONU sobre a Síria, onde acontece uma dura batalha entre forças do governo e rebeldes.

A votação aconteceu logo após o comitê executivo da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) ter concordado em um plano para destruir o arsenal da Síria até meados de 2014.

Decisão histórica

Falando após a votação em Nova York, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, descreveu a decisão como "histórica".

Ele pediu que o governo sírio implemente a resolução "fielmente e sem atrasos", e também anunciou uma data provisória de meados de novembro para uma nova conferência de paz em Genebra.

O secretário de Estado americano John Kerry disse que a ONU demonstrou que "a diplomacia pode ser tão poderosa que pode pacificamente desarmar as piores armas de guerra".

O chanceler russo, Sergei Lavrov também elogiou a medida, e disse que Moscou estava pronta para participar de "todas as operações" na Síria.

No entanto, ele ressaltou que o sucesso dos esforços internacionais "não era apenas sobre os ombros de Damasco" e que a oposição síria deve cooperar.

A resolução da ONU condena o uso de armas químicas, mas não atribui culpa.

O texto tem duas exigências obrigatórias: que a Síria abandone seu arsenal de armas, e que os especialistas em armas químicas recebam acesso irrestrito.

Apesar de o projeto se referir ao Capítulo 7 da Carta da ONU, que permite o uso da força militar, uma segunda resolução autorizando tal medida seria necessária.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, disse mais cedo que um acordo entre os membros do Conselho sobre a questão seria uma "enorme vitória para a comunidade internacional".

Tentativas anteriores de uma resolução não se concretizaram devido a divergências entre a Rússia e os Estados Unidos sobre como lidar com a crise na Síria.

Os Estados Unidos - apoiados pela França e Grã-Bretanha - haviam insistido por uma ação militar contra as forças armadas do presidente sírio, Bashar al-Assad, mas a Rússia não concordou.

Reagindo à votação, o embaixador sírio junto à ONU, Bashar Jaafari, disse que a resolução cobria a maior parte das preocupações de Damasco.

Mas ele ressaltou que países que apoiam os rebeldes sírios também devem respeitar o documento aprovado.

'Mensagem inconfundível'

A votação da ONU veio poucas horas depois de a Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) adotar o que chamou de "uma decisão histórica sobre a destruição de armas químicas da Síria".

Em um comunicado, após uma reunião em Haia, a organização disse que seu conselho executivo "concordou com um programa acelerado para alcançar a completa eliminação das armas químicas da Síria em meados de 2014. A decisão exige que inspeções na Síria comecem a partir de 1º de outubro 2013".

"A decisão também prevê metas ambiciosas para a destruição que serão fixadas pelo Conselho (executivo) até 15 de Novembro."

O diretor geral da Opaq, Ahmet Uzumcu disse que a medida"envia uma mensagem inconfundível de que a comunidade internacional está se unindo para trabalhar pela paz na Síria".

Estas são questões desconhecidas para a Opaq, uma pequena organização que nunca realizou um trabalho desse porte ou complexidade, segundo o correspondente da BBC Paul Adams.

O documento da Opaq agora faz parte da resolução da ONU, que estabelece governar todo o processo.

Enquanto isso, a violência continua na Síria. Ativistas disseram que um carro-bomba matou pelo menos 20 pessoas perto de uma mesquita em Rankus, uma cidade ao norte de Damasco, logo após as orações da sexta-feira.

A ONU disse que sua equipe de inspetores, atualmente na Síria, está investigando três supostos ataques com armas químicas que acorreram após o ataque de 21 de agosto em Damasco, que deixou centenas de mortos e provocou uma ameaça de ação militar dos Estados Unidos.

Os três ataques estão entre os sete incidentes que ONU disse que sua equipe está investigando.

A ONU disse que sua equipe, liderada por Ake Sellstrom, chegou à Síria para sua segunda visita no dia 25 de setembro, e espera terminar o seu trabalho na segunda-feira.

A equipe está trabalhando em um "relatório completo" que deve ficar pronto até o final de outubro.

A ONU classificou os supostos ataques, todos este ano, como Khan al-Assal no dia 19 de março; Sheikh Maqsoud no dia 13 de abril; Saraqeb no dia 29 de abril; Ghouta no dia 21 de agosto; Bahhariya no dia 22 de agosto; Jobar no dia 24 de agosto e Ashrafieh Sahnaya no dia 25 de agosto.

Damasco insistiu para a investigação dos três incidentes pós-21 de agosto, acusando "militantes" da utilização de gás químico contra o exército em Bahhariya, Jobar e Ashrafieh Sahnaya.

Leia mais sobre esse assunto

Tópicos relacionados

BBC © 2014 A BBC não se responsabiliza pelo conteúdo de sites externos.

Esta página é melhor visualizada em um navegador atualizado e que permita o uso de linguagens de estilo (CSS). Com seu navegador atual, embora você seja capaz de ver o conteúdo da página, não poderá enxergar todos os recursos que ela apresenta. Sugerimos que você instale um navegados mais atualizado, compatível com a tecnologia.