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Oposição critica decisão de Dilma sobre visita aos EUA

Atualizado em  17 de setembro, 2013 - 20:19 (Brasília) 23:19 GMT
Dilma (Reuters)

Para líderes da oposição no Congresso, decisão de Dilma pode prejudicar o Brasil

À exceção de um congressista do PSOL, parlamentares da oposição ouvidos pela BBC Brasil condenaram a decisão da presidente de adiar sua viagem aos Estados Unidos.

O adiamento, anunciado nesta terça-feira, ocorreu após denúncias de que a Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, em inglês) espionou a comunicação entre Dilma e seus assessores. Em nota, o governo atribuiu a decisão à "ausência de tempestiva apuração do ocorrido, com as correspondentes explicações e o compromisso de cessar as atividades de interceptação" pelo governo americano.

Para líderes da oposição no Congresso, porém, o adiamento poderá prejudicar o país.

O senador e presidente do DEM Agripino Maia (RN) diz que a posição de Dilma se amparou em "forte aconselhamento de marketing político-eleitoral" e visou ganhar apoio interno.

"Por outro lado, o cancelamento de uma visita de Estado que proporcionaria benefícios para a relação entre brasileiros e americanos, ao invés de vantagens, provocará ruídos e fatos negativos", disse ele à BBC Brasil.

Segundo Agripino, Dilma deveria ter mantido a viagem e criticado a espionagem em território americano. Assim, "poderia manter a estatura dela e garantir as eventuais vantagens de uma visita de Estado".

'Equívoco diplomático'

Mais formais que recepções habituais, visitas de Estado são tidas no meio diplomático como um sinal de prestígio do visitante. Não há nenhuma outra visita de Estado prevista nos EUA neste ano.

Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o adiamento da viagem constitui "um novo equívoco diplomático" do governo.

"Se o governo brasileiro entende que houve espionagem indevida, (a visita) seria um momento de questionar o presidente dos Estados Unidos. Essa política de avestruz, de enfiar cabeça na areia para não ver o que está se passando ao redor, não convém a nenhum governo".

Segundo Dias, o Brasil tem privilegiado relações com países subdesenvolvidos. "Isso tem significado prejuízos, e o eventual afastamento dos Estados Unidos signifcará um prejuízo no campo econômico."

"O cancelamento de uma visita de Estado que proporcionaria benefícios para a relação entre brasileiros e americanos, ao invés de vantagens, provocará ruídos e fatos negativos"

Agripino Maia, senador e presidente do DEM

O deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ) afirma que, em vez de adiar a viagem, Dilma deveria ter se coordenado com Alemanha, França e outros países próximos dos Estados Unidos para cobrar o país a regulamentar suas atividades de inteligência no exterior.

"Compatilho da indignação (com as denúncias de espionagem), mas tenho dúvida se decisão de não ir é a forma mais eficaz de pressionar governo dos Estados Unidos", diz.

Sikis apresentou sua sugestão ao governo na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados (CREDN), que integra.

Até mesmo o deputado petista Nelson Pelegrino (BA), presidente da comissão, disse discordar da decisão da presidente.

"Acho que a presidente tinha motivos pra fazer esse cancelamento, mas, se eu fosse consultado, penso que deveria ter sido mantida a visita de Estado. Era uma oportunidade do governo brasileiro de reafrmar sua posição."

Pelegrino disse ainda que a visita seria uma importante ocasião para estreitar os laços entre os dois países em várias áreas de governo.

Apoio

Já o deputado Ivan Valente (PSOL-SP) apoiou o gesto da presidente. Segundo ele, o governo americano "não deu e nem dará respostas satisfatórias" sobre as denúncias de espionagem.

"Se o governo americano não dá satisfação para a violação da soberania nacional e para a violação de sigilo de correspondência de milhões de cidadãos brasileiros, não há por que o governo brasileiro fazer um gesto de amizade neste momento"

Ivan Valente, deputado do PSOL-SP

"Se o governo americano não dá satisfação para a violação da soberania nacional e para a violação de sigilo de correspondência de milhões de cidadãos brasileiros, não há por que o governo brasileiro fazer um gesto de amizade neste momento."

Valente, porém, avalia que, ainda que adequada para o momento, a decisão de Dilma é frágil. O deputado diz que o Brasil ainda precisa apurar a fundo as denúncias de espionagem e que as revelações feitas pelo ex-analista da NSA Edward Snowden sobre a atuação americana no Brasil "são apenas a ponta do iceberg".

Valente pretende viajar para a Rússia, onde Snowden está asilado, para ouvi-lo sobre o tema. Para tentar agendar a viagem, ele se reuniu nesta terça-feira com o embaixador russo no Brasil.

Segundo Valente, o embaixador disse que consultaria a chancelaria russa sobre o pedido, mas que a concessão de asilo ao americano talvez restrinja sua liberdade para tratar do tema.

O deputado diz aguardar uma resposta ao pedido na próxima semana.

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