O acordo entre EUA e Rússia pode levar esperança à Síria?

  • 15 setembro 2013
John Kerry e Sergei Lavrov (Foto: Reuters)
Acordo às pressas pode trazer uma nova esperança de resolução da crise síria.

Os últimos dias tem sido memoráveis às margens do lago Genebra.

Um encontro apressado que muitos viam como destinado a falhar produziu – depois de muitas horas de idas e vindas – um plano detalhado para livrar a Síria das armas químicas.

Sabemos agora que uma ideia vinha cozinhando no forno internacional por mais de um ano.

Depois de descartá-la em Londres na última segunda-feira – como se fosse algo que nunca funcionaria – o secretário de Estado americano John Kerry é agora um vencedor.

Desde a tarde de quinta-feira temos assistido a Kerry e o chanceler russo Sergei Lavrov delinearem os detalhes, com apoio de suas grandes equipes de especialistas.

De nosso vantajoso local de observação, no telhado de um posto de gasolina em frente ao hotel Intercontinental de Genebra, temos visto Lavrov, sem a jaqueta do terno, sentado próximo à piscina e com o telefone celular na orelha.

Sirenes foram tocadas quando as duas autoridades apareceram para fazer uma visita ao enviado especial da ONU, Lakhdar Brahimi e dar um telefonema de cortesia para o ex-secretário-geral da ONU Kofi Annan.

No saguão do hotel, jornalistas se amontoavam à procura de informações. Uma colega até conseguiu entrar na sala onde acontecia o encontro e tirar fotos com seu telefone celular até ser expulsa.

Mas depois de dois dias e meio nos quais a Rússia e os Estados Unidos estiveram na maior parte do tempo em desacordo sobre o que fazer com a Síria – e três dias depois do presidente Vladimir Putin verter desprezo pela política externa americana – os dois lados finalmente colaboraram em um assunto repleto de perigos políticos e técnicos.

Ameaça ou força?

Tudo isso deve acontecer de uma forma memoravelmente rápida.

A Síria só tem uma semana para entregar uma lista detalhada de tudo o que tem. E todas as armas químicas sírias devem ser destruídas até o meio do ano que vem.

Mas e se a Síria não concordar? Nesse caso caberá ao Conselho de Segurança da ONU impor medidas sob o capítulo VII da Carta da ONU. Isso possibilita – não necessariamente significa – o uso da força.

Kerry disse que as medidas da ONU devem ser "de acordo" com a violação. Mas ele também deixou claro que o presidente Barack Obama não determinou o uso unilateral da força.

Os dois diplomatas se agradeceram mutuamente de forma efusiva – Lavrov disse que Kerry tornou possível deixar a "retórica irrelevante" para trás.

Como o americano, Lavrov disse que esta corajosa porém restrita iniciativa pode se transformar em algo grande – uma conferência de paz internacional para colocar um fim aos tormentos da Síria.

Então, depois de 36 hora de significativa diplomacia, o acordo foi feito e John Kerry foi dar uma corrida no lago.

Com a ajuda de Vladimir Putin, Barack Obama deu um passo para longe do precipício.

Uma virada improvável nos eventos e, talvez, um pequeno vislumbre de esperança para a Síria.