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Governo americano diz que imprensa distorceu atividades da NSA

Atualizado em  12 de setembro, 2013 - 00:06 (Brasília) 03:06 GMT
Susan Rice | Foto: Getty

Secretária de Segurança Nacional disse que países continuarão a ter relações bilaterais

A conselheira de Seguranca Nacional da Casa Branca, Susan Rice, disse nesta quarta-feira que a imprensa distorceu as informações ao denunciar as atividades da Agência de Segurança Nacional (NSA).

Depois de uma reunião em Washington com o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, Rice disse que o país continua trabalhando com o Brasil para reforçar a relação.

"Os Estados Unidos entendem que as revelações recentes da imprensa - algumas das quais distorceram nossas atividades e algumas que levantaram questões importantes sobre nossos amigos e aliados sobre como nossas capacidades são empregadas - criaram tensões na relação bilateral forte que temos com o Brasil", disse a nota.

O comunicado dizia ainda que os Estados Unidos "se comprometem a trabalhar com o Brasil para falar sobre estas preocupações, enquanto continuamos a trabalhar juntos em uma agenda mútua bilateral, regional e global."

O ministro Figueiredo veio aos EUA obter as explicações cobradas pela presidente Dilma Rousseff do colega Barack Obama durante o encontro do G20 na Rússia.

Uma entrevista coletiva do ministro com correspondentes após o encontro foi desmarcada. A Embaixada em Washington informou que o ministro "continuará as conversas" com o governo americano sobre o tema.

Visita sob ameaça

A nota do governo americano volta a afirmar que "como o presidente já havia dito, sua equipe de segurança nacional - informada pelo trabalho de especialistas - está realizando avaliações amplas para examinar as atividades de inteligência dos Estados Unidos, para assegurar que elas sejam dimensionadas apropriadamente e reflitam as decisões sobre o que deveríamos fazer versus o que podemos fazer."

O imbróglio diplomático entre os dois países ameaça a visita de Dilma aos EUA em caráter de Estado, marcada para outubro. Antes disso, a presidente virá a Nova York para discursar na Assembleia Geral da ONU, dentro de duas semanas.

Segundo as denúncias, veiculadas pelo programa Fantástico, da TV Globo, com auxilio do jornalista Glenn Greenwald, do jornal britânico The Guardian, a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) monitorou conversas entre a presidente Dilma Rousseff e seus principais assessores.

A reportagem diz ter conseguido documentos secretos junto ao fugitivo americano Edward Snowden que comprovam a existência do monitoramento.

Ex-agente da NSA, Snowden foi o responsável por denunciar, em junho deste ano, um extenso programa de monitoramento de dados de telefone e de internet pelo governo americano dentro e fora do país.

O programa afirmou ainda que o nome da Petrobras aparece em um documento usado em um treinamento de agentes da NSA para acessar redes privadas de instituições variadas.

De acordo com o Fantástico, a tecnologia envolvendo a exploração de petróleo em alta profundidade na camada pré-sal poderia ter sido o alvo da espionagem.

Após o encontro do G20, a presidente Dilma Rousseff disse ter exigido de Obama que Washington abra "tudo" o que tem sobre o Brasil.

De acordo com Dilma, Obama teria assumido a "responsabilidade direta e pessoal" pelas investigações sobre as ações de espionagem, comprometendo-se tanto com a apuração das denúncias quanto com a adoção de medidas que o governo brasileiro ache necessárias.

O presidente americano também teria manifestado disposição em criar "condições políticas" para a visita de outubro. "Minha viagem depende dessas condições políticas", afirmou Dilma.

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