Credibilidade internacional está em jogo na Síria, diz Obama

  • 4 setembro 2013
Barack Obama (AFP)
Obama busca apoio internacional e interno para ação militar contra a Síria

A credibilidade da comunidade internacional, dos Estados Unidos e do Congresso americano se não houver uma resposta ao suposto uso de armas químicas pelas autoridades da Síria, disse nesta quarta-feira o presidente dos EUA, Barack Obama.

Obama tenta angariar apoio internacional para uma ação militar americana contra a Síria, alegando ter provas de que o regime de Bashar al-Assad usou armas químicas contra sua própria população em 21 de agosto, matando 1,4 mil pessoas (ainda que organizações e o governo da França tenham contabilizado um número inferior de mortes no episódio).

Questionado, na Suécia, se sua decisão de pedir o aval do Congresso americano antes de atacar a Síria colocava sua credibilidade em jogo, Obama respondeu que "a credibilidade que está em jogo é a da comunidade internacional, dos EUA e do Congresso, porque (se nada for feito) falamos da boca para fora que as normas internacionais (que vetam o uso de armas químicas) são importantes".

Nesta quarta-feira, o Comitê de Relações Exteriores do Congresso aprovou uma resolução que autoriza a ação militar americana na Síria para neutralizar armas químicas - com mandato "limitado e sob medida das Forças Armadas americanas contra a Síria" e vetando o uso de soldados. Porém, ela ainda precisa ser votada pelo Senado como um todo. Uma moção semelhante deve sera analizada ainda por um comitê na Câmara dos Representantes (deputados).

Obama disse que acredita que o Congresso irá aprovar a ação, mas que, como comandante supremo das forças americanas, ele se reserva ao direito de tomar decisões em nome dos interesses nacionais americanos.

Também nesta quarta-feira, o Parlamento francês debate a possibilidade de uma intervenção militar na Síria.

"Terceira Guerra Mundial"

O regime Assad, por sua vez, continua insistindo que não utilizou armas químicas.

Em entrevista à agência de notícias AFP, o vice-chanceler sírio, Faisal Muqdad, disse que "o governo sírio não mudará de posição nem que ocorra a Terceira Guerra Mundial. Nenhum sírio pode sacrificar a independência do país".

Muqdad disse também que Damasco já tomou "todas as medidas (para preparar) uma retaliação" a um possível ataque americano, sem entrar em detalhes sobre em que consistiria essa retaliação.

Ao mesmo tempo, Vladimir Putin, presidente da Rússia - um dos principais aliados da Síria -, disse nesta quarta-feira que uma ação militar dos Estados Unidos e seus aliados na Síria sem o aval das Nações Unidas seria uma "agressão".

Putin disse que a Rússia não descarta apoiar uma resolução no Conselho de Segurança da ONU (onde o país tem exercido seu poder de veto em favor da Síria) que autorize o uso de força contra Damasco, caso haja provas "irrefutáveis" de que o governo sírio usou armas químicas no conflito interno do país.

No entanto, ele acredita que é "ridículo" dizer que a Síria usou armas químicas em um momento em que está ganhando território dos insurgentes.

"Se houver sinais de que armas químicas foram usadas, e pelo Exército normal, isso é uma prova que precisa ser apresentada ao Conselho de Segurança da ONU. E precisa ser convincente", disse Putin à rede de televisão Canal 1 e à agência de notícias Associated Press.

A Rússia recentemente forneceu componentes do sistema de mísseis S-300 à Síria. No entanto, ele disse que a entrega deste tipo de material foi suspensa no momento.

G20

A Rússia sediará a partir desta quinta-feira o encontro dos líderes do G20, grupo que reúne as principais economias do mundo.

Inicialmente a pauta do encontro seria a economia global, mas a crise na Síria deve dominar as discussões.

Na Suécia, Obama disse que irá continuar dialogando com a Rússia sobre a questão da Síria, lembrando que Moscou ainda pode mudar sua posição em relação a um ataque.

A guerra civil no país árabe já matou 100 mil pessoas desde que o movimento de insurgência contra o regime Assad começou, em março de 2011.

Cresce também o impacto humanitário do conflito. Segundo a ONU, mais de 2 milhões de sírios tiveram de se refugiar no exterior e 4,2 milhões foram forçados a se deslocar internamente.

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