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França atribui ataque a regime sírio; Assad aponta risco regional

Atualizado em  2 de setembro, 2013 - 19:44 (Brasília) 22:44 GMT
Ministro da defesa Jean-Yves Le Driant (à esq.), chanceler Laurent Fabius (centro) e o premiê Jean-Marc Ayrault (à dir) - foto: AP

Decisão francesa sobre ataque à Síria não deve passar pelo Parlamento.

O governo da França apresentou nesta segunda-feira ao parlamento um relatório em que afirma que o ataque químico que teria ocorrido no mês passado próximo à capital síria, Damasco, "não pode ter sido ordenada e realizada por ninguém, exceto o governo sírio".

O documento, apresentado pelo primeiro-ministro Jean-Marc Ayrault, diz que o ataque de 21 de agosto envolveu o "uso de agentes químicos em massa" e deixou pelo menos 281 mortes.

A França e os Estados Unidos estão se mobilizando para realizar um eventual ataque punitivo contra a Síria – ação que o parlamento britânico rejeitou na semana passada.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, negou estar por trás do episódio.

Em uma entrevista para o jornal francês Le Figaro, ele disse que uma ação desse tipo seria "ilógica".

Assad também alertou que uma ação militar internacional na Síria pode dar início a um conflito regional mais amplo.

"Todos vão perder o controle da situação quando o barril de pólvora explodir. Caos e extremismo se espalharão", afirmou.

Assad também alertou a França que seu possível envolvimento na crise síria pode ter “repercussões”.

Pressão

O ataque químico teria acontecido em Ghouta, uma região nos subúrbios de Damasco. Os Estados Unidos acusam o regime de Assad pelo ataque e sustentam que o númeto total de mortes chegou a 1.429 – incluindo 426 crianças.

O relatório francês de nove páginas da França afirma que a análise das informações às quais a inteligência francesa teve acesso “leva a concluir que, no dia 21 de Agosto de 2013, o regime sírio lançou um ataque em alguns distritos na periferia de Damasco controlados por unidades da oposição que combinaram meios convencionais e uso massivo de agentes químicos."

Congressistas franceses devem debater a questão em uma sessão extraordinária do parlamento na quarta-feira.

Entretanto, Ayrault descartou uma votação no Parlamento para autorizar ou não uma ofensiva contra a Síria – como aconteceu na Grã-Bretanha e deve ocorrer também nos Estados Unidos no dia 9 de setembro, quando o Congresso americano terá voltado do recesso.

A Constituição francesa permite que o presidente François Hollande ordene um ataque sem aprovação parlamentar.

Amostras

O secretário de Estado americano, John Kerry, disse no domingo que amostras de cabelo e sangue recolhidos depois do dia 21 de Agosto tiveram resultado positivo para "assinaturas de sarin" ao serem testadas em laboratório.

Contudo, alguns congressistas demonstraram dúvidas sobre o plano do presidente Barack Obama para uma operação militar "limitada" na Síria, questionando seu propósito e efetividade.

Ao adiar o ataque e buscar aprovação do Congresso, Obama fez a maior aposta de sua Presidência, segundo o editor da BBC para a América do Norte, Mark Mardell.

O secretário-geral da Otan (aliança military ocidental), Anders Fogh Rasmussen, afirmou estar pessoalmente convencido que um ataque químico de fato ocorreu e que o governo de Assad foi responsável por ele.

Ele disse que deve haver uma "resposta internacional firme" para deter qualquer uso futuro desse tipo de armas. A ação seria "um sinal perigoso para ditadores ao redor do mundo".

Rasmussen disse também que não há planos para o envolvimento da Otan, uma vez que a resposta militar seria “uma operação bem pequena, medida e direcionada” e os recursos da aliança não seriam necessários.

Apoio a islâmicos

Enquanto isso os combates continuam na Síria. Mais de 100 mil pessoas teriam morrido nos combates envolvendo rebeldes e tropas fieis a Assad desde 2011.

Nesta segunda-feira, ativistas opositores do regime disseram que 30 rebeldes foram mortos emu ma emboscada montada por forças do governo em Adra, no nordeste de Damasco, segundo a agência de notícias France Presse.

Uma pesquisa realizada pela BBC mostra que três quartos dos britânicos dizem acreditar que o Parlamento agiu de forma correta ao rejeitar uma ação miltiar na Síria na semana passada.

O vice-premiê, Nick Clegg, disse que o Parlamento em Londres não votará novamente, mesmo que surjam novas evidências sobre o ataque químico.

O ministro das Relações Exterior, Sergei Lavrov, disse que os relatórios de inteligência americanos que culpam Damasco não são convincentes.

No sábado, o vice-chanceler sírio Faisal Mekdad disse ao correspondente da BBC em Damasco, Jeremy Bowen, que qualquer ataque contra a Síria significaria "apoio para a al-Qaeda e organizações afiliadas, como a Jabat al-Nusra ou o Estado do Islã na Síria e no Iraque".

O Jabat al-Nusra e outros grupos ligados à al-Qaeda começaram a desempenhar um grande papel anti-Assad no conflito.

O diplomata Mekdad – considerado de grande influência no governo de Assad – alertou ainda que uma possível intervenção dos EUA profundaria "o ódio aos americanos" e desestabilizaria todo o Oriente Médio.

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