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Obama ainda está indeciso sobre ataque à Síria

Atualizado em  29 de agosto, 2013 - 07:21 (Brasília) 10:21 GMT

"Não tenho nenhum interesse em qualquer tipo de conflito aberto na Síria'', obama disse à PBS

Depois de um dia de discussões na ONU, o presidente americano Barack Obama disse, em entrevista à rede pública de televisão americana PBS, que ainda não tomou uma decisão sobre intervir militarmente na Síria.

Mas o presidente afirmou que os Estados Unidos concluíram que o governo sírio está por trás do ataque com armas químicas próximo à capital, Damasco.

Ele disse que o uso de armas químicas afetou os interesses nacionais dos Estados Unidos e que "o envio de um aviso" ao regime de Bashar al-Assad poderia ter um impacto positivo na guerra da Síria.

"É preciso haver consequências internacionais, por isso estamos consultando nossos aliados", disse ele .

O correspondente da BBC em Washington, David Willis, diz que este é o sinal mais evidente de que Obama acredita que o governo sírio é culpado pelo uso de armas químicas.

Apesar disso, diz o correspondente da BBC, Obama parecia cauteloso e falou de uma forma ponderada. Ele estava claramente preocupado em obter o apoio do Congresso, e da população americana.

"Intransigência russa"

A Grã-Betanha tinha insistido que os membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU adotassem uma resolução autorizando medidas para proteger os civis na Síria.

Mas a Rússia, aliada da Síria, se recusou a concordar com a resolução e a reunião não produziu uma conclusão para o impasse diplomático que há muito caracteriza a posição da ONU em relação à Síria.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos criticou a "intransigência russa" e disse que não poderia permitir que a paralisia diplomática servisse como um escudo para o regime sírio.

Críticos têm questionado o efeito que um ataque limitado à Síria poderia ter. Mas o Presidente Obama disse que um ataque enviaria ao governo de Bashar al- Assad "um sinal muito forte de que é melhor não [usar armas químicas] novamente."

Os Estados Unidos ainda não revelaram as provas que, segundo seu governo, mostram que Assad é culpado pelo uso de armas químicas, e os inspetores de armas da ONU ainda estão investigando dentro da Síria.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse que os inspetores precisam de mais quatro dias para concluir as investigações, e fez um apelo para que a equipe tivesse "tempo para fazer o seu trabalho".

Opinião

A Síria nega o uso de armas químicas e culpa a oposição pelo ataque de 21 de agosto, que teria matado centenas de pessoas perto de Damasco, e acusou o Ocidente de "inventar" desculpas para lançar um ataque .

Em resposta ao crescente temor de um ataque iminente entre sírios, a agência de notícias Associated Press citou autoridades libanesas dizendo que pelo menos 6 mil sírios cruzaram a fronteira para o Líbano em um período de 24 horas, através da principal travessia, Masnaa - em comparação a uma contagem diária normal de entre 500 e 1 mil refugiados.

"Já não é o suficiente toda a violência e a luta que nós já temos no país? Agora a América quer nos bombardear também?", disse à agência de notícias AP uma mulher de 45 anos de idade, entrando no Líbano com seus cinco filhos.

Em Damasco, comandantes militares estão ficando longe de edifícios que poderiam ser alvo. Você "pode ouvir um alfinete cair no chão em um deles", disse um morador local em relação aos prédios vazios.

As pesquisas de opinião até agora têm demonstrado pouco interesse da população em que os Estados Unidos se envolvam no conflito sírio.

Em uma carta aberta ao presidente, o presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, John Boehner, exigiu que Obama explicasse, "o efeito pretendido com os ataques militares", e como ele iria impedir que a intervenção tomasse proporções maiores.

Mais de 110 membros do Congresso assinaram uma carta solicitando formalmente que Obama consiga a aprovação do Parlamento para qualquer ação na Síria.

Membros do Congresso esperam nesta quinta-feira que as autoridades norte-americanas entreguem um documento mostrando as provas de que o governo sírio realizou o suposto ataque químico.

"Momento" da ONU

Os Estados Unidos já disseram que não vão agir sozinhos - mas um de seus principais aliados, a Grã-Betanha, concordou em esperar até que os inspetores da ONU concluam o trabalho para, então, convocar uma votação parlamentar final sobre uma potencial ação.

De acordo com o Ministro do Exterior da Rússia, Sergei Lavrov, o uso da força sem a sanção do Conselho de Segurança da ONU seria uma "violação brutal " do direito internacional e "levaria à desestabilização a longo prazo da situação no país e na região".

A Grã-Betanha, os Estados Unidos e a França continuam suas discussões após a reunião dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU.

A Grã-Betanha quer ver esgotadas todas as vias diplomáticas, segundo o correspondente da BBC Nick Bryant na sede da ONU, em Nova York.

Para a Grã-Betanha, é necessário que haja um "momento" da ONU, em que a organização lidere uma ação em relação à Síria - mesmo que uma ação da ONU , provavelmente, volte a ser bloqueada pela Rússia ou pela China.

Mas, mesmo sem o apoio da ONU, os Estados Unidos e seus aliados têm sido claros de que a ação militar ainda é uma opção para eles, diz o correspondente.

"Este é o primeiro uso de armas químicas no século 21", disse o ministro do Exterior britânico, William Hague. "Tem que ser inaceitável ... ou vamos enfrentar ainda maiores crimes de guerra no futuro."

Estimativas mostram que mais de 100 mil pessoas já morreram desde que o conflito eclodiu na Síria, em março de 2011, e pelo menos 1,7 milhão de sírios estão refugiados .

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