Assad promete se defender de 'agressão'; Síria tenta manter rotina

  • 29 agosto 2013
Bashar al-Assad (AFP)
Assad disse que uma eventual ofensiva ocidental contribuiria para sua vitória

Em meio à apreensão na Síria quanto à possibilidade de um ataque de forças ocidentais, o presidente sírio, Bashar al-Assad, disse nesta quinta-feira que seu país irá se defender de “qualquer agressão”.

“A Síria, com seu povo inabalável e seu bravo Exército, continuará a eliminar o terrorismo, utilizado por Israel e pelos países ocidentais para servir a seus interesses, dividindo a região (Oriente Médio)”, afirmou Assad, segundo a agência de notícias estatal síria Sana.

“As ameaças de lançar uma agressão direta contra a Síria farão o país mais fiel aos seus já tradicionais princípios e decisões soberanas, que têm raízes na vontade de seu povo, e a Síria irá se defender de qualquer agressão.”

As declarações ocorrem em um momento em que Washington, Londres e Paris discutem o lançamento de uma ofensiva militar contra o regime de Damasco, sobre o qual pesam suspeitas de estar por trás de um suposto ataque químico que matou civis.

Em Nova York, a Rússia, aliada da Síria, convocou uma reunião dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (além da Rússia, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e China) para discutir a crise.

Enquanto isso, representantes das Nações Unidas continuam na Síria investigando o suposto ataque químico do dia 21 - que, segundo a ONG Médicos sem Fronteiras, deixou 355 mortos - e deve concluir os trabalhos nesta sexta-feira.

As conclusões preliminares devem ser apresentadas no fim de semana ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon.

Apreensão

Moradores de Damasco (crédito: BBC)
A vida continua em Damasco, mas o clima é de ansiedade

Em Damasco, a ansiedade assombra os moradores, mas não há sinais de pânico, conta Assaf Aboud, jornalista da BBC Arabic, o serviço da BBC em língua árabe.

Segundo ele, as pessoas tentam viver sua rotina normal de trabalho. Os prédios do governo aparentam funcionar em normalidade, embora já haja relatos de que altos funcionários do regime despacham em outros locais, longe de prováveis alvos de um ataque.

Por enquanto não há sinais de desabastecimento em Damasco, mas, de acordo com Aboud, a crise é sentida na cidade há tempos, ainda que a TV estatal mostre imagens de um cotidiano normal.

Os turistas estrangeiros já não desembarcam na Síria, e os únicos hóspedes nos hotéis são jornalistas ou integrantes de organizações internacionais.

Muitos moradores da capital síria, no entanto, estão deixando a cidade. Imagens mostram uma horda de refugiados tentando cruzar a fronteira com o Líbano.

Pressão

A Grã-Bretanha apresentou na quarta-feira ao Conselho de Segurança da ONU um esboço de resolução que autorizaria o uso da força contra a Síria.

Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, que busca o apoio do Parlamento a uma possível ofensiva, disse aos legisladores em Londres que a essência da proposta não é defender um dos lados do conflito na Síria ou simplesmente invadir o país, mas responder a um crime de guerra – o suposto uso de armas químicas.

Os Estados Unidos já indicaram que podem liderar um ataque sem consentimento da ONU. O aparato de guerra americano já está sendo mobilizado, com navios de guerra se movimentando no Mediterrâneo.

Porém, o presidente americano, Barack Obama, disse em entrevista à emissora pública americana PBS que ainda não havia tomado uma decisão sobre um ataque militar na Síria.

Rússia e China, outros dois membros permanentes do Conselho de Segurança, já indicaram sua oposição ao lançamento de uma ofensiva militar sem o aval do Conselho da ONU.

A Rússia tem estreitos laços com o regime sírio e é um grande fornecedor de armas ao Exército de Assad.

A Alemanha, que não tem assento no Conselho de Segurança, pressiona a Rússia. A chanceler Angela Merkel ligou para o presidente Vladimir Putin pedindo que Moscou ajude o Conselho de segurança a produzir uma reação internacional “rápida e unânima” aos acontecimentos na Síria.

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