Parlamento rejeita ação militar britânica na Síria

  • 29 agosto 2013
Manifestantes protestam em frente ao Parlamento britânico | Foto: AFP
Intervenção ocidental deve ocorrer apesar de ausência britânica, diz secretário da Defesa.

O Parlamento britânico rejeitou uma possível ação militar contra o regime de Bashar al-Assad com o objetivo de impedir o uso de armas químicas na Síria.

Uma moção do governo que propunha ação foi derrotada nesta quinta-feira por 258 votos contra 272.

O premiê David Cameron disse que ficou claro que o Parlamento não quer a intervenção e que, por isso, "o governo agirá de acordo com a decisão".

Durante os debates no Parlamento, porém, o primeiro-ministro afirmou não ter uma prova definitiva de que o regime de Bashar al-Assad foi o autor do ataque químico que matou centenas de pessoas em Damasco. Cameron, porém, afirmou ter certeza de que o presidente sírio ordenou a ação.

Na prática, a decisão dos parlamentares exclui a possibilidade de envolvimento britânico em possíveis ataques à Síria liderados pelos Estados Unidos.

Os Estados Unidos afirmaram que continuarão em contato com o governo da Grã-Bretanha – "um aliado e amigo muito próximo".

A Casa Branca afirmou que o processo de decisão do presidente Barack Obama continuará sendo guiado pelo que for melhor para os interesses dos EUA e que ele acredita que países que violam normas internacionais relacionadas a armas químicas têm que ser responsabilizados.

A coalizão governista havia proposto a ação militar desde que baseada em evidências fornecidas pelos inspetores da ONU sobre o uso de armas químicas pelo governo sírio contra a população.

O veto à moção é um golpe na autoridade de David Cameron, que já havia suavizado uma proposta inicial do governo em resposta a demandas do Partido Trabalhista por mais evidências da culpa de Assad no ataque químico.

Os trabalhistas também tiveram sua própria moção sobre o assunto rejeitada pelo Parlamento por 114 votos. Ela exigia "evidências convincentes" da participação de Assad para autorizar a ação militar.

O secretário de Defesa, Philip Hammond, confirmou que a Grã-Bretanha não se envolverá na ação militar, mas disse acreditar que ela deve acontecer apesar da ausência britânica.

"Eu espero que os Estados Unidos e outros países continuem procurando respostas para o ataque químico", disse.

"Eles ficarão desapontados com o fato de que a Grã-Bretanha não se envolverá. Eu não espero que a falta da participação britânica irá impedir qualquer ação".

Relação com os EUA

Hammond afirmou que ele e Cameron ficaram "desapontados" com o resultado na votação na Câmara Baixa – que em sua opinião pode prejudicar as relações de Londres com Washington.

"Isso certamente criará alguma tensão no relacionamento especial".

"Os americanos entendem o processo do Parlamento. Talvez eles tenham ficado surpresos com o tamanho da oposição", disse.

Hammond havia sido criticado pela manhã por afirmar que o líder do Partido Trabalhista Edward Miliband "ajudou" o regime de Assad ao se recusar a apoiar Cameron.

Questionado se todos os parlamentares que votaram contra a moção também haviam socorrido Assad, o secretário afirmou: "Colocaram palavras na minha boca. O regime de Assad ficará um pouco menos desconfortável nesta noite devido ao resultado dessa votação parlamentar".

Ele culpou a guerra no Iraque em 2003 por influenciar de forma negativa a opinião pública contra intervenções militares britânicas no Oriente Médio.

O porta-voz da oposição para assuntos diplomáticos Douglas Alexander atribuiu a derrota governista a ações tomadas por Cameron e por seu vice, Nick Clegg, no período que antecedeu a votação.

A editora política do programa Newsnight, da BBC, afirmou que os governistas podem ter perdido a votação por causa de parlamentares conservadores que votaram contra o governo.