Dois homens assinam acordo para compartilhar esposa no Quênia

  • 26 agosto 2013
Sylvester Mwendwa
Mwendwa disse que ama a mulher e que o contrato cria limites para se vivier em paz

A notícia de que dois quenianos teriam assinado um contrato de casamento no qual compartilhariam uma mesma esposa está causando polêmica no país. A mulher em questão vinha mantendo relacionamentos com os dois há mais de quatro anos e teria se recusado a escolher entre eles.

O acordo estabelece horários específicos, alternados, para que os futuros maridos, Sylvester Mwendwa e Elijah Kimani, fiquem na casa da mulher e determina que os dois deverão ajudar a criar quaisquer filhos que ela venha a ter.

Advogados do trio disseram que o casamento só poderá ser reconhecido legalmente se for provado que a poliandria (forma de matrimônio de uma mulher com vários homens) é parte dos costumes dos envolvidos.

'Ciúme'

Mwendwa disse à BBC que ama a mulher e que o contrato cria limites para se vivier em paz

O correspondente da BBC em Nairóbi ─ capital do Quênia ─, David Okwembah, disse que a poliandria não é praticada em comunidades no Quênia.

Segundo ele, muitos ficaram chocados com o "casamento", argumentando que esse tipo de união não é aceitável em termos da cultura, religião ou lei queniana.

Defendendo o arranjo, Mwendwa disse ao programa Focus on Africa, da BBC, que embora possa estar desrespeitando a lei, tinha decidido assinar o acordo com Kimani para acabar com a rivalidade entre os dois.

"Poderia ser muito perigoso se o outro homem viesse à casa dela e me encontrasse... Então nosso acordo é bom porque impõe limites e nos ajuda a manter a paz".

Mwendwa e Kimani fizeram o acordo após perceberem que estavam ambos tendo um caso com a mulher, que vive no condado de Mombasa, segundo reportagem do jornal local Daily Nation.

Após presenciar uma briga entre os dois pretendentes, um policial da comunidade local, Adhalah Abdulrahman, convenceu ambos a se casarem com a mulher.

"Concordamos que a partir de hoje não vamos fazer ameaças ou sentir ciúmes por causa de nossa esposa, que diz não estar preparada para desistir de nenhum de nós", diria o texto do acordo, segundo o canal de televisão queniano NTV.

"Cada um vai respeitar sua parte no acordo. Concordamos em amar uns aos outros e viver em paz. Ninguém nos forçou a fazer esse acordo", diria também o documento.

'Juiz principal'

Mwenda disse que os pais da futura esposa já abençoaram a união. E contou que pretende pagar o preço da noiva.

A mulher em questão, uma viúva com dois filhos, não quis ser identificada.

Mwendwa disse à BBC que não se casou com a mulher para satisfazer desejos sexuais mas porque ele a ama e, mais importante ainda, porque ama os filhos dela.

"Nunca fui chamado de pai e os filhos dela me chamam de papai".

Ele disse que espera ter seus próprios filhos com a mulher, mas a decisão teria de partir dela.

"Ela é como o juiz principal. Ela pode dizer se me quer ou se quer meu colega", ele acrescentou.

A advogada queniana Judy Thongori, especializada em direito de família, disse ao jornal Daily Nation que as leis do país não proíbem explícitamente a poliandria.

"As leis que temos não falam sobre isso mas para que uma união como essa seja reconhecida no Quênia, isso tem de estar previsto em lei por estatuto ou precisa ser um costume. A pergunta que devemos fazer agora é se essas pessoas vêm de comunidades onde se pratica a poliandria", teria dito a advogada.

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