Itamaraty anuncia inquérito sobre entrada de senador boliviano no Brasil

  • 25 agosto 2013
Roger Pinto Molina na embaixada brasileira em La Paz (arquivo/Reuters)
Itamaraty prometeu inquérito sobre entrada de Molina no Brasil

O Ministério das Relações Exteriores anunciou neste domingo que vai abrir inquérito sobre a entrada do senador boliviano Roger Pinto Molina em território brasileiro.

"O Ministério está reunindo elementos acerca das circunstâncias em que se verificou a saída do senador boliviano da embaixada brasileira e de sua entrada em território nacional. O encarregado de negócios do Brasil em La Paz, ministro Eduardo Saboia, está sendo chamado a Brasília para esclarecimentos", informou o órgão em um comunicado em seu site.

O ministério acrescentou ainda que, além do inquérito, "tomará as medidas administrativas e disciplinares cabíveis".

O senador boliviano, que aguardava um salvo-conduto para sair do país, deixou a embaixada brasileira em La Paz no sábado e desembarcou em Brasília na madrugada de domingo.

Molina, que faz oposição ao governo do presidente Evo Morales, ficou quase 15 meses na embaixada, desde que pediu asilo ao Brasil. O salvo-conduto para sair da embaixada e viajar para o Brasil estava sendo negado pelas autoridades bolivianas, que alegavam que o senador responde a processos judiciais no país.

Sem mudança nas relações

O governo da Bolívia já se pronunciou sobre a chegada de Molina ao Brasil, afirmando que as relações bilaterais entre os dois países não serão afetadas.

A ministra da Comunicação boliviana, Amanda Davila, afirmou que o relacionamento entre Bolívia e Brasil continuará "em absoluto calor e respeito", segundo a Agência Boliviana de Informações (ABI).

"Este caso não afetará as relações com o Brasil. As relações entre Bolívia e Brasil serão mantidas em situação de absoluta cordialidade e respeito. O governo boliviano e o presidente Evo Morales sempre manifestaram todo o seu carinho e respeito à presidenta Dilma Rousseff e ao governo brasileiro", afirmou a ministra.

No entando, Davila afirmou que Molina está envolvido em pelo menos 14 crimes e tem manipulado as informações para dificultar as relações entre os dois países.

Além disso, o governo boliviano quer explicações sobre como Molina escapou da embaixada.

O parlamentar da província de Pando, região amazônica da Bolívia, se refugiou na embaixada brasileira em La Paz em 28 de maio de 2012, dez dias antes de receber asilo político pelo governo de Dilma Rousseff.

Roger Pinto Molina pediu refúgio na embaixada alegando "perseguição política" por acusar funcionários do governo de corrupção e conivência com o narcotráfico. Ele temia ser detido por algum dos processos que o governo boliviano move contra ele.

O advogado de Molina, Fernando Tibúrcio, afirmou à Agência Brasil que vai dar uma entrevista coletiva na segunda-feira para prestar esclarecimentos sobre a situação do parlamentar.

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