'Pagador de mico', Steve Ballmer vai deixar a Microsoft

  • 24 agosto 2013
Steve Ballmer (foto: Getty Images)
Executivo da Microsoft liderou empresa durante dificuldades.

Quatro palavras podem resumir os 33 anos de Steve Ballmer na Microsoft: "Eu amo esta empresa".

Elas foram gritadas a plenos pulmões durante uma agora infame apresentação no ano 2000 na qual um Ballmer animado em um palco tentava inspirar os funcionários da Microsoft. O vídeo do evento lhe rendeu o apelido de Monkey Boy, ou pagador de mico, e se tornou viral na internet.

Em outra apresentação ele suou puxando o coro: "desenvolvedores", "desenvolvedores", "desenvolvedores".

Ao anunciar que vai se aposentar nos próximos 12 meses, Ballmer, de 57 anos de idade, reafirmou sua paixão por meio de um e-mail endereçado a todos os funcionários da companhia. "Eu amo essa empresa", disse ele novamente. Mas, agora, o debate é: será que a companhia o amava?

Nascido em Detroit, Ballmer estudou matemática e economia em Harvard, onde se tornou um amigo próximo de Bill Gates, o fundador da Microsoft.

Em 1980, Gates contratou Ballmer para ser o primeiro gerente de negócios da empresa em uma época em que tinha apenas 29 funcionários.

Ele exerceu diversas funções na empresa ao longo dos anos, incluindo a de vice-presidente sênior de vendas e suporte, vice-presidente sênior de sistemas de software e vice-presidente de marketing.

E, no ano 2000, ele chegou ao cargo máximo, sucedendo Gates como chefe executivo.

Máquina de e-mails

Mas a "visão", como a empresa definiu, se manteve firmemente com Gates, e o legado de Ballmer em tecnologia não será como o do inovador Steve Jobs, mas o de um homem de vendas.

Na verdade, críticos afirmam que uma série de decisões erradas foram a fraqueza de seu mandado.

"A Microsoft teve uma década perdida, deixando escapar cada grande acontecimento", afirmou Dan Lyons, ex-editor de tecnologia da revista Business Week.

"É inacreditável a quantidade de oportunidades que a Micrsoft deixou escorregar pelos dedos".

Em 2007, dias após a apresentação do cofundador da Apple, Steve Jobs, que revelou o iPhone, Ballmer afirmou que o aparelho "não era uma máquina muito boa de e-mails" e não seria atrativo às empresas devido à falta de um teclado. "Nós temos ótimos celulares Windows", ele disse.

Hoje, aparelhos com sistemas da Apple e da Google dominam o mercado de smartphones – enquanto o Windows Phone amarga um pequeno crescimento.

Em outras áreas, como a de tablets, a empresa tem sido igualmente devagar.

De acordo com os números mais recentes, a Microsoft obteve apenas 562 milhões de libras (R$ 2 bi) em vendas do Surface, seu tablet lançado no ano passado com muita desenvoltura. No mês passado, a empresa registrou perdas US$ 900 milhões (R$ 2,1 bi) em aparelhos não vendidos.

"Nós produzimos um pouco mais do que conseguimos vender", disse Ballmer.

Xbox

Contudo, houve várias histórias de sucesso na empresa durante esse período.

Como chefe executivo, ele alimentou a divisão de entretenimento e aparelhos até se tornar o principal braço do negócio – sendo o Xbox o sucesso mais proeminente da companhia nos últimos anos.

Em suas palavras, é o trabalho da Microsoft com PCs que Ballmer entende como sua principal conquista.

Mas foi a percepção de sua confiança excessiva nesta parte do negócio que muitas vezes irritou os investidores.

Outros líderes da indústria dizem acreditar que, sob a supervisão de Ballmer, a Microsoft se tornou uma empresa dependente de pessoas que precisam de seus produtos, mas não necessariamente os desejam.

"Ele supervisionou o declínio da Microsoft", disse Jim McKelvey, cofundador da empresa de pagamentos por celular Square.

"A Microsoft continua escorregando para a irrelevância. É uma grande companhia que precisa de mudanças".

"Penso que eles se tornaram muito dependentes de um controle monopolístico. Quando a internet tornou os sistemas de operação menos relevantes, a Microsoft não pôde mais impor produtos medíocres às pessoas".

No entanto, sob a liderança de Ballmer a Microsoft triplicou sua receita e dobrou seus lucros. Ele próprio deve deixar a companhia com um patrimônio de US$ 15,2 bi (R$ 35,7bi).

Ao mesmo tempo, os investidores estão otimistas. As ações da Microsoft subiram 9% com a notícia de sua saída.