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Divisão do Fed mantém incertezas sobre fim de estímulo à economia

Atualizado em  21 de agosto, 2013 - 20:22 (Brasília) 23:22 GMT
Dólar / Foto: BBC

Após ata do Fed, dólar disparou e fechou na maior cotação frente ao real desde dezembro de 2008

Aguardada com grande expectativa pelo mercado, a ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), divulgada nesta quarta-feira, deu poucas pistas sobre o cronograma de redução dos estímulos à economia americana.

Os membros do Fed disseram estar "amplamente confortáveis" com os planos para interromper o programa de recompra de títulos do Tesouro dos EUA, mas não indicaram a data exata de quando as mudanças vão acontecer.

Desde 2009, o banco central americano recompra mensalmente US$ 85 bilhões (R$ 206 bilhões) em títulos do governo americano.

Os títulos públicos são usados pelos governos como forma de captar o dinheiro que necessita para financiar os gastos públicos não cobertos pela arrecadação de impostos. Em linhas gerais, o investidor "empresta" dinheiro ao Tesouro para recebê-lo depois, acrescido de juros.

Ao decidir recomprar esses títulos, o Fed injeta dinheiro no sistema, aumentando a liquidez da economia. Um banco que se desfaça desse ativo pode, por exemplo, usar o dinheiro da venda para conceder empréstimos ao consumidor, estimulando a economia.

Parte desse súbito excedente de dinheiro tem sido usado por investidores para aplicar em mercados onde pudessem obter maiores retornos – um desses mercados é o Brasil, que pratica uma das taxas de juros mais elevadas do mundo.

Essa é uma das razões para a recente valorização da moeda americana no mundo. No Brasil, influenciado pela ata do Fed, o dólar comercial – usado no comércio exterior – fechou o pregão desta quarta-feira cotado a R$ 2,451, o maior valor desde 2 de dezembro de 2008.

Segundo Andrew Walker, correspondente de economia do Serviço Mundial da BBC, a indefinição do Fed sobre a redução dos estímulos monetários é explicada em parte devido às diferentes visões dos membros do comitê sobre as perspectivas de inflação e de crescimento da economia do país.

Walker diz, no entanto, que a ata sugere que o fim dos incentivos está próximo.

Na ata, a maior parte dos membros disse que uma mudança no programa de estímulo "ainda não era apropriada", mas "poucos" apoiaram uma "ação rápida".

As autoridades do Fed afirmaram ainda que os dados econômicos mais recentes mostram sinais "contraditórios" sobre a economia, o que poderia levar a um adiamento do fim do programa de recompra de títulos.

Os membros do BC americano devem se reunir novamente em 17 de setembro durante dois dias. Após a reunião, o presidente do Fed, Ben Bernanke, concederá uma entrevista coletiva.

Incertezas no mercado

A divulgação da ata puxou para baixo os principais índices do mercado americano. O Dow Jones caiu 100 pontos alguns minutos depois de a ata ser publicada, embora tenha rapidamente recuperado as perdas. O S&P 500 e a Nasdaq, a bolsa eletrônica, registraram leve queda.

Para o estrategista-chefe da corretora S&P Capital IQ, Sam Stovall, a ata "aumentou a incerteza sobre quando a redução dos estímulos de fato acontecerá".

Depois que Bernanke insinuou planos para o fim da política monetária expansionista do BC americano, os juros da hipoteca aumentaram substancialmente, ameaçando a frágil recuperação do setor.

As autoridades do Fed reconheceram que a reação do mercado sobre a discussão de uma eventual redução dos estímulos tem sido volátil.

A próxima reunião do BC, em setembro, vai acontecer após uma enxurrada de dados sobre a economia americana, incluindo um novo relatório sobre o desemprego e estimativas revisadas do crescimento do país no segundo trimestre deste ano.

Os membros do Fed esperam que esses novos dados deem sinais mais claros sobre quando a redução dos estímulos deve começar.

Investidores preveem que a mudança na política monetária dos EUA deve acontecer até o final deste ano.

Bernanke afirmou, entretanto, que o cronograma dependerá da vitalidade da economia do país.

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