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'Polarização põe em xeque futuro do Egito'

Atualizado em  15 de agosto, 2013 - 05:18 (Brasília) 08:18 GMT
Exército e apoiadores da Irmandade Muçulmana entram em conflito no Cairo | Foto: Reuters

Exército agiu com brutalidade contra apoiadores de Morsi

Ambos os lados do conflito no Egito acreditam que o futuro do país esteja em jogo. Provavelmente, eles estão certos.

Os recentes eventos nas ruas do Cairo e em todo o país estão moldando a maneira como ele será tratado pelas próximas gerações.

A euforia que seguiu-se à queda do presidente Hosni Mubarak em fevereiro de 2011 já parece muito distante.

A sensação que prevalece agora é a de que "o vencedor leva tudo".

Irmandade Muçulmana

A Irmandade Muçulmana é uma orçanização islâmica que se opõe a tendências seculares e pretende retomar os ensinamentos do Corão, rejeitando qualquer influência ocidental. Em vários países, tem braços políticos. A organização foi fundada por Hasan al-Banna no porto de Ismailia em 1928 – depois se transferiu para o Cairo. A preocupação inicial era oferecer serviços sociais, construir mesquitas, escolas e hospitais. Ao longo das últimas décadas, a Irmandade Muçulmana tornou-se a mais importante força política fundamentalista do mundo sunita, coim representações em dezenas de países. Foi também o maior partido dissidente do Egito, passando da clandestinidade ao governo, para o qual foi eleito após a queda do regime liderado por Hosni Mubarak, que durou 40 anos. A Irmandade Muçulmana ficou apenas um ano no poder.

Antes que o presidente Mohammed Morsi, da Irmandade Muçulmana, fosse deposto e aprisionado pelas Forças Armadas, ele governava, não para todos os egípcios, ─ como tinha prometido ─ mas para seus partidários.

A Irmandade Muçulmana tentava chegar ao poder desde 1928. Ao invés de construir um consenso nacional, o presidente Morsi e a Irmandade estavam determinados a aproveitar suas chances de mudar o Egito à sua maneira.

Agora o chefe do Exército, general Abdul Fattah Al-Sisi e seus seguidores fazem o mesmo.

Eles dizem querer estabelecer uma política democrática, mas a brutalidade da ação contra a Irmandade Muçulmana parece mostrar que eles querem eliminá-la como força política.

Como sempre, os eventos no Egito estão sendo monitorados de perto por todo o mundo árabe.

Cerca de 18 meses atrás, a Irmandade e seus aliados em outros países pareciam ser os grandes vencedores das revoltas árabes, chegando em primeiro lugar nas eleições.

Mas agora a resposta negativa a eles pode se espalhar. A ação contra os acampamentos da Irmandade Muçulmana no Cairo não resolve a crise egípcia. Pode aprofundá-la.

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