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Republicanos já fazem campanha contra Hillary Clinton

Atualizado em  30 de julho, 2013 - 05:18 (Brasília) 08:18 GMT
Hillary Clinton | Foto: AP

Pesquisas dizem que Hillary teria maior apoio entre democratas

Mais de três anos antes das próximas eleições presidenciais nos EUA, um movimento já começa a chamar a atenção para a disputa: o de republicanos articulados em campanhas fora do partido contra uma possível candidatura da democrata Hillary Clinton à Casa Branca.

A ex-secretária de Estado americana ainda não anunciou se realmente pretende concorrer ao cargo, mas grupos que se opõem a ela afirmam que precisam estar preparados desde já, antes que seja tarde demais para impedir que "mais um Clinton" ocupe a presidência ─ o marido de Hillary, Bill Clinton, governou os EUA de 1993 a 2001.

"É crucial começar agora", disse à BBC Brasil Garrett Marquis, porta-voz de um dos grupos já em ação, o Stop Hillary PAC (sigla em inglês para Comitê de Ação Política, organizações que não são ligadas oficialmente a nenhum candidato ou partido, mas podem arrecadar fundos e fazer campanhas a favor ou contra candidatos ou causas).

"A máquina Hillary e Bill Clinton está pronta para agir no momento em que eles precisarem. Eles têm força desde o primeiro dia, assim que ela decidir quando será o primeiro dia. Nós precisamos estar prontos para enfrentá-la quando esse dia chegar", afirma.

Imagens negativas

Na semana passada, o Stop Hillary PAC divulgou na internet um vídeo de 50 segundos com imagens negativas sobre um possível governo Hillary.

No vídeo, uma voz feminina presta o juramento presidencial enquanto imagens de cerimônias de posse anteriores são intercaladas por palavras remetendo a escândalos aos quais Hillary esteve supostamente ligada, como o ataque ao consulado americano em Benghazi, na Líbia, quando ela era Secretária de Estado, que resultou na morte do embaixador americano no país, Christopher Stevens.

A força de Hillary

Embora tenha saído do governo federal em fevereiro deste ano, deixando a chefia da diplomacia americana para John Kerry, Hillary acumula um capital político de peso, que data desde o escândalo Monica Lewinsky, 15 anos atrás. Aos olhos dos liberais foi vista como a mulher que apesar de traída deu a volta por cima, tornou-se senadora e galgou sua ascensão política no país.

Já para o público mais conservador exemplificou o ideal da mãe e mulher firme, capaz de perdoar uma traição diante de todo o mundo. Sob qualquer interpretação, no entanto, sua reação ao escândalo solidificou a imagem de uma mulher forte e capaz de superar obstáculos e crises.

Ao longo dos anos ganhou destaque internacional, e à frente do Departamento de Estado ficou conhecida pelo pulso firme mas também surpreendeu deixando-se fotografar dançando e se divertindo.

Na frente eleitoral, embora não tenha formalizado a pré-candidatura, vem mostrando mobilização. Nesta semana a democrata tomou café da manhã com o vice-presidente, Joe Biden, e almoçou com o presidente americano, Barack Obama.

Em outro desdobramento, a CNN Films, uma divisão da rede de notícias americana, confirmou que fará um documentário sobre a vida da ex-senadora, que além de ser transmitido pelo canal deve chegar às salas de cinema de todo o país.

Formado em maio, o grupo é liderado pelo senador republicano Ted Harvey, do Estado do Colorado, e já vem arrecadando simpatizantes e contribuições financeiras para "assegurar que Hillary Clinton nunca se torne presidente dos EUA".

Segundo Marquis, o grupo vem buscando engajar "americanos preocupados (com um possível governo Hillary)" em todo o país, por meio de e-mails, redes sociais e telefonemas. Também estão previstos anúncios de rádio e TV.

"Nosso objetivo é parar Hillary Clinton e isso inclui não só as eleições presidenciais de 2016, mas também as eleições legislativas de 2014", diz.

"Onde quer que ela vá, dando apoio candidatos e fazendo discursos, nós iremos também, ajudando candidatos que concorram contra aqueles que ela apoia."

Caricatura

O Stop Hillary PAC é apenas o mais recente dos grupos conservadores a tornar pública sua campanha contra Hillary.

No mês passado, o PAC America Rising, liderado pelo coordenador da campanha presidencial do republicano Mitt Romney em 2012, Matt Rhoades, lançou o movimento Stop Hillary 2016, com o objetivo de "evitar outro governo Clinton, depois de oito anos com o presidente (Barack) Obama".

Segundo o cientista político Christopher Malagisi, professor de História do Movimento Conservador na American University, em Washington, o principal objetivo desses grupos é se antecipar e caracterizar Hillary da maneira como a veem, em vez de como ela própria tenta se apresentar.

"É uma oportunidade de formar uma caricatura do adversário antes que ele tenha a chance de definir sua imagem", disse Malagisi à BBC Brasil.

Apesar de Hillary ainda não ter anunciado se pretende concorrer em 2016, sua possível candidatura já tem o apoio oficial de nomes de peso no Partido Democrata, como a senadora Claire McCaskill, do Missouri, e de PACs como o Ready for Hillary, formado em janeiro.

Pesquisas indicam que Hillary é a favorita entre os possíveis pré-candidatos democratas e também contra possíveis candidatos republicanos na eleição geral.

"Nosso objetivo é parar Hillary Clinton e isso inclui não só as eleições presidenciais de 2016, mas também as eleições legislativas de 2014."

Garrett Marquis, porta-voz do Stop Hillary PAC

De acordo com uma pesquisa McClatchy-Marist, realizada pela empresa de comunicações McClatchy e o Instituto Marista de Opinião Pública e divulgada na semana passada, 63% dos democratas votariam em Hillary.

Segundo a sondagem, o possível candidato republicano com maiores chances contra Hillary na eleição geral seria o governador de Nova Jersey, Chris Christie. Ainda assim, Hillary ficaria à frente, com 47% dos votos, contra 41% de Christie.

Influência

Movimentos do tipo "Stop Hillary" não são novos. Antes das eleições de 2008, quando a ex-senadora concorreu pela indicação democrata contra Obama, também houve campanhas contra sua candidatura.

A diferença agora, diz Malagisi, é o crescente papel dos PACs nas eleições ─ especialmente a partir de 2010, quando a Suprema Corte dos EUA decidiu que os chamados Super PACs (PACs especiais) podem arrecadar fundos sem limites de indivíduos, empresas, sindicatos e outros grupos.

"Há muita gente olhando para 2012 e tentando ver o que deu certo e o que deu errado, para garantir que seus Super PACs sejam mais influentes. Eles pensam: 'Se formarmos um Super PAC agora, estaremos melhor preparados para 2016'", afirma.

Segundo Malagisi, ainda é cedo para medir a influência dos Super PACs nas próximas eleições.

"Mas com certeza serão um fator importante. Estamos apenas no começo do que será o papel dos Super PACs."

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