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Justiça inicia segunda etapa de julgamento do Carandiru

Atualizado em  29 de julho, 2013 - 04:34 (Brasília) 07:34 GMT
Protesto contra a violência da polícia no massacre do Carandiru (foto: AFP)

Condenados em primeira fase de julgamento do Carandiru recorrem em liberdade.

O julgamento da maior parte dos assassinatos ocorridos no episódio conhecido como "Massacre do Carandiru" começou nesta segunda-feira em São Paulo. Segundo o Tribunal de Justiça, o destino de 27 policiais militares, acusados de matar 73 presos durante uma rebelião no complexo do Carandiru, deve ser decidido até o final desta semana.

Essa é a segunda etapa do processo judicial, que tem 84 réus e foi desmembrado em quatro fases. A primeira ocorreu em abril, quando 23 policiais foram condenados a 156 anos de prisão por assassinar 13 detentos. Ela dizia respeito aos crimes ocorridos no primeiro andar do pavilhão nove, o local do massacre.

Os sentenciados dessa primeira etapa do julgamento receberam o benefício de recorrer da condenação em liberdade.

Grande parte dos policiais que estarão no banco dos réus a partir desta segunda-feira atuou no segundo andar do pavilhão e pertencia à controversa unidade policial conhecida como Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar) na época do massacre.

Formada hoje por cerca de 750 policiais, a unidade carrega fama de alta letalidade. Ela representa 1% do efetivo da corporação, mas entre 2007 e 2011 foi responsável por 14% dos cerca de 2.200 mortes cometidas pela PM nas ruas de São Paulo no período.

Júri

O julgamento deve começoucom a escolha dos sete jurados - todos eles homens. Eles passaram por exames médicos antes do início da sessão. Em abril, o julgamento sofreu uma série de atrasos depois que um dos jurados passou mal.

Serão ouvidas durante a semana oito testemunhas de acusação e quatro de defesa. Os depoimentos de outras três testemunhas de acusação e duas de defesa serão exibidos em vídeo para o júri.

O juiz responsável não será o mesmo da primeira fase. José Augusto Nardy Marzagão foi transferido para uma comarca no interior e será substituído pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo.

O promotor Fernando Pereira da Siva afirmou que a recente onda de desaprovação da sociedade contra as ações violentas da Polícia Militar durante a onda de protestos não deve influenciar os jurados. Na opinião dele, a Justiça está julgando os maus policiais e não a instituição da Polícia Militar.

A advogada de defesa Ieda de Souza afirma que os réus não deveriam ser condenados, entre outros fatores, porque não é possível individualizar suas condutas . Ou seja, uma vez que não há testemunhas e não foi feita a perícia nas armas dos crimes, seria impossível dizer, na prática, quem matou quem.

PCC

O massacre do Carandiru ocorreu no dia 2 de outubro, de 1992, quando detentos do pavilhão nove da Casa de Detenção fizeram uma rebelião.

A Tropa de Choque da polícia invadiu o edifício com armas letais, e 111 presos foram mortos.

Ao todo cinco acusados já morreram, inclusive o comandante da ação, o coronel Ubiratan Guimarães, que já havia sido julgado e inocentado.

Todos os acusados estão respondendo ao processo em liberdade.

O massacre na Casa de Detenção é apontado por analistas como uma dos fatores determinantes para a fundação da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).

O grupo criminoso teria se organizado inicialmente como o objetivo de lutar pelos direitos dos detentos e contra os abusos dos agentes do Estado e vingar as mortes no Carandiru.

A facção também passou a realizar uma série de operações criminosas, tais como assassinatos, roubos, aluguel de armas e tráfico de drogas.

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