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Jornada começa com chuva, filas e missa para 500 mil

Atualizado em  24 de julho, 2013 - 00:36 (Brasília) 03:36 GMT
Bandeiras na praia de Copacabana, durante missa da JMJ | Foto: Reuters

Bandeiras coloriram a praia de Copacabana em missa para mais de 500 mil pessoas

O primeiro dia da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) ─ sem a presença do papa Francisco ─ teve longas filas, metrô parado e uma missa que levou cerca de 500 mil fieis à praia de Copacabana, segundo estimativas preliminares da Polícia Militar do Rio de Janeiro. Tudo debaixo de chuva.

O evento, que é o maior encontro do mundo direcionado a jovens católicos, teve início nesta terça-feira e vai até o próximo domingo, dia 28 de julho.

O dia começou exigindo paciência dos peregrinos que quiseram retirar o chamado 'kit peregrino', que consiste em uma mochila, um livro abordando temas como aborto e homossexualidade, um cartão-alimentação e um vale-transporte, entre outros itens.

A espera mínima para receber o kit na fila do Sambódromo, no centro da cidade, era de cinco horas.

Milhares de fieis chegavam a todo momento ao local, onde as escolas de samba do Rio desfilam durante o Carnaval. Lá, enquanto o líder do grupo ao qual pertenciam permanecia de pé na fila, o restante aguardava sentado na pista central. A maioria dos participantes aproveitou o tempo livre para brincar e tirar fotos com jovens de outros países.

O casal paranaense Agnes Santin, de 25 anos, e Fernando Silvestro, de 28 anos, comemorou a retirada dos kits depois de mais de sete horas de espera. Naturais de Dois Vizinhos, no sudoeste do Paraná, eles chegaram ao Rio de ônibus.

Jovens de Liechtenstein no Rio | Foto: Luís Barrucho / BBC Brasil

Durante espera, participantes batiam papo com grupos de outros países

"Só tivemos tempo de passar na paróquia que nos acolheu, tomar café da manhã e vir para cá. Até agora, às 15h, ainda não almoçamos porque estávamos sem o cartão-alimentação."

O cartão-alimentação e o vale-transporte estavam incluídos em determinados pacotes da JMJ. Caso optasse pelo valor de inscrição mais alto, que incluía além dos benefícios a hospedagem em uma casa de família, o peregrino deveria desembolsar R$ 600.

Mas nem todos tiveram a sorte do casal paranaense. Ao fim da tarde, um grupo de 29 sergipanos, que tinha chegado ao local cinco horas antes, ainda aguardava na fila.

"Isso tudo está muito desorganizado. Estamos cansados. Tivemos de sair de madrugada de nossa cidade para pegar um voo de Sergipe para cá", criticou Adriana Linhares, de 30 anos.

Alheio às reclamações, um grupo do pequeno principado de Liechtenstein, entre a Áustria e a Suíça, tirava fotos e brincava com fieis de outras nacionalidades.

"Estamos hospedados em um hotel de Copacabana. Viemos para ver o papa e trocarmos experiências culturais. Estamos muito felizes. É a nossa primeira vez no Brasil", afirmou Gabriel Tiefenthaler, de 15 anos, à BBC Brasil.

Queda de energia

À medida em que anoitecia, os fieis que ainda permaneciam no Sambódromo, mas já haviam retirado seus kits, começaram a rumar em direção à orla de Copacabana, para a missa de boas-vindas aos peregrinos, presidida pelo arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta.

Iraquianos no Rio | Foto: Luís Barrucho / BBC Brasil

Iraquianos se surpreenderam com hospitalidade

No entanto, uma queda de energia de mais de duas horas afetou o metrô, surpreendendo a todos e inviabilizando a locomoção de milhares de peregrinos com destino à zona zul do Rio.

Sem o metrô, coube aos participantes optar pelos ônibus que passavam lotados rumo a Copacabana.

Mas nem o transporte nem a chuva fina, que insistia em cair desde o início do dia no Rio, foram capazes de afastar os fieis das imediações do palco montado em Copacabana, próximo ao Leme.

Para facilitar a locomoção dos devotos, a Prefeitura da cidade montou um esquema especial de trânsito, com o fechamento de ruas desde o início da tarde.

Bandeiras em Copacabana

Enquanto aguardavam pela missa, que começou por volta das 19h30 e durou quase duas horas, os jovens assistiram a apresentações musicais e aproveitaram para bater papo com peregrinos de outros países.

Bandeiras de diferentes nações do mundo serviam para identificar os devotos, colorindo a orla de Copacabana.

Para muitos participantes, a vinda para a JMJ coincidiu com a primeira visita ao Brasil. Era o caso dos amigos iraquianos Rasha Badria, de 24 anos, Muhanad Joseph, de 28 anos e Rowaid Nabeel, de 27 anos. Eles dizem ter se surpreendido com a hospitalidade brasileira e esperam levar de volta ao Iraque a experiência vivida no Rio.

Jovens peruanos no Rio | Foto: Luís Barrucho / BBC Brasil

Jornada reúne grupos de mais de 150 países

"Mais do que ver o papa, queremos aproveitar essa ocasião para fortalecer nossa fé em Cristo. Voltaremos ao Iraque repletos de novas experiências para melhorar nosso país, que vem sofrendo muito depois da guerra", afirmou Nabeel.

As amigas peruanas Anita Corredor, de 25 anos, e Lucerito Alvarado, de 22 anos, disseram ter ficado emocionadas com a multidão de jovens de diferentes países "unidos sob o mesmo idioma: a fé".

"Este é um momento único, em que podemos renovar a nossa crença no catolicismo", afirmou Anita.

Nesta terça-feira, o papa Francisco não teve compromissos oficiais. Ele passou o dia recolhido na Residência Assunção, no Sumaré, onde está hospedado, e rezou uma missa privada.

Na quarta-feira, o pontífice deve ir Aparecida do Norte, em São Paulo, pela manhã.

Ele retorna ao Rio na tarde do mesmo dia e inaugura uma ala de um hospital na zona norte voltada para o tratamento de dependentes químicos.

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