DNA pode esclarecer crime atribuído a serial killer após quase 50 anos

  • 12 julho 2013
O promotor Daniel Conley mostra um quadro com as provas relativas ao caso de Mary Sullivan (AP)
Pistas sobre a morte de Mary Sullivan permaneceram guardadas por décadas

Autoridades dos Estados Unidos anunciaram que um assassinato atribuído a um serial killer chamado de “o Estrangulador de Boston” e que permaneceu sem ser esclarecido por quase 50 anos pode estar prestes a ser explicado graças a exames de DNA.

Morto em 1973, Albert DeSalvo, que confessou ser o serial killer, foi acusado de ter estuprado e estrangulado uma mulher de 19 anos em janeiro de 1964, mas sua culpa no caso nunca foi comprovada.

Entretanto, um recente exame mostrou que o DNA do sobrinho de DeSalvo coincide com o de amostras encontradas no corpo e em um cobertor de Mary Sullivan, que teria sido a última vítima do serial killer.

Agora, os restos de DeSalvo serão exumados e seu DNA também será comparado ao de amostras encontradas para provar de forma ainda mais clara a culpa de Albert DeSalvo.

"Nós podemos ter resolvido um dos crimes em série mais famosos do país", disse Martha Coakley, a procuradora-geral de Massachusetts, durante uma entrevista coletiva na sede da Polícia de Boston, segundo o jornal The New York Times.

Um longo processo

Durante cerca de 20 meses, entre 1962 e 1964, 11 mulheres com idades entre 19 e 85 anos foram assassinadas em suas casas em Boston e cidades próximas, muitas das quais também sofrendo violência sexual.

DeSalvo, um pai de família e militar veterano, confessou ter matado as 11 vítimas atribuídas ao "Estrangulador de Boston" e também outras duas vítimas. Mas ele nunca foi condenado por estas mortes por falta de provas.

Em vez disso, ele foi sentenciado à prisão perpétua devido a uma série de assaltos a mão armada e ataques sexuais. Ele depois negou ter cometido os assassinatos e foi morto a facadas na prisão.

As provas dos crimes ocorridos na década de 60 ficaram guardadas durante décadas até que, em 1998, o investigador Donald Hayes, da polícia de Boston, redescobriu o paradeiro do cobertor onde fora encontrado o corpo de Sullivan. Ele havia sido guardado em caixas que continham objetos relacionados ao caso.

No início da década seguinte, na esperança de reabrir a investigação, a polícia solicitou que mostras retiradas do corpo de Sullivan durante a autópsia fossem também encontradas.

Albert DeSalvo (Foto AP/Arquivo: 25 de fevereiro de 1967)
DeSalvo confessou os crimes, mas nunca foi provado que ele era o 'Estrangulador de Boston'

Uma análise do material genético encontrado no cobertor e nas mostras da autópsia foi então feita, mas se mostrou inconclusiva na tentativa de identificar qual outra pessoa havia estado na cena do crime. Assim, as amostras então foram guardadas novamente à espera de mais avanços tecnológicos que permitissem alguma evolução no caso.

No ano passado, os investigadores enviaram as amostras para dois laboratórios particulares para mais exames e, desta vez, conseguiram um perfil do DNA de um homem desconhecido.

Estas amostras de DNA combinaram com uma amostra retirada de uma garrafa de água usada e jogada fora por um sobrinho de DeSalvo, que os investigadores conseguiram ao seguí-lo. Os investigadores disseram que usaram um exame para detectar cromossomos masculinos passados de geração em geração e que o resultado foi um correspondência de 99,9% entre o DNA retirado do corpo de Sullivan e o do sobrinho.

A Justiça de Boston deu permissão na quarta-feira para a exumação dos restos de DeSalvo para que uma identificação final seja feita. O processo todo pode ser concluído no começo da próxima semana.

Dúvidas persistentes

As autoridades de Boston sempre discutiram se DeSalvo era mesmo o responsável por todos os assassinatos que inicialmente confessou.

Daniel Conley, o promotor público do condado de Suffolk, no Estado de Massachusetts (onde fica Boston), afirmou que espera que os exames de DNA mostrem que o DNA de DaSalvo corresponde em 100% ao encontrado nos restos de Sullivan.

"Durante quase cinco décadas, a única ligação entre Albert DeSalvo e o assassinato de Mary Sullivan era a confissão dele. Aquela confissão era alvo de ceticismo e polêmica quase desde o momento em que foi feita", afirmou Conley a jornalistas.

No entanto, a família de DeSalvo não ficou satisfeita com o fato de a polícia ter seguido o sobrinho de DaSalvo. Elaine Sharp, advogada da família, afirmou que os clientes acreditam que, mesmo que exista 100% de correspondência do DNA, ainda há espaço para dúvidas.

A advogada acrescentou que exames particulares revelaram a presença de DNA de outro homem, que não combinava com o DNA de DeSalvo.

As autoridades, por outro lado, salientaram que os testes de DNA ligam DeSalvo apenas ao assassinato de Mary Sullivan, pois não há amostras de DNA nos outros casos.

A polêmica sobre DeSalvo ser ou não o assassino em série chegou também à família de Sullivan. O sobrinho da vítima, Casey Sherman, acreditava que DeSalvo não era o assassino de sua tia e até escreveu um livro explorando a possibilidade de outros suspeitos.

Mas Sherman afirmou que as novas provas apresentam provas convincentes de que ele era, de fato, o assassino em série.