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Cientistas usam app de smartphone para ajudar a prever terremotos

Atualizado em  10 de julho, 2013 - 18:30 (Brasília) 21:30 GMT
Placa em Venice Beach, Califórnia, alerta para risco de tsunami (Getty Images)

Moradores da Califórnia recebem instruções em caso de tsunami ou tremor

Cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos, criaram um aplicativo que transforma o acelerômetro de smartphones em um sismógrafo de bolso, com o objetivo de alertar sobre terremotos.

Os atuais sistemas de alerta de terremotos contam com sensores espalhados em uma região específica, que captam a atividade sísmica quando o tremor começa. Os dados captados são enviados para centros de processamento, que calculam a intensidade do terremoto e o tempo necessário para o tremor atingir outras áreas. Em seguida, são emitidos alertas.

O sistema com os smartphones é mais básico, mas trabalha com os mesmos princípios.

Richard Guy, que gerencia a Rede Comunitária Sísmica do Caltech, conta que o projeto complementa os serviços formais de monitoramento.

"Na região de Pasadena (Califórnia), uma comunidade relativamente pequena, temos centenas de voluntários a quem demos um acelerômetro pequeno e barato que é, na verdade, um sismógrafo", afirmou. Esses dispositivos são ligados a um computador ou a um roteador e captam as vibrações causadas pelos tremores.

"(Mas) a atração dos smartphones é que eles já têm muitas coisas incluídas. O acelerômetro já está no telefone, o qual também identifica a localização do usuário. E, claro, seu smartphone sabe exatamente que horas são", disse Guy.

Movimento normal x terremoto

Sensor para ligar ao PC (Foto: Richard Guy)

Muitos dos dispositivos nunca foram ligados aos PCs

No entanto, Guy alerta para a qualidade do acelerômetro, que "com certeza não a mesma de um dispositivo de computador".

Outro desafio para o smartphone é distinguir um movimento normal das vibrações de um terremoto. É preciso analisar dados e depois mandá-los de volta aos usuários.

"Então, o telefone que o recebe diz: 'Sei onde estou, sei onde começou (o tremor), sei a diferença de tempo de quando o evento começou, sei que horas são agora. Meu pequeno aplicativo pode então fornecer um alerta para o usuário, dizendo: 'Você tem tantos segundos antes de uma onda destruidora chegar'", explicou Guy.

No momento, o aplicativo ainda é um protótipo. Sua implementação no estado da Califórnia depende de autorização estatal, pois o risco de litígios é grande. Um exemplo seria uma pessoa se ferir durante um alarme falso, segundo Guy.

Assim, o alvo deste aplicativo seriam países em desenvolvimento com alto risco de terremotos, mas sem um sistema de alerta, e onde os telefones celulares sejam comuns.

Rede de computadores

O irmão mais velho do projeto é a Rede do Sistema de Alerta Sísmico integrado da Califórnia.

"A rede de sisgmógrafos é, na verdade, uma rede de computadores", afirmou o diretor do Laboratório de Pesquisa e Engenharia de Terremotos do Caltech, Tom Heaton. "Monitoramos tremores em cerca de 400 estações no oeste dos EUA e temos acesso a informações cerca de um segundo depois de o tremor ocorrer."

"Estamos criando um software que faz o tipo de análise que um humano faria caso tivesse tempo e ficasse acordado o tempo todo - é o chamado engenheiro sismólogo virtual", prosseguiu.

Richard Guy (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Richard Guy, smartphones são práticos pois são fáceis de usar

O sistema de alerta já provou que funciona e, no Caltech, os cientistas pesquisam maneiras de enviar alertas para dispositivos inteligentes, o que inevitavelmente envolveria um aplicativo para smartphone.

"O aplicativo recebe a notificação de que um terremoto ocorreu e pode projetar quando o tremor vai chegar ao telefone e qual será sua força. Então, o celular pode começar a contagem regressiva e dizer: 'tremor em 10,9,8...' e até dar alguma ideia - tremor forte ou fraco, dependendo do que vamos antecipar."

Exemplo japonês

Enquanto o sistema americano ainda espera um projeto de lei, apresentado ao Legislativo da Califórnia, para ser implementado, o Japão já provou que essa tecnologia funciona.

O país tem um sistema de alerta eficaz administrado por sua Agência Meteorológica. Graças a aplicativos como o Yurekuru Call, alertas de terremotos podem ser enviados a smartphones.

Mas, em março de 2011, o nordeste do Japão sofreu com o terremoto mais forte de sua história, com magnitude 9.0, seguido de um tsunami que inundou parte de sua costa. Acredita-se que 20 mil pessoas tenham morrido.

O sistema de alerta certamente salvou vidas. Mas o desastre foi simplesmente grande demais e o alerta de tsunami, que leva mais tempo para ser gerado, deu apenas 15 minutos para as pessoas alcançarem terras mais altas.

Moradoras rezam para vítimas de terremoto no Japão em 2011 em  Iwaki, cerca de 30 km da usina de Fukushima, atingida pelo Tsunami (Reuters)

Japoneses tinham aplicativos de alerta de terremoto, mas, em 2011, o tremor e o desastre foram grandes demais

Outros aplicativos já ajudam os usuários em casos de desastres naturais. A Cruz Vermelha americana lançou vários, um deles voltado para terremotos, que usa informações da agência americana US Geological Survey e envia alertas aos usuários.

Além disso, o aplicativo inclui informações de eventos posteriores, como incêndios e tsunamis, e envia alertas para a família e amigos do usuário avisando que ele está bem.

Outros aplicativos disponíveis são o Earthquake Buddy, que emite alerta e coordenadas de GPS para quatro contatos se um telefone detectar um terremoto e, para quem mora na Califórnia, o aplicativo MyFault mostra áreas mais sujeitas a deslizamento de terra.

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