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Análise do uso do Twitter revela ‘mapa’ de protestos no Brasil

Atualizado em  11 de julho, 2013 - 16:28 (Brasília) 19:28 GMT
  • Foto: Labic
    Um levantamento feito pelo Laboratório de estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic), mapeia o crescimento da participação de brasileiros no Twitter no debate sobre os protestos. A imagem acima mostra a quantidade de pessoas que estão retuitando (compartilhando posts alheios) com a palavra "tarifa", sobre a manifestação contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo no dia 13 de junho, minutos antes do conflito com a polícia. "O retrato dessa rede é a genealogia, o momento inicial do conflito no Brasil. Acho que é a partir daí que se multiplicam as hashtags e o conflito em outros estados", diz Fabio Malini, coordenador do Labic.
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    Assim que começa o conflito entre manifestantes e policiais, a atividade na rede se intensifica. "As pessoas começam a dar depoimentos sobre o que está acontecendo e a compartilhar depoimentos de outras", explica Malini. Os pontos no gráfico são os perfis ativos e as linhas vermelhas mostram as "relações" entre eles através do site. Os pontos que aparecem mais fortes e mais ao centro são perfis mais ativos na discussão, de pessoas que são consideradas "autoridades" na rede ou de grupos de mídia, de acordo com Malini.
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    Nos dias 16 e 17 de junho, quando as manifestações se espalharam por todo o país, o Labic passou a monitorar a palavra Dilma no Twitter. O gráfico acima mostra cerca de 49 mil "retweets" com o nome da presidente. "Para minha surpresa, encontrei três grandes grupos, que aparecem em cores diferentes.", explica Malini. "O primeiro grupo, azul, é de perfis mais vinculados à oposição, de crítica a Dilma. O grupo vermelho é o mais favorável e mobilizado na defesa da política do governo Federal. Os que aparecem em rosa são veículos de comunicação. Eles aparecem mais como difusores, porque os dois lados compartilham as notícias. A novidade é o grande conglomerado verde, que falam de pautas que os outros não falam. Por exemplo, a questão indígena e ps grandes projetos de desenvolvimento."
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    No levantamento mais recente, o Labic analisou mais de um 1 milhão de tweets em português com a palavra "protesto" entre os dias 15 de junho e 09 de julho. Acima, é possível ver as "autoridades supremas" ─ perfis cujas mensagens foram compartilhadas até mesmo pelos mais populares do Twitter. “São perfis que participaram intensamente da rede do momento dos protestos, possivelmente mantendo uma publicação contínua", explica Malini.
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    A imagem acima mostra as hashtags mais usadas durante os períodos. Quanto maior a palavra, maior o número de menções.
  • Foto: Labic
    O gráfico acima mostra as palavras que mais apareceram nos tweets, além de protesto. "Os verbos de convocação como 'vai' e 'ir', demonstram que os conteúdos públicados possuem uma conotação de mobilização política. A demarcação do advérbio 'hoje' se relaciona com convocatórias de mobilização, de atos. É uma gramática da rua que a rede reflete", diz Malini. A palavra "globo", uma referência à Rede Globo, indica que os protestos "miram na estrutura tradicional de noticiar, e a Globo acaba por levar a culpa por toda a estrutura brasileira de mídia", de acordo com o pesquisador.
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    O grupo também distribuiu os tweets pelo país em um mapa. Somente 10% do total, no entanto, contém informações sobre a localização dos usuários. Malini chama a atenção para o fato de que o mapa de tweets tem uma configuração muito semelhante ao mapa do acesso à banda larga no país, criado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br)."Os movimentos sociais aprenderam que a internet é estratégica para dar força de comoção às suas lutas. Em compensação, todo um conjunto de protestos foi eclipsado pela falta de acesso a banda larga e rede 3G de qualidade", disse.
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    O número de tweets com a palavra "protesto" atinge o ápice no dia 17 de junho, quando ultrapassa a marca de 300 mil. Nos dias subsequentes a menção à palavra cai dramaticamente.
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    Da mesma forma, o número de perfis de Twitter participando de discussões sobre os protestos foi maior entre os dias 16 e 19 de junho. A queda em ambos os gráficos, no entanto, mostra apenas que o foco do debate mudou após a diminuição dos protestos. "O universo vocabular tem mudado para (palavras como) assembleia, plebiscito, greve geral, etc.", explica Fabio Malini. Fotos: Labic

Ativismo em rede

Uma análise da atividade dos brasileiros no Twitter durante a onda de protestos que atingiu o país no mês de junho fornece um "mapa" da intensidade dos protestos e revela detalhes sobre a mobilização das pessoas por meio das redes sociais.

Pesquisadores do Labic (Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura), em Vitória, no Espírito Santo, analisaram as conexões criadas entre usuários do Twitter nos principais dias de protesto e as palavras de ordem mais ecoadas na internet.

Os posts de usuários do Twitter, o segundo site de rede social mais acessado no Brasil, mostram a pluralidade de temas relacionados aos protestos e a evolução do debate sobre as manifestações em palavras-chave e hashtags ─ desde "tarifa" a "Dilma".

As redes sociais foram consideradas o motor dos últimos grandes protestos de massa em países como a Turquia, com os protestos contra a destruição do Parque Gezi; a Espanha, com o movimendo dos indignados em 2011, e nos Estados Unidos, com o movimento Occupy Wall Street, em 2010.

No Brasil, boa parte dos atos de protesto foi organizada em páginas de eventos no Facebook e acompanhada em tempo real por depoimentos, fotos e vídeos postados no Twitter, pelos celulares dos manifestantes. Em comum, eles tinham hashtags como #vemprarua e #ogiganteacordou.

"A emoção gerada nas ruas entra na internet, via celular, e causa comoção, solidariedade. E isso vai sendo disseminado, contaminando os seguidores de quem compartilhou ou deu um deu um RT (retweet) na mensagem", disse Fabio Malini, professor da Universidade Federal do Espírito Santo e coordenador do Labic, à BBC Brasil.

"E isso fica tão intenso que gera uma mobilização e volta para as ruas, já que mais gente resolve sair para protestar. Assim, o ciclo recomença. É algo que se retroalimenta."

Clique Leia mais na BBC Brasil: Protestos mostram apropriação de slogans publicitários para fins políticos

Agitação crescente

Gráficos que mostram o debate no Twitter em torno das tarifas de transporte público em São Paulo no dia 13 de junho mostram a ativação da rede social minutos antes e logo após o início do confronto dos manifestantes com a polícia ─ tido como o episódio que "espalhou" os protestos pelo resto do país.

"O retrato dessa rede é a genealogia, o momento inicial do conflito no Brasil. Acho que é a partir daí que se multiplicam as hashtags e o conflito em outros estados. No momento do confronto, a rede se intensifica e as pessoas começam dar seus depoimentos e compartilhar depoimentos sobre o que estava acontecendo", afirma Malini.

Assim que o confronto começa, os relatos de violência policial ganham a rede na forma de tweets ─ muitas vezes acompanhados por fotos e vídeos, naquela ocasião, incluindo manifestantes e jornalistas feridos ─, e a temperatura da discussão online aumenta.

A partir do dia 13, segundo Malini, o nome da presidente Dilma Rousseff passa a ser mais mencionado no site, ao mesmo tempo em que manifestantes e defensores dos protestos começam a dizer que a luta não era somente por R$ 0,20, mas também por melhores serviços públicos e contra a corrupção.

No dia 17 de junho, quando aconteceram cerca de 30 manifestações em todo o país, a análise do Labic já mostra "aglomerados" de pessoas que apoiam e que criticam o governo federal, além do papel da mídia dentro do debate.

"A mídia aparece aqui mais como difusora de informações do que associada a um dos lados. As notícias colocadas no Twitter são compartilhadas por ambos os lados para enfatizar seus argumentos", explica o pesquisador.

Além de críticas e defesas do governo, outro grupo de usuários "verbaliza pautas que os dois grandes grupos (de oposição e apoio ao governo) não mobilizam, como a questão dos índios e dos grandes projetos de desenvolvimento, a questão da mobilidade urbana e a crítica aos gastos da Copa".

Celulares

Entre 16 e 19 de junho, a participação no Twitter atinge seu ápice ─ quase 170 mil perfis participam das discussões. Também no Facebook, segundo um levantamento da consultoria Serasa Experian divulgado pelo jornal Valor Econômico, a taxa de participação (perfis de usuários que tiveram atividade) dos brasileiros chegou a 70%, o terceiro maior índice do ano.

A partir de então, o levantamento do Labic mostra uma queda acentuada no número de tweets e de usuários falando sobre protestos. Mas, longe de indicar o fim da mobilização política, a análise mostra somente que o foco do debate mudou após a diminuição dos protestos, de acordo com Fabio Malini. "O universo vocabular tem mudado para (palavras como) assembleia, plebiscito e greve geral."

Um retrato do papel dos celulares na difusão dos protestos também aparece na análise do Labic.

Malini chama a atenção para o fato de que o mapa da distribuição de tweets sobre os protestos no território nacional ─ feito com cerca de 10% da amostra, que continha dados de localização ─ tem uma configuração muito semelhante ao mapa da banda larga no país (Clique veja aqui), criado pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br).

"O acesso à internet 3G era fundamental para registrar e dar visibilidade ao protesto", diz o pesquisador. "Os movimentos sociais aprenderam que a internet é estratégica para dar força de comoção às suas lutas. Em compensação, todo um conjunto de protestos foi eclipsado pela falta de acesso a banda larga e rede 3G de qualidade."

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