FMI reduz previsão de crescimento do Brasil e alerta para desaceleração

  • 9 julho 2013
Cédula de 50 reais (Reuters)
Para o Brasil, a estimativa de crescimento do Fundo é de 3,2% ou 0,8 ponto percentual a menos que a previsão de abril

O FMI alertou nesta terça-feira para os "riscos elevados" de uma desaceleração nos países emergentes como fator de contenção do crescimento da economia global neste ano.

Estes riscos, agora mais fortes do que há apenas três meses, explicam uma diminuição das projeções de crescimento para este ano, junto com a recessão que continua se abatendo sobre a zona do euro e o efeito negativo do aperto fiscal sobre a economia americana, disse o órgão.

Em sua atualização do relatório Panorama Econômico Global, o Fundo prevê que a economia mundial crescerá 3,1% em 2013, uma revisão de 0,2 ponto percentual para baixo em relação às previsões do último relatório, em abril.

Algumas das revisões mais acentuadas estão entre os emergentes: prevê-se que o Brasil cresça 2,5% neste ano (meio ponto percentual a menos que na última previsão).

A previsão para o crescimento de praticamente todos os emergentes, incluindo China, Índia, Rússia, África do Sul e México, também foi revista para baixo.

Como conjunto, os emergentes devem crescer 5%, disse o FMI. Enquanto isso, a economia americana deve se expandir 1,7% e a zona do euro, retroceder 0,6%.

'Abaixo do esperado'

"O desempenho abaixo do esperado se dá por três fatores. Primeiro, o crescimento continua a decepcionar nas principais economias emergentes, refletindo, em graus diversos, gargalos de infraestrutura e outros problemas de capacidade, menor crescimento da demanda externa, preços de commodities mais baixos, preocupações com a estabilidade financeira global e, em alguns casos, suporte político débil", explica o relatório.

"Segundo, a recessão na zona do euro foi mais profunda que o esperado (...) Terceiro, a economia americana se expandiu a um ritmo mais lento, na medida em que a consolidação fiscal pesou na melhora da demanda privada."

No ano que vem, o Fundo prevê que a economia global cresça 3,8%. Para o Brasil, a estimativa é de 3,2% ou 0,8 ponto percentual a menos que a previsão de abril.

Como saída para o crescimento lento, o FMI recomenda que os países avançados adotem políticas que não abandonem a sustentabilidade fiscal, mas apoiem a recuperação da demanda econômica e do crescimento no médio prazo.

Para os países emergentes, a recomendação é preparar-se para a retirada dos estímulo monetário nos EUA, o que pode diminuir o fluxo dos capitais financeiros para as economias em desenvolvimento.