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Com vitória de Murray, Grã-Bretanha espera retomada do tênis

Atualizado em  7 de julho, 2013 - 20:01 (Brasília) 23:01 GMT
Andy Murray (AFP)

Vitória de Murray em Wimbledon é considerada histórica para esporte britânico

O tenista escocês Andy Murray fez história neste domingo, ao vencer o sérvio Novak Djokovic e se tornar o primeiro britânico campeão de Wimbledon desde Fred Perry, em 1936.

Comparações são sempre tolas, mas o feito de Murray tem sido comparado, por exemplo, à conquista da Copa do Mundo de 1966 pela Inglaterra.

Para os britânicos, abrigar o principal torneio de tênis do mundo sem vencê-lo durante tantas décadas era um motivo de vergonha. Agora, Wimbledon, o tênis britânico e o país têm o campeão com o qual sonharam.

Sua vitória é ainda mais memorável pelo fato de ocorrer durante uma espécie de "era de ouro" do tênis masculino. Rafael Nadal e Roger Federer foram eliminados nas primeiras partidas do torneio deste ano, mas Djokovic, o número um do mundo, chegou até a final.

Mudanças de rumo

Em meio aos festejos, o país reflete sobre como o escocês conseguiu vencer apesar da enorme pressão e das expectativas que pesavam sobre ele. E logo os britânicos começarão a questionar se a vitória de Murray poderá inspirar uma mudança de rumo no tênis.

Isso porque a conquista deste domingo ofusca o atual estado do esporte. Aos 26 anos, Murray chegou ao topo do pódio não por causa da Associação de Tênis de Grama britânica e dos programas de incentivo ao esporte, mas sim apesar deles.

Murray e seus familiares escolheram tirá-lo do sistema britânico e treiná-lo em uma academia em Barcelona (Espanha). E, enquanto o escocês avançava, o tênis britânico parecia ir em direção inversa. Fora Murray e a tenista Laura Robson, nenhum outro britânico passou da primeira fase do torneio.

O próprio Murray citou essa preocupação em declarações durante a competição: "Não há muita profundidade (no tênis britânico) no momento, isso está claro. Gostaria que houvesse mais jogadores (do país) entre os 100 melhores, mas não é o caso."

A associação de tênis britânica cita avanços nas categorias de base, inclusive na Copa Davis. Agora, espera-se que esses avanços sejam fortalecidos com a vitória de Murray.

Ao mesmo tempo, a associação tem o desafio de usar o feito deste domingo para aumentar o interesse do público pelo esporte e desvencilhar-se de sua imagem de elitista.

Mas os dados até agora não são animadores. Estima-se que o número de adultos britânicos que jogam tênis uma vez por semana tenha caído de 487 mil em 2008 par 424 mil atualmente. Como consequência, parte dos financiamentos públicos ao esporte foi cortada.

A associação rebate dizendo que as perspectivas são positivas e que há mais pessoas se cadastrando para jogar tênis nas quadras comunitárias do país.

A percepção agora é de que Andy Murray deu uma oportunidade de ouro ao tênis britânico - e o esporte tem de se esforçar para tirar disso o melhor proveito possível.

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