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Para onde caminha o Egito?

Atualizado em  2 de julho, 2013 - 22:18 (Brasília) 01:18 GMT
Protestos no Egito / Reuters

Manifestante pede a renúncia do presidente Mohammed Morsi no Egito

Mais de dois anos após a onda de protestos que culminou com a renúncia do ex-presidente Hosni Murabak, o Egito passa por um novo momento de incertezas, devido às manifestações convocadas por populares pedindo, dessa vez, a cabeça do atual líder egípcio, Mohammed Morsi.

A BBC teve acesso a detalhes do ‘mapa’ desenhado pelos militares para o futuro do Egito, que inclui, entre outras coisas, a suspensão da nova Constituição e a dissolução do Parlamento.

No dia anterior, as Forças Armadas haviam dado a Morsi um ultimato de 48 horas para que ele respondesse às demandas dos populares. O prazo termina às 10h30 da quarta-feira no Brasil.

Nesta terça-feira, o presidente egípcio rejeitou a ordem dos militares e disse que não vai renunciar, alegando ser contra qualquer afronta à democracia. Autoridades afirmaram que já no início desta quarta-feira ao menos 16 pessoas foram mortas em uma manifestação de suporte a Morsi.

Para entender o atual cenário do país, a BBC fez uma lista de perguntas e respostas.

A que se deve a nova crise?

O descontentamento começou em novembro do ano passado, quando o presidente do Egito, Mohammed Morsi, promulgou um decreto pelo qual extendia mais poderes para si mesmo. Desde então, houve uma cisão política no país. De um lado, Morsi e a Irmandade Muçulmana; de outro, movimentos revolucionários e liberais.

Essa divisão política foi propiciada por uma constituição polêmica, escrita por um painel dominado por islamitas.

O fato foi agravado pelo que a oposição chamou de decisão unilateral adotada pelo governo. Alguns alegaram que muitos dos membros da Constituinte egípcia foram indicados pela Irmandade Muçulmana com base em critérios que privilegiaram a lealdade à competência.

Enquanto isso, a população egípcia continuou sofrendo com as condições precárias da economia e a falta de leis e da Justiça.

Quem são os manifestantes?

Os manifestantes foram convocados por um movimento batizado de Tamarod, organizado por um grupo de jovens apartidários no início de maio.

O movimento diz que coletou mais de 22 milhões de assinaturas reivindicando a renúncia de Morsi.

Milhões de egípcios descontentes com a piora nas condições sócio-econômicas responderam à convocação com um protesto no último dia 30 de junho, o primeiro aniversário da posse de Morsi no cargo.

A sua principal reivindicação é a antecipação das eleições presidenciais.

Qual será o papel das Forças Armadas?

Cronologia da crise no Egito

Desde que o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak renunciou, em março de 2011, em meio à onda de protestos posteriormente conhecida como Primavera Árabe, o Egito vive um cenário de turbulência econômica e social, abrandado apenas nos dias seguintes à eleição de Mohammed Morsi como presidente do país.

Nos últimos dias, entretanto, novos protestos varreram o Egito, convocados por um movimento que reivindica a renúncia de Morsi.

Em meio às manifestações populares, as Forças Armadas deram um ultimato de 48 horas ao líder egípcio na última segunda-feira: ou ele responde às demandas do povo ou os militares intervêm no país.

A BBC teve acesso a detalhes de um plano desenhado pelas Forças Armadas para tomar o poder, o que incluiria a suspensão da nova Constituição e a dissolvição do Parlamento.

Nesta terça-feira, Morsi rejeitou o ultimato dos militares, que termina na quarta-feira, alegando ser contra qualquer intimidação à democracia.

As Forças Armadas podem intervir se o presidente Morsi e seus opositores fracassarem em responder à demanda da população.

Foi dado um ultimato de 48 horas aos grupos rivais para chegarem a um consenso.

Indiretamente, as Forças Armadas também pediram a Morsi que dê uma resposta concreta aos anseios da população. Caso contrário, os militares informaram que terão de intervir para construir uma alternativa para o futuro do país.

No entanto, negaram qualquer intenção de protagonizar um golpe.

O que Morsi está dizendo?

Apesar de admitir que cometeu alguns erros, Morsi insinua que os protestos foram motivados por ex-membros do antigo regime e seus associados. Ele também culpa a oposição por não responder a seus pedidos para a construção de um diálogo nacional. Tais indicações ficaram claras em um pronunciamento à nação em 26 de junho deste ano.

Desde então, Morsi não é visto em público, mas disse, por meio de uma declaração na conta da presidência do Egito no Facebook, que se ateria a seus planos de reconciliação nacional em detrimento de dar uma resposta ao ultimato dos militares.

Ele diz que isso envolveria a comunicação com todas as forças políticas para a construção de um consenso. Ele acrescenta que não foi consultado sobre a declaração das Forças Armadas, que vê como uma forma de aprofundar a divisão e fomentar a confusão entre a população.

Quais são as opções de Morsi?

As Forças Armadas colocaram Morsi em uma sinuca de bico.

O presidente egípcio se vê obrigado a ouvir as demandas da população e oferecer-lhe uma solução.

Ele tanto pode convocar uma eleição presidencial antecipada, como um referendo, ou mesmo promover uma reforma em seu gabinete.

Para onde caminha o Egito?

O Egito vive um período de instabilidade, que pode ser agravado se as Forças Armadas decidirem tirar Morsi do poder, mesmo contra a vontade dos seus apoiadores islamitas.

Se Morsi renunciar e uma eleição presidencial for convocada antecipadamente, a Constituição egípcia prevê que o primeiro-ministro deverá administrar o país enquanto a cadeira estiver vazia.

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