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Diálogo com Talebã divide opiniões em Washington

Atualizado em  18 de junho, 2013 - 15:36 (Brasília) 18:36 GMT
Soldado da Otan em Cabul, Afeganistão (Reuters)

Soldados da Otan estão entregando o poder ao governo afegão

Autoridades dos EUA descrevem o anúncio do presidente americano, Barack Obama, de que irá iniciar negociações com o Talebã – a milícia radical islâmica que governava o Afeganistão até 2001 e que resiste às tropas da Otan no país - como um marco no caminho para a paz.

Outros verão a iniciativa mais como se fosse uma traição.

Depois de mais de dez anos de guerra no Afeganistão, a Casa Branca anunciou nesta terça-feira que os Estados Unidos vão abrir uma negociação de paz direta com a milícia já nos próximos dias.

O encontro vai ocorrer em Doha, no Catar, onde os rebeldes afegãos mantém um escritório oficial.

O presidente afegão, Hamid Karzai, afirmou que seu governo também vai enviar uma delegação a Doha para participar da conversa.

Um dos assuntos da negociação será a troca de prisioneiros. Mas, nas primeiras semanas, os dois lados deverão apenas explorar as pautas apresentadas por cada lado.

No entanto, foram impostas algumas condições para o início da negociação. O Talebã precisa romper todas as ligações com a organização Al-Qaeda, renunciar à violência e respeitar a constituição do Afeganistão, incluindo os direitos das mulheres e das minorias.

A paz talvez seja sempre algo desconfortável.

Ex-inimigos

Escrevo da conferência do G8 (grupo dos países mais ricos), na Irlanda do Norte (onde houve um processo de paz que levou a um governo compartilhado por católicos e protestantes) e ainda acho surpreendente ver ex-inimigos dividindo o poder, pessoas que eram caçadas como terroristas e assassinos, que mataram pela causa que acreditavam, iniciar o entediante trabalho de governar parte de um país.

Mas não há engano no fato de que muitos soldados britânicos e americanos morreram no Afeganistão, e o governo americano agora vai negociar com as pessoas que os mataram.

O Talebã, por outro lado, também deve ter dúvidas sobre negociar com pessoas que invadiram seu país e mataram cidadãos afegãos.

Não é coincidência que isto esteja acontecendo apenas no momento em que as forças afegãs estão no controle do país.

Seria difícil anunciar que uma guerra acabou e que as negociações de paz vão começar se os soldados americanos e britânicos ainda estivessem morrendo por uma causa perdida.

Mas, é claro, para os afegãos, a guerra não acabou.

Uma autoridade americana afirmou que a principal negociação de paz precisa ocorrer entre os próprios afegãos. E ele foi cuidadoso para não ser muito otimista, afirmando que este é apenas o primeiro passo de um caminho muito longo, e que, enquanto os conflitos frequentemente acabaram em uma paz negociada, não há garantia de sucesso.

Mas, estas negociações entre os Estados Unidos e o Talebã são mesmo um marco, parte do compromisso de Obama de acabar com as guerras nas quais os americanos se envolveram nos últimos anos.

Não é de espantar que agora ele não queira iniciar outra destas guerras, na Síria.

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