Manifestantes protestam contra Copa do Mundo no Maracanã

  • 16 junho 2013
Protesto no Maracanã | Foto: BBC
Manifestantes tentaram acesso à rampa de entrada no Maracanã mas foram dispersados pela polícia

Um grupo de manifestantes fez um protesto no entorno do Maracanã pouco antes do início da partida entre México e Itália, a segunda da Copa das Confederações, na tarde deste domingo. Tropas de choque da Polícia Militar e unidades da Força Nacional lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar a multidão.

Estima-se que o grupo continha ao menos 500 pessoas, embora a PM ainda não tenha divulgado uma contagem oficial.

A manifestação levantou uma série de queixas, entre elas o aumento recente das tarifas de transporte público em diversas cidades do país, além dos custos da realização da Copa do Mundo.

A reportagem da BBC Brasil acompanhou a movimentação em torno do estádio, e não presenciou sinais de vandalismo ou quebra-quebra, embora tenha identificado ao menos três tentativas dos manifestantes de chegar à rampa principal, que dá acesso ao Maracanã.

O repórter Caio Quero diz que mesmo em meio à confusão e o bloqueio de segurança, que exigia ingressos ou credenciais para permitir a aproximação ao estádio, os torcedores continuavam entrando no local, e que houve tumulto e correria quando a polícia agiu para dispersar o protesto.

Protesto no Maracanã | Foto: BBC
O professor de Geografia Luís Felipe Lima Costa diz que o movimento é apartidário

Ele não viu pessoas com ferimentos graves, mas ao menos um dos manifestantes, o estudante Maurício Peres da Costa disse ter sido ferido na barriga por um projétil – o repórter, no entanto, não viu a polícia usando balas de borracha. Ele estuda no terceiro ano do Ensino Médio e é morador da comunidade da Rocinha.

"Estou cheio desse governo repleto de corrupção e ladrões. Não são apenas R$ 0,20 (em alusão ao Movimento Passe Livre, que protesta contra o aumento da tarifa de ônibus e metrô em São Paulo), é inflação, corrupção (...)", disse.

O tenente-coronel Ronal Santana, que chefia a operação em torno do Maracanã, disse à BBC Brasil que a PM "agiu para conter as pessoas que estavam sem ingresso e que estavam dificultando o acesso dos torcedores ao estádio", sem precisar se houve detidos ou feridos durante a ação.

A poucos minutos do fim da partida, ele disse que cerca de cem pessoas ainda se manifestam nas proximidades do estádio, mas como estão em uma rua já bloqueada, não há motivos para ação policial.

Bandeiras

Os manifestantes se concentraram na saída da estação de metrô São Cristóvão, nas proximidades do Maracanã, por volta das 14h30, pouco mais de 1h30 antes do início do jogo, marcado para as 16h.

A intenção era chegar à rampa de acesso ao estádio, mas um cordão de isolamento – que não foi rompido pelos manifestantes – impedia que eles se aproximassem. Diante do bloqueio, o grupo cruzou a avenida Radial Oeste e tentou acesso por três vias alternativas, mas encontrou resistência da tropa de choque da PM ou da Força Nacional de Segurança em todas.

Um dos líderes do protesto, Cauê Costa, que estuda Administração da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), disse que o grupo entrou em contato a PM avisando que realizaria a manifestação, mas não obteve resposta.

"O movimento é pacífico, pedimos a ajuda deles, mas não houve resposta", explica.

Já Luís Felipe Lima Costa, professor de Geografia, disse à reportagem da BBC Brasil que o movimento não tem uma liderança organizada e que é apartidário.

A manifestação foi convocada pelas redes sociais, entre elas Facebook, Orkut e Google+.

Os manifestantes entoavam o hino nacional e músicas da banda Legião Urbana, além do slogan "sem violência" e "da Copa eu abro mão, eu quero mais dinheiro para a saúde e a educação".