Brasil inicia Copa das Confederações com desafio duplo

  • 15 junho 2013
Felipão / AFP
Brasil precisará provar capacidade dentro e fora de campo na Copa das Confederações

O Brasil começa neste sábado a sediar – e disputar – a Copa das Confederações de 2013 com um desafio duplo: provar sua capacidade dentro e fora de campo.

O evento serve de ensaio para a Copa do Mundo do ano que vem, com a utilização de seis dos 12 estádios que serão usados em 2014 e um teste de infraestrutura das cidades-sede. O jogo de abertura, entre Brasil e Japão, acontece no estádio Mané Garrincha, em Brasília, que passou por reformas.

Dentro de campo, a seleção brasileira chega à competição pressionada, em sua posição mais baixa da história no ranking da Fifa (22º lugar) e com uma série de resultados desapontadores em 2013.

De sete partidas disputadas no ano, o Brasil perdeu uma, empatou quatro e ganhou apenas duas, incluindo a vitória de 3 a 0 contra a França no último domingo, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Fora de campo, o Brasil precisa provar também sua capacidade para organizar um evento dessa magnitude e superar os problemas como atrasos na entrega dos estádios, cancelamento de obras de infraestrutura previstas e até mesmo protestos populares.

Apoio da torcida

Em declarações na tarde de sexta-feira, antes do último treino coletivo do Brasil pré-estreia, contra o Japão, o técnico Luis Felipe Scolari ressaltou a preocupação com esses dois aspectos da competição para o país e disse esperar apoio da população à organização e ao time.

"Nós devemos nos unir para que possamos mostrar ao mundo todo como somos como país e como somos como equipe de futebol", disse.

"Mesmo se temos algumas diferenças, deveríamos colocar tudo isso de lado e nos dedicarmos a fazer com que o Brasil realmente evolua em todas as áreas. (Mostrar) que o Brasil, além de ser o país do futebol, é um país bem administrado, que tem futuro, que tem uma série de coisas aqui que são importantes para o mundo todo", afirmou.

No aspecto esportivo, Felipão disse esperar que o fato de o Brasil jogar a Copa no próprio país possa influenciar positivamente o time.

"Quando jogamos em casa, precisamos tirar proveito desses 20, 30, 50, 100 mil torcedores que temos dentro dos estádios, ou nos arredores, para fazer com que a equipe adversária sinta esse ambiente", afirmou. "Se não tivermos o apoio necessário, aí é ruim jogar em casa", disse.

Ele admitiu parte da responsabilidade sobre a motivação dos torcedores brasileiros. "Para que isso aconteça, nós temos que jogar bem, fazer com que o torcedor se motive", disse.

Felipão afirmou que o fato de jogar no Brasil não aumenta a pressão sobre o time, já que o Brasil sempre está entre os favoritos nas competições que disputa e sofre pressão para ter um bom desempenho. "Jogar em casa é diferente em alguns aspectos, mas a história de ganhar é a mesma", comentou.

Felipão / AFP
Para Felipão, Brasil tem condições de ganhar a Copa das Confederações

Para Felipão, o Brasil é apenas uma entre "quatro ou cinco" equipes, das oito que disputam a Copa das Confederações, a aparecer como favorita na disputa da competição.

"Somos uma das grandes equipes que têm condições de ganhar", disse. "Há os campeões mundiais, Brasil, Espanha, Uruguai, Itália, e equipes que vêm crescendo, como o Japão", disse.

Campeões continentais

A Copa das Confederações, disputada desde 1992 e que chega à sua nona edição, é desde 2001 realizada no país-sede da Copa do Mundo do ano seguinte, como teste para os estádios e para a organização local.

Ela reúne os seis campeões continentais além do último campeão mundial e do país-sede. Neste ano, além do Brasil, como país-sede, disputam a competição a Espanha, campeã mundial em 2010, Itália (vice-campeã europeia, já que a Espanha também foi campeã continental), o México (campeão da América do Norte e Central), o Japão (campeão da Ásia), o Uruguai (campeão da América do Sul), a Nigéria (campeã da África) e o Taiti (campeão da Oceania).

Os oito times estão divididos em dois grupos de quatro, que jogam entre si na primeira fase. Os dois primeiros de cada grupo se classificam para as semifinais. A final acontece no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, no próximo dia 30 de junho.

Além de Rio de Janeiro e Brasília, as outras cidades-sede da Copa das Confederações são Belo Horizonte, Fortaleza, Salvador e Recife.

Depois do jogo contra o Japão, o Brasil enfrenta o México em Fortaleza, no dia 19, e encerra a primeira fase contra a Itália, em Salvador, no dia 22.

O Brasil venceu as últimas duas edições da Copa das Confederações, em 2005, na Alemanha, e em 2009, na África do Sul. Também foi campeão em 1997, quando o torneio foi disputado na Arábia Saudita.

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