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'Mortos vivos' na Índia lutam para provar que não morreram

Atualizado em  13 de junho, 2013 - 06:30 (Brasília) 09:30 GMT
Dhiraji Devi (foto:Arkadripta Chakraborty)

Dhiraji Devi tenta provar nos tribunais que está viva

Milhares de pessoas têm sido declaradas mortas na Índia em meio a um esquema de corrupção que envolve oficiais de cartório e parentes das vítimas.

No Estado de Uttar Pradesh, no Norte da Índia, há indícios de que parentes de proprietários de terras estejam subornando autoridades para que emitam certidões de óbito falsas de familiares e possam, assim, se apoderar de suas propriedades.

A fotógrafa Arkadripta Chakraborty documentou o drama de alguns indianos que enfrentam ou já enfrentaram longas batalhas judiciais para provar que estão vivos.

Paras Nath Gupta (Foto: Arkadripta Chakraborty )

Gupta foi declarado morto pelo irmão e perdeu casa herdada de ancestrais

Entre eles está Lal Bihari Yadav, de 61 anos. Ele foi declarado morto aos 15 anos e perdeu sua terra para um parente.

Depois que vários de seus apelos para mostrar que estava vivo foram ignorados, ele encenou o próprio velório e tornou seu drama público. Em 1994, Yadav conseguiu finalmente provar que não estava morto.

Ao perceber que muitas pessoas enfrentavam o mesmo dilema, ele criou a Sociedade das Pessoas Mortas ('Mritak Sangh', em hindi), no distrito de Azamgarh. A organização promove "protestos do esqueleto" em cidades do norte do país e divulga petições para ajudar pessoas que querem anular suas certidões de óbito falsas.

cartaz de protesto dos esqueletos (foto: Arkadripta Chakraborty)

Cartaz do "Protesto dos esqueletos"

A iniciativa de Yadav já conseguiu "devolver a vida" a centenas de pessoas que conseguiram retomar suas terras e a dignidade.

Mas muitos indianos ainda lutam na Justiça para provar que estão vivos. Paras Nath Gupta, de 65 anos, mora em uma casa alugada na cidade de Varanasi, onde trabalha como contador.

Ele perdeu a casa que havia herdado de seus ancestrais depois que foi declarado morto por seu irmão. Ele afirma que todas as vezes que tentou voltar à sua propriedade foi ameaçado de morte por parentes.

A maioria dos "mortos vivos" é analfabeta. A extensão do problema é tamanha que autoridades da Justiça indiana reservam um dia por mês para atender pessoas com ações judiciais ligadas a disputas agrárias.

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