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Portugal pede mais investimentos, mas Dilma mantém tom evasivo

Atualizado em  10 de junho, 2013 - 21:21 (Brasília) 00:21 GMT
Dilma em Portugal | Foto: Roberto Stuckert

Presidente Dilma Rousseff se reuniu com colega português, Aníbal Cavaco Silva

Em praticamente todas as falas durante a visita da presidente Dilma Rousseff a Portugal nesta segunda-feira, os membros do governo português mantiveram seus pedidos de mais investimentos brasileiros no país, que amarga seu quinto ano de crise financeira, com queda do PIB prevista para 2% neste ano. Em resposta, o Brasil manteve um tom evasivo, sem dar garantias.

"Portugal considera o Brasil como um parceiro estratégico para nossas empresas. Muitas empresas portuguesas investem no Brasil e nós desejamos que as empresas brasileiras olhem para Portugal e para as possibilidades de investimento em Portugal. Estou convencido de que a presidente do Brasil contribuirá para alertar os empresários brasileiros para as potencialidades de Portugal", afirmou o presidente português, Aníbal Cavaco Silva, após reunir-se com a colega brasileira.

Na única resposta que deu aos jornalistas durante toda a visita, Dilma ressaltou o histórico de boas relações comerciais entre os dois países, citando algumas parcerias em curso, sem mencionar as áreas em que os portugueses esperavam receber investimentos.

"O Brasil tem dado apoio a Portugal. Nós temos tido relações comerciais bastante significativas neste momento de crise e acho sobretudo que essa comunicação entre Brasil e Portugal, uma comunicação fácil, tem levado à vinda de empresários brasileiros para Portugal e a ida para o Brasil de empresários portugueses", disse.

A presidente citou as duas fábricas da Embraer em Évora, com investimentos de 177 milhões de euros (R$ 500 milhões), e da companhia petrolífera portuguesa Galp na exploração de petróleo da camada do pré-sal.

Na imprensa portuguesa houve menções de que Lisboa esperava obter investimentos brasileiros em processos de privatização em curso, entre eles os da companhia aérea TAP, os correios e empresas de distribuição de água.

Ano do Brasil em Portugal

A visita teve como objetivo marcar o encerramento do Ano do Brasil em Portugal, que terminou nesta segunda-feira, quando se comemora o Dia de Portugal. Desde 7 de setembro do ano passado, o Brasil levou ao país 294 eventos em áreas diversas, desde as artes plásticas, música e teatro, até a literatura, dentre outras.

Nesses dez meses, estiveram em Portugal 2.140 artistas brasileiros. O investimento total foi de R$ 16 milhões de reais, vindos da Embratur, do Ministério da Cultura, do Ministério das Relações Exteriores e da Funarte. Na avaliação do Ministério da Cultura, foi o maior painel artístico brasileiro no exterior até hoje.

No entanto, no programa oficial da presidente não foi incluída nenhuma participação no evento. Dilma não participou do show de encerramento oficial, de Ed Motta, cujo horário foi mudado para facilitar sua presença, nem do último espetáculo do Ano do Brasil, um show de Maria Bethânia – quando estava num jantar com o presidente e o primeiro-ministro portugueses.

Durante a tarde, a presidente fez uma visita privada ao Espaço Brasil, que abrigou shows e exposições durante o ano. Viu uma coleção de cerâmicas concebidas por designers brasileiros e a exposição Caminhando, de Lygia Clark.

Diplomas e Saúde

Seis ministros representaram o governo brasileiro ao lado de Dilma: Antônio Patriota, das Relações Exteriores, Alexandre Padilha, da Saúde, Aloizio Mercadante, da Educação, Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e Marta Suplicy, da Cultura.

Desses, apenas a área de Mercadante teve acordos assinados.

A Andifes, que reúne os dirigentes das universidades federais brasileiras, e o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas firmaram um acordo para o reconhecimento de diplomas mútuos, que deve ajudar brasileiros que estudaram em Portugal e muitos portugueses que imigraram para o Brasil mas não podem atuar em suas áreas de formação.

Também foram assinados acordos para que pesquisadores brasileiros possam trabalhar no Laboratório Ibérico Internacional de Nanotecnologia, em Braga, e no Centro de Pesquisa em Biotecnologia de Cantanhede – duas cidades do norte de Portugal.

O ministro da Saúde, Alexadre Padilha, discutiu com seu colega português a possibilidade de médicos portugueses trabalharem no Brasil, sem firmar nenhum acordo.

"Estamos só preparando. Não vamos assinar nada nesta viagem", disse Padilha à BBC Brasil antes do encontro com o português.

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