Ataque em Londres leva a aumento de ofensas contra muçulmanos

  • 25 maio 2013
polícia patrulha rua (foto: Reuters)
Polícia cerca rua em Londres em busca de pistas sobre o ataque de de quarta-feira

Uma organização que promove a cooperação inter-religiosa na Grã-Bretanha afirma que vem registrando um aumento no número de ofensas contra muçulmanos desde o assassinato de um soldado britânico nas ruas de Londres, na quarta-feira.

Os dois suspeitos de matar Drummer Lee Rigby, de 25 anos, afirmaram em imagens que circularam o mundo nos últimos dias que suas ações foram motivadas pelo fato de que "soldados britânicos matam muçulmanos todos os dias".

O diretor da organização Faith Matters (Fé Importa, em tradução livre), que possui um disque-denúncia, disse à BBC que nos últimos dias a entidade recebeu 162 ligações sobre incidentes contra muçulmanos, como ataques a mesquitas, pichações e xingamentos.

"O preocupante é como esses incidentes estão se espalhando", afirmou Fiyaz Mughal à Rádio 5 da BBC. “Eles vêm de todas as partes do país”.

"Também temos registrado um aumento deste tipo de atividade online, o que sugere uma coordenação de incidentes e ataques contra instituições onde muçulmanos se reúnem."

Desde o ataque da quarta-feira, em Woolwich, no sudeste de Londres, a polícia prendeu pessoas acusadas de postar mensagens ofensivas contra muçulmanos em mídias sociais.

Proposta do MI5

Michael Adebolajo, de 28 anos, e Michael Adebowale, de 22, são suspeitos de terem matado o soldado. Eles foram baleados na cena no crime e permanecem internados sob guarda policial. Ambos são britânicos de origem nigeriana e eram conhecidos dos serviços de inteligência britânicos, segundo fontes ouvidas pela BBC.

Na noite de sexta-feira, um amigo de Adebolajo foi preso após conceder uma entrevista ao programa Newsnight, da BBC. A Polícia Metropolitana de Londres disse que a prisão não está diretamente ligada ao assassinato do soldado.

Abu Nusaybah disse ao programa que Adebolajo teria rejeitado, há seis meses, uma proposta para trabalhar para o MI5, o serviço de inteligência britânico.

A oferta teria sido feita depois que Adebolajo voltou de uma viagem ao Quênia, na África, de onde ele chegou com comportamento "diferente", segundo Nusaybah.

Ele disse que Adebolajo teria sugerido que sofreu agressões físicas e abusos sexuais durante o interrogatório feito pela polícia no Quênia.

Na semana que vem, o diretor-geral do MI5, Andrew Parker, deve prestar depoimento em um comitê parlamentar que investiga os indícios de que os serviços de segurança conheciam os suspeitos.

Na sexta-feira, a mulher do soldado morto, Rebecca Rigby, disse que conhecia os riscos que seu marido corria em países com conflito, como o Afeganistão.

"Eu não esperava que isso poderia acontecer aqui na Grã-Bretanha. Eu pensava que aqui eles (soldados) estavam em segurança", disse ela.

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