Brasileiros têm reivindicações atendidas com abaixo-assinados online

  • 10 maio 2013
Charline Carelli / Arquivo pessoal
Charline Carelli criou petição para protestar contra projeto de lei que limitaria circulação de bicicletas

Pela velocidade e pelo alcance com que as causas se espalham na rede, a internet tornou-se o meio mais utilizado por criadores de abaixo-assinados para divulgar suas campanhas.

Duas das principais plataformas de petições online do mundo, a Avaaz e a Change, já possuem versões em português e juntas contabilizam mais de 4,5 milhões de membros.

Na Avaaz, por exemplo, o Brasil já é o país com o maior número de usuários, à frente da França e dos Estados Unidos. Ao todo, 3,7 milhões de brasileiros apoiam as causas do site americano.

A BBC Brasil ouviu três brasileiros que tiveram seus pleitos atendidos após criarem abaixo-assinados virtuais. Confira.

Vera Golik e Hugo Lenzi

Vera Golik e Hugo Lenzi / Arquivo pessoal
Após abaixo-assinado de Vera Golik e Hugo Lenzi, fabricante de lingerie vai produzir sutiã especial

Em 2006, depois de acompanhar a batalha diária de três familiares contra o câncer de mama, a jornalista Vera Golik e o fotógrafo Hugo Lenzi decidiram lançar o projeto "De peito aberto", voltado para a autoestima de mulheres que se submeteram à mastectomia.

Mas foi em março deste ano que o casal lançou-se em uma empreitada inédita e audaciosa, por meio da convocação de um abaixo-assinado virtual. Os dois pediram às oito principais fabricantes de roupas íntimas femininas do Brasil para fabricarem um sutiã adaptado a mulheres que tiveram suas mamas retiradas devido à doença.

"Sabemos que o câncer acaba com a autoestima da mulher. Trata-se de um processo longo e dolorido. Por essa razão, decidimos pleitear a fabricação de sutiãs lindos, confortáveis e de preços acessíveis para mulheres que tenham se submetido à mastectomia", disse Golik à BBC Brasil.

Até agora, com 13 mil assinaturas, duas das oito empresas já entraram em contato com o casal. Uma delas já confirmou o compromisso de começar a produção dos sutiãs.

Leia mais: Petições inusitadas invadem a internet

Charline Carelli

Natural de Balneário Camboriú, no litoral de Santa Catarina, a estudante de arquitetura Charline Carelli, de 22 anos, ficou estupefata quando soube de um projeto de lei de um vereador que propunha limitar o uso da bicicleta nas ruas de sua cidade.

Usuária assídua das "magrelas", Carelli decidiu criar, em janeiro deste ano, um abaixo-assinado online para protestar. Em poucas semanas, para sua surpresa, a petição virtual amealhou cerca de 9 mil assinaturas, provocando mudanças no projeto de lei original.

"Como tivemos bastante apoio popular, o vereador nos chamou para conversar. Inicialmente, ele chegou a relutar em alterar o projeto, que excluiria a bicicleta das vias públicas", contou ela à BBC Brasil.

"Mas à medida em que a causa cresceu e recebemos assinaturas até de estrangeiros, ele anunciou que apenas limitaria o uso das bicicletas em praças e calçadas, o que já é previsto em lei", completou.

"A iniciativa não foi arquivada, mas agora é inócua", acrescentou.

Leia mais: Brasil vive boom de petições virtuais

Artur de Leos

Artur de Leos / Arquivo pessoal
Artur de Leos conseguiu que Buscapé omitisse sites de lojas não recomendadas pelo Procon

O produtor multimídia e especialista em cultura digital Artur de Leos, de 30 anos, estava a ponto de desistir de usar os serviços do site de comparação de preços Buscapé, o maior do gênero no Brasil e na América Latina, quando teve a ideia de montar uma petição virtual, em dezembro do ano passado.

O objetivo da campanha era alertar os donos da página e outros usuários sobre o número excessivo de lojas virtuais não recomendadas pelo Procon que apareciam constantemente nos resultados das pesquisas feitas por de Leos no site.

Ao todo, a lista negra do órgão de defesa do consumidor era composta por 200 lojas.

"Em menos de 24 horas, 600 pessoas assinaram a petição", disse ele à BBC Brasil.

Para potencializar sua campanha, de Leos diz ter sido contatado pela Change, que o ajudou a melhorar a redação do abaixo-assinado, bem como identificar a quem seria melhor endereçá-lo.

Em janeiro deste ano, veio a vitória. "Chegamos a mais de 6 mil assinaturas e a Buscapé decidiu tirar as 200 lojas não recomendadas do seu site".

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