Com dinheiro vivo no bolso, turistas chineses viram alvo de furtos em Paris

  • 2 abril 2013
Governo da China chegou a pedir que a França garanta uma "proteção eficaz" dos chineses que visitam o país

Paris vem ganhando a imagem de "cidade perigosa" entre os turistas chineses, que se tornaram o alvo predileto de assaltantes na capital francesa.

O problema se agravou a tal ponto que o governo da China pediu que as autoridades francesas assegurassem uma "proteção eficaz" aos chineses que visitam o país.

Conhecidos por carregar quantias elevadas de dinheiro para fazer compras, geralmente de produtos de grandes marcas de luxo, os turistas chineses atraem os trombadinhas que circulam em grandes pontos turísticos da cidade.

"Alguns turistas chineses podem carregar 10 mil ou 20 mil euros em dinheiro para fazer compras", disse à BBC Brasil Jean-François Zhou, diretor da agência Ansel Travel, especializada em pacotes para a clientela chinesa que visita a França.

Segundo ele, chineses são assaltados quase diariamente em Paris.

"A diferença é que os assaltos agora são cometidos com violência física", afirma Tang Lu, diretora da agência Chine Tourisme.

"Os grupos de excursões são os mais visados. Os ônibus de turistas atraem a atenção dos assaltantes", diz ela.

Alerta

Em fevereiro, um micro-ônibus que estava preso no trânsito foi atacado por assaltantes, que quebraram os vidros do veículo e levaram as bolsas dos turistas chineses.

"Pequim é uma cidade segura, mas não é o caso de Paris", diz a turista Wang Dnan Dnan, que fazia compras na Galeries Lafayette.

A turista Wang Dnan disse que seu guia a orientou a esconder dinheiro e passaporte

Ela afirma que a imprensa chinesa noticia regularmente casos de turistas chineses assaltados em Paris e conta conhecer pessoas que foram furtadas na cidade.

Dnan disse ainda à BBC Brasil que o guia de seu grupo de excursão recomendou que os turistas carregassem dinheiro e passaportes em bolsinhas escondidas nas roupas.

Periferia

Não há estatísticas sobre o número de assaltos contra turistas chineses em Paris. Sabe-se, entretanto, que os visitantes chineses na França são cada vez mais numerosos: 1,1 milhão em 2012, um aumento de 23,9% na comparação com o ano anterior.

Segundo a Global Blue, empresa que opera no setor de duty free, cujos dados são frequentemente usados como termômetro de gastos de turistas no exterior, os chineses são os turistas que mais gastam no país, responsáveis por um quarto do total de compras realizadas por viajantes na França.

Em 2011, ano do último dado disponível, eles gastaram 650 milhões de euros (quase R$ 1,7 bilhão).

Mas se por um lado gastam nas lojas, os chineses economizam na hospedagem e transporte. Segundo Paul Roll, diretor do Escritório de Turismo de Paris, além de viajarem em grupos de excursões baratas que visitam vários países em uma dezena de dias, muitos turistas chineses optam por se hospedar em hotéis baratos nos subúrbios de Paris.

Eles também gostam de comer em restaurantes chineses em subúrbios, por cerca de 10 euros (R$ 26), segundo Roll.

No final de março, um grupo de 23 chineses foi agredido por três assaltantes justamente ao sair de um restaurante asiático na Seine Saint-Denis (onde fica o aeroporto Charles de Gaulle).

Os ladrões conseguiram levar a bolsa do guia da excursão, que continha todos os passaportes do grupo e 7,5 mil euros (R$ 19,6 mil) em dinheiro.

Após esse assalto, que ganhou grande destaque na imprensa da China, a ministra francesa do turismo, Sylvia Pinel, prometeu que a França irá "assegurar a proteção dos turistas estrangeiros, sobretudo chineses" que visitam o país.

No entanto, Li Ping, encarregado de assuntos consulares na embaixada da China em Paris, afirma que "há uma tendência de aumento das queixas de assaltos no último ano".

A maioria se refere a bolsas "arrancadas" por ladrões. "Em uma semana, podemos ter cinco ou seis pedidos para refazer passaportes roubados", diz Ping.

"Estamos trabalhando com a polícia em relação ao problema. Publicamos folhetos em chinês sobre questões de segurança", diz o diretor do Escritório de Turismo de Paris.