Chipre planeja impor limite semanal a saques bancários

  • 26 março 2013
Chipre / Getty
Governo do chipre planeja confiscar poupanças acima de 100 mil euros para salvar finanças do país

Em meio ao agravamento da crise, o governo do Chipre planeja impor um limite semanal nos saques bancários como parte das medidas anticrise anunciadas nesta terça-feira.

Bancos do país permanecem fechados há uma semana enquanto um polêmico pacote de emergência para salvar as finanças nacionais está sendo negociado.

De acordo com informações exclusivas obtidas por Paul Mason, editor de economia do programa Newsnight, da BBC, os dois maiores bancos cipriotas só voltariam a operar na próxima quinta-feira, 28, e os limites para saques devem ser mantidos até que a situação econômica do país se estabilize.

A reabertura dos bancos cipriotas estava prevista para acontecer nesta terça-feira, mas dependia da viabilização de um acordo entre o Chipre, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia que prevê a concessão de um empréstimo de 10 bilhões de euros (R$ 26 bilhões) ao arquipélago - ainda não concretizado.

Um dos pré-requisitos para tal acordo era de que o Chipre levantasse sozinho pelo menos 5,8 bilhões de euros (R$ 15 bilhões) desse total, soma que viria majoritariamente das poupanças de mais de 100 mil euros (R$ 259 mil) atreladas aos dois principais bancos do país, o Banco do Chipre e o Laiki ou Banco Popular.

Segundo afirmou o ministro das Finanças do Chipre, Michalis Sarris, esses mesmos poupadores também poderiam ter 40% de seus fundos convertidos em ações dos bancos como parte do pacote de emergência.

Ele também alertou que provavelmente os depósitos a prazo fixo não poderão ser retirados antes de atingirem a maturidade, outra medida do plano.

Por outro lado, as pessoas com menos de 100 mil euros em suas contas não devem ser alvo do pacote.

Sobre um eventual abandono do Chipre na União Europeia, Sarris foi categórico. "A saída do Chipre da zona do euro, o que poderia significar a saída da União Europeia, seria desastrosa, politicamente e economicamente. Não queremos nem contemplar isso", disse.

As medidas foram anunciadas no mesmo dia em que o diretor do Banco do Chipre, Andreas Artemis, entregou sua carta de demissão, que seria avaliada pelos altos executivos da instituição ainda nesta terça-feira.

Um ponto crucial que ainda não foi definido e que pode afetar diretamente as perdas dos investidores é como o governo deve lidar com a previdência.

Sarris, no entanto, manteve-se otimista em relação à recuperação do país da crise. Segundo ele, o arquipélago poderia beneficiar-se de um "boom energético", em alusão à exploração de campos de gás na costa sul do país.

"Sim, há um problema, mas nós o superaremos em um período de tempo relativamente curto", disse. Ele acrescentou que seu governo renegociou prazos mais flexíveis para o pagamento de empréstimos com a Rússia, um de seus maiores credores.

Caso único

Manifestantes cipriotas / AP
Cipriotas protestam contra pacote de emergência proposto pelo governo

Membros do alto escalão do Banco Central Europeu (BCE) reiteraram que o Chipre é um caso isolado dentro da zona do euro, e que o plano de resgate proposto não será aplicado em outros países do bloco econômico afetados pela crise.

Em uma entrevista em Praga, Ewald Nowotny, membro do conselho de governança do BCE, afirmou: "O Chipre é um caso isolado. Não se trata de um modelo para outras instâncias".

Na última segunda-feira, Jeroen Dijsselbloem, representante dos ministros das finanças da zona do euro, provocou uma agitação nos mercados globais quando sugeriu que o pacote de emergência para salvar o Chipre poderia servir de modelo para outros países em crise. Posteriormente, Dijsselbloem desculpou-se pelos comentários.

Analistas vêm manifestando preocupação de que a crise no Chipre possa se espalhar para outros países da zona do euro, caso o arquipelágo decida abandonar a moeda comum.

Há temores de que uma eventual saída do país do bloco provocaria uma perda de confiança e uma fuga dos investidores especialmente das economias mais prejudicadas pela crise, como a Grécia.