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Em 1ª visita a Israel, Obama deve levar visão de 'dois Estados'

Atualizado em  20 de março, 2013 - 07:10 (Brasília) 10:10 GMT
Israelenses se preparam para visita de Barack Obama (Foto: Getty Images)

Em visita de 48h, Obama se reunirá com governantes e fará discurso em Jerusalém

O presidente americano, Barack Obama, deverá expor a sua visão de solução de dois Estados para o conflito israelense-palestino em um aguardado discurso dirigido ao público israelense na sua primeira visita como chefe de Estado a Israel, que começa nesta quarta-feira.

Esta será a primeira viagem internacional de Obama em sua segunda gestão, e a escolha de Israel como primeiro destino é interpretada por analistas locais como uma tentativa de "recompensar" o público israelense por não ter passado por Israel e visitado o Cairo, no Egito, durante seu primeiro mandato.

Nesta nova visita à região, prevista para durar dois dias, Obama deverá dedicar cerca de quatro horas a encontros com os líderes palestinos. Grande parte de seu tempo será destinada a encontros com os principais governantes de Israel e a homenagens em locais de grande significado simbólico para o público israelense, como o Museu do Holocausto, o túmulo de Theodor Herzl (idealizador do sionismo) e o túmulo de Itzhak Rabin.

Depois de quatro anos de fracassos nas tentativas de promover algum avanço no processo de paz entre israelenses e palestinos e de uma relação tensa com o primeiro-ministro, Binyamin Netanyahu, Obama se dirigirá diretamente ao público israelense, em um discurso marcado para esta quinta-feira no Centro de Convenções em Jerusalém.

Discurso

O discurso em Jerusalém está sendo comparado a um pronunciamento do presidente americano na Universidade do Cairo, em 2009, na qual se dirigiu diretamente ao mundo árabe.

"O objetivo da visita é convencer o público israelense de que Obama não é um inimigo, mas sim um amigo", disse o analista político Akiva Eldar à BBC Brasil.

A visita de Obama ocorre depois de, nas últimas eleições, o premiê Netanyahu ter apoiado claramente seu adversário nas eleições de novembro, Mitt Romney, e de pesquisas de opinião em Israel terem indicado uma preferência pelo candidato republicano.

A Casa Branca disse que o presidente Obama não trará um novo plano de paz e nem pretende exercer pressões sobre o governo israelense para que faça "gestos de boa vontade" para com os palestinos.

"O objetivo do presidente é ouvir", disseram porta-vozes da Casa Branca.

Para falar diretamente ao povo israelense, passando por cima dos governantes, Obama escolheu o Centro de Convenções em Jerusalém e não o Parlamento.

"Assim ele evitará possíveis interrupções por parte de deputados da direita ou da esquerda", disse Eldar.

Estratégia

Para o analista, a atitude de Obama "pode ser uma estratégia de preparar o terreno para o trabalho do secretário de Estado, John Kerry, que deverá chegar à região duas semanas depois da visita do presidente".

De acordo com Eldar, ganhando a simpatia do público israelense, Obama espera facilitar o trabalho de Kerry, conhecido por suas posições em favor de um acordo de paz baseado nas fronteiras de 1967.

Obama deverá chegar a Israel dois dias depois da posse do novo governo do país, após as eleições de janeiro deste ano.

Um dos principais integrantes da coalizão governamental, o partido de extrema-direita Habait Hayehudi (Lar Judaico), recebeu as pastas diretamente ligadas à construção dos assentamentos, como o Ministério da Construção e Habitação e a direção da Administração das Terras de Israel.

O novo ministro da Defesa, autoridade que emite as permissões para construir nos territórios ocupados, será Moshe Yaalon, ex-chefe do Estado Maior, conhecido por suas posições em prol da ampliação dos assentamentos.

Nessas circunstâncias, o congelamento da construção de assentamentos – condição principal do presidente palestino Mahmoud Abbas para retomar as negociações de paz – fica mais distante.

A recusa do premiê Netanyahu de congelar os assentamentos foi uma das principais razões da tensão entre ele e o presidente americano nos últimos quatro anos.

As pressões exercidas pela Casa Branca não obtiveram resultados, e os governantes israelenses mantêm sua posição contra o congelamento e contra o princípio de dois Estados baseados nas fronteiras anteriores à guerra de 1967.

Segundo o editor-chefe do jornal israelense Haaretz, Aluf Ben, "a esquerda israelense tem uma fantasia de que um príncipe montado num cavalo branco, nesse caso o presidente dos Estados Unidos, venha salvar Israel de si mesmo e retirá-lo dos territórios ocupados".

Em artigo publicado nesta segunda-feira, Ben afirma que, de acordo com essa fantasia, o presidente americano exigiria que Israel "retirasse os colonos, retornasse para as fronteiras de 1967 e entregasse a Cisjordânia aos palestinos".

"Nesta semana o príncipe, Barack Obama, virá a Jerusalem... ele se opõe à ocupação e aos assentamentos e acredita que eles prejudicam Israel e danificam a posição dos Estados Unidos perante os árabes e os muçulmanos... em seu discurso deverá dizer a verdade à esquerda israelense: a mudança deve vir de dentro, por meio do convencimento da opinião publica e dos eleitores", afirma Ben.

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