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Novo presidente diz que lutará por China de classe média

Atualizado em  17 de março, 2013 - 09:44 (Brasília) 12:44 GMT
Xi Jinping (Foto AFP)

Xi Jinping promete realizar o 'sonho chinês' da classe média do país

A eleição do papa acabou ofuscando uma das mais importantes transições políticas dos últimos anos. O presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Keqiang assumiram o poder na China na semana passada, representando uma nova geração de líderes políticos do país asiático, após uma década de governo do presidente Hu Jitao e do premiê Wen Jiabao.

Neste domingo, ambos deram, em suas primeiras declarações após a posse, indicações sobre as reformas que pretendem implementar na segunda maior economia do mundo.

Entre as mais importantes delas estão uma mudança no modelo de desenvolvimento chinês - de um modelo voltado para fora para um mais apoiado no consumo interno - e uma serie de medidas para impulsionar o crescimento da ainda relativamente pequena classe média do país.

Em seu primeiro discurso como Chefe de Estado, Xi disse que o desenvolvimento econômico será prioridade de seu governo e também deu indícios de que pretende implementar uma política externa bastante agressiva nos próximos dez anos, segundo o correspondente da BBC em Pequim, Martin Patience, que chamou a atenção para o seu forte tom nacionalista.

"Vou lutar pelo renascimento da grande nação chinesa", prometeu Xi.

Segundo o presidente chinês, o novo governo irá ajudar o país e seus habitantes a realizarem seu "sonho chinês" - expressão que Xi tem usado com frequência, simbolizando a união das aspirações coletivas com as individuais que levariam a China a realizar seu destino de "grandeza".

"Cada um de nós deve ter um amplo espaço para poder realizar nossos próprios sonhos", ele disse.

Xi também garantiu aos militares chineses que irá melhorar sua capacidade para "vencer batalhas e proteger a soberania e segurança nacional." E instou as autoridades chinesas a "rejeitarem a extravagância" e combaterem a corrupção.

Logo em seguida, em uma entrevista coletiva - algo raro para um líder chinês - o premiê Li Keqiang disse que a ênfase do novo governo será em um crescimento sustentável e serão feitos cortes na folha de pagamento, viagens ao exterior, novos escritórios, carros e outras extravagâncias para economizar recursos que possam ser aplicados na melhoria dos serviços sociais para a população.

"Para que as pessoas possam viver bem, o governo precisa enxugar seu orçamento", disse Li.

Novo modelo

Entre as promessas mais importantes do novos líderes chineses está um programa para tirar em dois anos 80 milhões de pessoas da pobreza - o equivalente a 8,5% da população economicamente ativa da China ou toda a população da Alemanha.

O programa, lançado em fevereiro, inclui um aumento de 40% no salário mínimo do país, o aumento dos investimentos em educação e programas de habitações populares e um aumento de 5% nos dividendos pagos por grandes empresas estatais.

De acordo com a economista chinesa Hong Bo, da Escola de Estudos Orientais e Africano da Universidade de Londres (SAOS, na sigla em Inglês), a estratégia é parte dessa tentativa de mudar o modelo de desenvolvimento econômico chinês - de um modelo baseado em exportações para um mais centrado em motores econômicos internos.

"O governo quer que a economia cresça com base no consumo doméstico. Por isso, os salários têm aumentado várias vezes nos últimos anos, especialmente após a crise financeira de 2008", explicou Hong ao repórter Marcelo Justo, da BBC.

Um dos motivos por trás desses esforços de mudança seria o aumento da desigualdade na China nas últimas décadas. Desde 1978, a pontuação obtida pelo país no índice Gini - que mede a desigualdade com base em uma escala de 0 a 1, em que 0 significa igualdade e 1 desigualdade absoluta - passou de 0,28 para algo em torno de 0,45.

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