Corpo de Chávez será embalsamado e velório durará mais uma semana

Atualizado em  7 de março, 2013 - 21:45 (Brasília) 00:45 GMT
Partidária de Chávez passa ao lado de caixão (foto: AFP)

Corpo de Hugo Chávez deve ser embalsamado; partidários choram ao dar adeus ao mandatário

O corpo do presidente da Venezuela Hugo Chávez, morto na terça-feira, será embalsamado e colocado em uma urna de cristal. Seu velório, previsto inicialmente para durar três dias, será estendido por mais uma semana.

"Decidimos preparar o corpo do comandante presidente, embalsamá-lo para que fique aberto eternamente para que o povo possa tê-lo no museu da Revolução", afirmou o vice-presidente Nicolás Maduro, nesta quinta-feira.

A decisão de embalsamar e eternizar a imagem de Chávez tem um paralelo histórico com outros dois líderes revolucionários: o soviético Vladimir Lênin e o dirigente comunista chinês Mao TseTung - cujos corpos tiveram o mesmo destino.

O corpo de Chávez será levado na sexta-feira, depois do velório, ao chamado Quartel da Montanha, no bairro de 23 de Enero, onde permanecerá ao menos mais sete dias "para que ele repouse, enquanto chega o momento de dar outros passos que o povo pediu", disse Maduro.

As declarações reforçam a idéia de que Chávez será levado ao Panteão Nacional, onde sua urna deverá permanecer próxima da ossada do líder Símon Bolívar – figura histórica que serviu de fonte de inspiração da revolução chavista.

Essa medida tem sido defendida pelos simpatizantes do governo desde a terça-feira, quando sua morte foi anunciada.

A exibição no Panteão Nacional tende a reforçar o mito do presidente e o imaginário que já pode ser visto em alguns cartazes que são levados por seus seguidores nos quais sentenciam: "Chávez, libertador do século 21".

No entanto, a Constituição determina que somente após 25 anos cidadãos ilustres poderiam receber a honra de ter seus restos mortais transferidos para o Panteão Nacional.

Circulam rumores de que o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, estaria costurando um projeto de reforma para permitir que o corpo de Chávez permaneça ao lado de Bolívar, sem restrições legais para isso.

Diosdado escreveu em seu perfil no twitter que fará "de tudo" para que "o pedido do povo" seja realizado.

Outra possibilidade é que o corpo de Chávez seja levado a um mausoléu que foi construído à pedido do próprio presidente para depositar ali os restos mortais de Bolívar.

A moderna obra construída ao lado do Panteão Nacional deveria ter sido inaugurada em 17 de dezembro, dia da morte do "libertador".

Nesse período, Chávez enfrentava sérias complicações de saúde que alarmaram aos dirigentes chavistas sobre a possibilidade de sua morte.

O chanceler Elias Jaua, um dos homens próximos do presidente, afirmou que não houve planejamento antecipado para o funeral do presidente e que os eventos estariam sendo improvisados.

"Nos negamos a planejar o momento da morte do presidente. Estamos tomando medidas no caminho, para que esse último adeus seja o mais suportável possível", afirmou Jaua.

Velório

Na quilométrica fila formada por partidários e simpatizantes de Chávez para entrar no velório, o desespero e a tristeza que marcaram o cortejo de mais de sete horas na quarta-feira cedeu lugar a alguns sorrisos.

"Vou sentir saudades da voz dele. Quem vai cantar o hino agora, daquele jeito? Lembra quando ele cantava aquelas llaneras (música caipira)?", brincou uma simpatizante na fila. Perto dali, um pequeno grupo gritava em coro: "Chávez ao Panteão, ao lado de Simón".

Alguns grupos mantinham o clima de consternação. Conforme as pessoas iam se aproximando do local do velório, seus semblantes iam se transformando e muitos choravam.

"Como ele não haverá outro. Foi o único presidente que tratou os pobres como gente e que transformou de fato nossas vidas", disse Elimar Perez, enquanto vendia café.

"Os escualidos (opositores) estavam comemorando em Miami com champagnhe a morte do nosso comandante. Esqueçam, nunca voltarão a governar esse país", afirmou.

O clima eleitoral é latente, apesar do luto. A legislação prevê que novas eleições sejam convocadas em 30 dias.

A eleição de Maduro - apontado pelo próprio Chávez como seu sucessor na liderança da revolução - é tida pelos simpatizantes do presidente como seu último desejo antes de morrer. "Ele nos pediu para votar por Maduro e nós vamos fazer essa última homenagem a ele. A revolução continuará", disse Pérez.

A oposição espera o fim do funeral do presidente para anunciar a candidatura presidencial de Henrique Capriles, que foi derrotado por Chávez nas eleições de outubro do ano passado.

Dirigentes opositores têm tratado com respeito e cautela a situação, de olho nas eleições presidenciais. Eles não voltaram a se pronunciar em relação à morte do presidente.

Qualquer reação contrária ao sentimento de tristeza de boa parte da população poderia minar parcialmente o apoio à candidatura anti-chavista, na opinião de analistas.

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