'Veterano' de conclave, dom Geraldo não vê favoritos desta vez

Atualizado em  28 de fevereiro, 2013 - 18:07 (Brasília) 21:07 GMT
Dom Geraldo Majella Agnelo | Foto: Marcello Casal Jr/ABr

Arcebispo emérito de Salvador votou em conclave que elegeu Bento 16

Um dos cinco cardeais brasileiros que participarão do conclave para a eleição do novo papa, dom Geraldo Majella Agnelo, não vê favoritos e diz que todos os cardeais estão "mais ou menos nivelados", ao contrário de eleições anteriores.

Dom Geraldo Majella Agnelo, de 79 anos, arcebispo emérito de Salvador e ex-cardeal primaz do Brasil, participou também do conclave anterior, em 2005, que elegeu o cardeal Joseph Ratzinger como pontífice. Para ele, a escolha foi mais clara naquela ocasião.

Além de dom Geraldo, entre os cinco cardeais brasileiros que elegerão o sucessor de Bento 16, apenas dom Claudio Hummes também foi um dos votantes do conclave de 2005. Os outros três, dom João Braz de Aviz, dom Odilo Scherer e dom Raymundo Damasceno, receberam o título de cardeal do papa Bento 16.

"Na eleição de Bento 16, claro que havia um dos cardeais que teve um maior tempo de exercício de uma congregação das mais importantes, a Congregação para a Doutrina da Fé, e que conhecia melhor do que ninguém a vida da Igreja, incluindo as dificuldades e as alegrias, por isso a escolha recaiu sobre ele", comentou o ex-arcebispo de Salvador.

"Agora, não temos ninguém que se sobressaia. Estão todos mais ou menos nivelados", afirmou ele durante entrevista no Colégio Pio Brasileiro, hospedagem para sacerdotes brasileiros em Roma.

Questionado se já tem nomes de possíveis candidatos em quem votar, ele disse ter algumas ideias por conhecer muitos cardeais de seus contatos no tempo em que trabalhou no Vaticano, como secretário da Congregação para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, entre 1991 e 1999.

"Tive muitos contatos pelo meu trabalho aqui no Vaticano, recebendo bispos que depois se tornaram cardeais, então conheço muitos. Tem alguns que chamam a atenção, alguns que são pessoas que julgo terem qualidades para poder assumir um cargo, uma missão", afirmou, sem citar nomes.

Duas 'Santidades'

Para dom Geraldo Majella, a permanência de Bento 16 como papa emérito não será uma sombra para o próximo pontífice. "Ele já disse que não vai interferir em nada para o exercício do novo papado", afirmou.

"Tão edificante, ele se coloca diante do papa que vem com uma atitude de respeito e de também subordinação, como se fosse de fato um bispo ou cardeal", observou o cardeal, numa referência ao discurso de Bento 16 na manhã desta quinta-feira, durante sua despedida dos cardeais no Vaticano.

"Agora, não temos ninguém que se sobressaia. Estão todos mais ou menos nivelados."

Dom Geraldo Majella Agnelo

Em sua fala aos cardeais, Bento 16 prometeu "obediência incondicional" ao novo papa, cuja eleição deve começar por volta do dia 10 de março, segundo previsões.

"Sei que ele não falou isso somente para constar. Ele realmente acredita nisso", afirmou dom Geraldo Majella.

Inicialmente, acreditou-se que Bento 16 voltaria a ser chamado de Joseph Ratzinger, seu nome de batismo, mas na última terça-feira o Vaticano anunciou que ele será chamado de papa emérito Bento 16.

Além disso, ele manterá o tratamento de "Sua Santidade", normalmente reservado aos papas, resultando na situação inédita de existência de duas "Santidades", numa circunstância que para muitos demonstra que Bento 16 continuará influenciando a Igreja Católica mesmo longe do comando formal da instituição.

Escândalos

Durante a entrevista, dom Geraldo Majella também afirmou acreditar que a única razão para a renúncia do papa foram suas debilidades físicas por conta da idade avançada (85 anos) e que não houve outros motivos que influenciaram sua decisão.

Desde que Bento 16 anunciou que renunciaria, no dia 11 de fevereiro, a imprensa italiana vem especulando sobre a suposta influência de um relatório preparado por cardeais sobre documentos do Vaticano vazados no ano passado e que supostamente indicariam divisões dentro da Igreja, com disputas de poder e escândalos de corrupção e sexuais.

"Ele se sente, como todo mundo sabe, debilitado em suas forças físicas e portanto quer deixar que a Igreja, com sua renúncia, escolha alguém que possa ter maior disposição física para o bem da própria Igreja", afirmou dom Geraldo Majella.

Apesar disso, ele considera que a questão da idade não deverá pesar na escolha do próximo papa. O cardeal Ratzinger tinha 78 anos quando foi eleito.

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